Reformulando clichês nos livros de romance

Na plateia, Sofia, 18 anos, pergunta às convidadas especiais da mesa de debate: se elas fossem um personagem de livro, qual clichê se encaixaria melhor na história de cada uma? As escritoras americanas Lyssa Kay Adams e Scarlett Peckham adoraram a indagação. Lyssa escolheu a comédia romântica, com amor em meio ao caos do dia a dia. Já Scarlett se enxerga num romance de duas pessoas que não se dão, mas que encontram uma forma de seguirem juntas.

Foi assim que na manhã desta quinta-feira (09) a Bienal do Livro Rio recebeu as duas autoras. Elas participaram de uma mesa de debate de forma virtual, com tradução simultânea, e trataram de temas como masculinidade tóxica, protagonistas que desafiam o patriarcado e a reformulação de clichês da sociedade, universo presente em seus livros. A mesa foi mediada pela também autora Frini Georgakopoulos.

Em seu livro “O Clube do Livro dos Homens”, Lyssa Kay Adams fala sobre como introduzir leitores ao romance, especialmente homens, uma vez que além de apresentar a ideia de homens conversando abertamente sobre emoções, sentimentos e relacionamentos, traz também momentos bastante didáticos sobre masculinidade tóxica.

“Eu sempre tive essa ideia de livro, em que seria muito legal uma história em que um cara começasse a ler livros de romances para conquistar uma garota.  Pensei nessa ideia de que homens são assim e que nós devemos aceitar esse comportamento deles. Foi quase uma terapia criar esse mundo no qual temos esse grupo de homens que estão ativamente tentando se tornar homens melhores e combater essa masculinidade tóxica”, disse Lyssa.

Esta história deve ganhar ainda mais alcance nos próximos anos, já que a Netflix adquiriu os direitos autorais da obra e pretende transformá-la em um filme. “Eu li o script e gostei muito. Está bem fiel ao livro. Estou muito feliz por ter sido escolhida e quero ver logo o projeto final”.

Já Scarlett Peckham, escritora da trilogia literária “Os Segredos da Charlotte Street”, trata dos temas do feminismo, sobre o papel da mulher na sociedade e seu poder em um enredo de romances de época históricos.

“As premissas da minha série levam a esses temas porque todos nós queremos ler sobre esse assunto. É um tema bastante popular. As mulheres começaram a exercer seu poder. Nos meus livros essas mulheres são fortes, negociam para conseguir o que querem. Desafiam o patriarcado e exercem o seu poder perante a sociedade”.

Além de romance e feminismo, a Bienal ainda traz assuntos diversos para a programação dos próximos dias, como Ancestralidade, Poesia para (re)existir, Maternidade/Paternidade e Vozes LGBTQIA+. Todas as sessões estão sendo transmitidas no site da Bienal.

Para visitar a Bienal, os ingressos podem ser adquiridos online ou na bilheteria do Riocentro.