Vinte e cinco anos de Clube da Luta, clássico da literatura pop

A primeira regra do Clube da Luta, lançado há 25 anos pelo norte-americano Chuck Palahniuk, é que não se deve falar sobre ele. Mas, tratando-se de uma data comemorativa, a Bienal 360º resolveu contrariar o mandamento de Tyler Durden e revisitar esse clássico livro da cultura pop — adaptado para o cinema, em 1999, pelo diretor David Fincher.

Na história, que traz um dos plot twists mais conhecidos da literatura contemporânea, um narrador não nomeado está visitando grupos de apoio para diferentes doenças há dois anos. Ele está fazendo isso depois de ter ido pela milésima vez ao médico para, sem sucesso, tratar um problema de insônia. Entre pessoas moribundas, o homem insatisfeito encontra algum tipo bizarro de paz interior.

O personagem não tem nenhuma doença, claro, e é muito bem-sucedido profissionalmente. A única doença que ele tem, emprestando a definição de Tyler, é sua própria vida. A grande guerra do nosso tempo, afinal, tão dado à publicidade e escravo de reconhecimentos vazios, é a interior. É contra essa trajetória de um mundo doente que a narrativa se desenvolve — não que ela ofereça qualquer tipo de solução razoável. Muito pelo contrário.

Chuck Palahniuk, autor de Clube da Luta.

Bem-vindo ao Clube da Luta

Se é que alguém já não lhe contou, indo contra a primeira regra do Clube da Luta (exatamente como estamos fazendo aqui), você deve estar se perguntando quem é Tyler Durden. No filme de 1999, ele é interpretado por Brad Pitt — num papel de tirar o fôlego e revirar o estômago de quem não é muito forte para sangue e violência.

No livro, Tyler pode ser definido como uma espécie de representação do vazio dos tempos modernos. Quando o narrador não nomeado se encontra com essa “força da natureza”, a coisa começa a ficar estranha. Juntos, como amigos improváveis, eles fundam o Clube da Luta. E a coisa começa a se multiplicar como um vírus sinistro que acomete a todos os trabalhadores explorados por um sistema desigual.

Não é por que a coisa toda é sobre socos e pontapés que não podem existir regras. O caos, no Clube da Luta, é organizado. Ou supostamente organizado, vá lá, seguindo os mandamentos de Tyler Durden — que, aliás, é visto realmente como uma espécie de Messias desse universo narrativo. Um Messias “alternativo”, para dizer o mínimo, que sentencia:

  1. Você não fala sobre o clube da luta
  2. Você não fala sobre o clube da luta
  3. Quando alguém diz “pare” ou fica desacordado, mesmo que esteja fingindo, a luta acaba
  4. Apenas duas pessoas por luta
  5. Uma luta por vez
  6. Sem camisa e sem sapatos
  7. As lutas duram o quanto tiverem que durar

Edward Norton, que interpreta o que seria o narrador de Clube da Luta, e Tyler Durden (Brad Pitt).

História de amor

Há quem sugira, até mesmo o próprio Chuck Palahniuk, que Clube da Luta é uma história de amor. É difícil encontrar quem tenha comprado essa ideia, mas ela até que tem um pouco de sentido.

Além de trazer uma pancadaria braba e discursos que flertam com um tipo de libertação à força, com todos aqueles homens se destruindo até ficarem seriamente machucados, para no dia seguinte voltarem à rotina de trabalho, a narrativa passeia pela relação do narrador — interpretado, no filme, por Edward Norton — com Marla Singer (Helena Bonham Carter).

Esse casal improvável, que forma um par tão estranho quanto Tyler e o narrador, dá o toque romântico ao livro e ao filme. Em posfácio escrito vários anos depois do lançamento do livro Clube da Luta, Palahniuk sugere de uma forma comicamente ressentida que a narrativa foi chamada de tudo quanto é coisa — ficção científica, terror, menos romance romântico.

Que fique a lição: pode haver amor em meio à destruição. Ou será que não?

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Clube da Luta
Chuck Palahniuk
Trad.: Cassius Medauar
LeYa
270 págs.