Um guia de Ana Claudia Quintana Arantes para uma velhice saudável

O novo livro da médica Ana Claudia Quintana Arantes, Pra vida toda valer a pena viver, começa com uma metáfora. Dois amigos de 40 anos combinam de se mudar para o deserto do Saara quando tiverem 70 anos. Trinta anos depois, estão os dois no deserto. Mas um deles começa a reclamar das condições do clima, da falta de comida, do vento, etc. No entanto, não há mais volta.

“Nessa metáfora, o deserto do Saara é a nossa velhice”, escreve Ana. “Se não morrermos antes, é certo que envelheceremos. E, se sabemos desde sempre que vamos envelhecer, como explicar o fato de não nos prepararmos para isso? Por que nos permitimos chegar ao deserto sem protetor solar, sem agasalho, sem comida?”

Essa é deixa para que Ana, que estará na Bienal no dia 11 de dezembro falando sobre “O bem-viver”, levante questionamentos sobre como o brasileiro tem se preparado (ou não) para essa fase da vida.

Segundo projeções do Fundo de População das Nações Unidas, a população idosa brasileira cresceu 55% nos últimos dez anos, representando agora cerca de 12% do total do país. Em 2050, esse percentual pode chegar a 30%. O Brasil está pronto para uma população que a cada ano envelhece mais? O que as pessoas têm feito para se preparar para a velhice?

“Não importa se você é pobre ou rico: se não respeitar esse futuro e se planejar para estar nele pelo resto da vida, terá um tempo bem sombrio e difícil pela frente”, escreve Ana.  

“Pois é assim que muita gente se comporta diante da ideia de envelhecer. Essas pessoas sabem que vão passar por intempéries de diversas naturezas a partir de certa idade, mas, misteriosamente, fingem que não é com elas e não se preparam.”

Ana Claudia Quintana Arantes, autora de Pra vida toda valer a pena viver. Foto: Reprodução/Humana Vida

O que fazer

Autora do best-seller A morte é um dia que vale a pena viver, que já vendeu mais de 300 mil livros no país, Ana mostra os caminhos de uma velhice mais saudável, física e mentalmente.

“Envelhecer é um processo complexo, que não se limita à saúde física e envolve o bem-estar mental, as emoções e a sociabilidade.” Para exemplificar melhor, ela propõe nove pilares para começar a construir hoje uma velhice “boa, feliz e preenchida pela coragem de viver”.

De forma bem didática, em um texto agradável, a autora tempera seu relato com alguns de seus gostos para séries e filmes (como Piratas do Caribe), tornando o assunto principal (“um tabu em nossa sociedade”) um pouco mais leve. Como este trecho:

“O cineasta americano Woody Allen costumava afirmar que não tinha nada contra o envelhecimento, ‘já que ninguém tinha descoberto uma forma melhor de não morrer jovem.’”

Os passos propostos por Ana Claudia Quintana Arantes são:

  • Acolher o envelhecimento
  • Cuidar do corpo que habitamos e da mente que nos guia
  • Lapidar as relações humanas
  • Aprender a perder
  • Conviver com os lutos
  • Cultivar as boas lembranças
  • Reconhecer e tratar a dor fantasma
  • Encontrar o sentido da existência
  • Fazer as pazes com o tempo de morrer depois de envelhecer

Trajetória

Médica formada pela USP, com residência em geriatria e gerontologia no Hospital das Clínicas da FMU SP, Ana Claudia Quintana Arantes fez uma palestra, em 2012, que rapidamente viralizou, ultrapassando a marca de 1,7 milhão de visualizações.

A última fala do vídeo, “A morte é um dia que vale a pena viver”, se tornou o título de seu livro que, desde o lançamento em 2016, vem conquistando um público cada vez maior.

Uma das maiores referências sobre Cuidados Paliativos no Brasil, a autora aborda o tema da finitude sob um ângulo surpreendente. Segundo ela, o que deveria nos assustar não é a morte em si, mas a possibilidade de chegarmos ao fim da vida sem aproveitá-la, de não usarmos nosso tempo da maneira que gostaríamos.

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Pra vida toda valer a pena viver
Ana Claudia Quintana Arantes
Sextante
160 págs.