Um guia sobre a vida e a obra libertárias de Oscar Wilde

O escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900) é autor do romance O retrato de Dorian Gray (1890), um dos clássicos incontornáveis da literatura mundial. Sua fama, no entanto, vai além dessa narrativa. O dublinense, cuja data de nascimento foi celebrada neste último 16 de outubro, transitou por inúmeros gêneros literários e parece ter feito de sua própria vida uma experiência artística.

Apesar de ser hoje mais festejado por seu romance, Wilde atingiu o sucesso com peças de teatro, na mesma década em que lançou Dorian Gray. Ele vivia na Inglaterra, onde estudou na Universidade de Oxford, e começou a desfrutar — ao lado da esposa, Constance Lloyd — dos louros do sucesso, que permitiu ao artista agir cada mais vez de acordo com a forma que parecia enxergar as coisas: com plena liberdade, sem que éticas hipócritas tivessem relevância, sempre prezando pela estética.

O prefácio que Wilde escreveu para seu único romance, aliás, é um prato cheio para quem deseja conhecer bem a visão de mundo do autor. Nele, o irlandês elenca máximas a respeito da arte e do artista. Algumas delas são (na tradução de Paulo Schiller):

  • O artista é o criador de coisas belas
  • Não existe livro moral ou imoral. Livros são bem escritos ou mal escritos. Isso é tudo
  • O artista nunca é mórbido. O artista pode expressar tudo
  • Vício e virtude são para o artista materiais de arte
  • Toda arte é ao mesmo tempo superfície e símbolo
  • Toda arte é completamente inútil

Conheça Oscar Wilde

  • Nasceu em Dublin, na Irlanda, em 1854
  • Foi casado com Constance Lloyd e teve dois filhos, Cyril e Vyvyan Holland
  • Estudou na Universidade de Oxford, na Inglaterra, onde passou boa parte da vida
  • Foi um dos principais representantes do Esteticismo, movimento que tinha como slogan “a arte pela arte”
  • Ganhou fama por suas peças de teatro; A importância de ser prudente é uma das mais celebradas
  • Escreveu somente um romance, O retrato de Dorian Gray
  • No prefácio de sua única narrativa de fôlego, afirma: “Toda arte é completamente inútil”
  • Acusado de “comportamento sexual indecente”, ficou preso de 1895 a 1897
  • No cárcere, escreveu o que se tornaria um de seus relatos mais íntimos, chamado De profundis
  • Morreu em Paris, em decorrência da meningite e na miséria, em 1900

Principais obras

O humor fino e as críticas sociais são marcas do trabalho de Oscar Wilde. Em O retrato de Dorian Gray, o autor desnuda a “terra natal da hipocrisia”, como se referia à Inglaterra em que viveu — no final do período vitoriano —, por meio de um personagem que leva uma vida dupla, na corda bamba entre a forma que se mostra à sociedade e o hedonismo com o qual existe de fato.

Nos escritos de Wilde para o teatro, pelos quais ficou famoso, o irlandês não é muito diferente. Na peça A importância de ser prudente, por exemplo, ele narra a inconsequente vida do dândi Algernon, algo que não é muito distante da existência do próprio autor — que parece nunca ter se dobrado à ética de uma sociedade que, segundo os escritos de Wilde, era bem hipócrita.

Um outro livro, dentre vários outros do escritor, merece destaque. Em De profundis, Wilde elabora um de seus textos mais intimistas. As circunstâncias que o levaram a isso, no entanto, estão longe de serem boas: preso por dois anos devido à investigação que o pai do lorde Alfred Douglas moveu contra ele, no que acabou sendo condenado, o dublinense foi submetido a trabalhos forçados — uma experiência radicalmente diferente de sua trajetória prévia, na qual a liberdade contava muito.

O preço da liberdade

O exercício da liberdade praticada por Oscar Wilde, em uma sociedade que tinha lei contra comportamentos sexuais “indecentes”, segundo a qual a relação homossexual estava incluída, acabou resultando em tragédia para o escritor.

No auge de seu sucesso, quando a peça A importância de ser prudente (1895) estava a todo vapor, ele se envolveu em um “escândalo” — para aquela época — devido às relações homossexuais que mantinha com o lorde Alfred Douglas. Foi preso, perdeu tudo e morreu de meningite, falido, na França.

Apesar do final trágico, o que parece ficar são os ensinamentos do autor, como a seriedade com a qual lidou com a escrita e a arte em geral, mesmo considerando-a completamente inútil.

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O retrato de Dorian Gray
Oscar Wilde
Trad.: Paulo Schiller
Penguin-Companhia
264 págs.

A importância de ser prudente e outras peças
Oscar Wilde
Trad.: Sonia Moreira
Penguin-Companhia
424 págs.

De profundis & outros escritos do cárcere
Oscar Wilde
Trad.: Júlia Tettamanzy e Maria Angela Aguiar
L&PM
176 págs.