Quatro livros para relembrar Arnaldo Jabor

O jornalista e cineasta Arnaldo Jabor, que morreu nesta terça-feira (15), aos 81 anos, ficou conhecido do grande público por conta dos comentários que fazia nos telejornais da TV Globo a partir dos anos 1990.

Enfáticos, contundentes e muitas vezes irônicos e engraçados, esses comentários políticos misturavam elementos de crônica e artigo de opinião. “Modelo” que o jornalista também levou para os textos que escrevia em jornais como Folha de S.Paulo e O Globo.

Parte desse material — muitas vezes misturados com textos inéditos — foi editado em oito livros de crônicas. Algumas dessas obras, como Pornopolítica, entraram nas listas de mais vendidos e viraram best-sellers. O que ampliou ainda mais o público de Jabor e jogou luz sobre seu passado, também de sucesso, como cineasta, autor de campeões de bilheteria como Toda nudez será castigada e Eu sei que vou te amar. 

Abaixo, relembramos alguns dos livros mais marcantes do escritor, cineasta, jornalista e polemista.

Amor é prosa, sexo é poesia

Neste livro talvez esteja a crônica mais conhecida de Jabor, que dá nome à coletânea e inspirou Rita Lee musicar a letra — a canção, aliás, virou hit. Os textos, como o nome do livro sugere, giram em torno do tema “amor e sexo”. Mas, claro, são assuntos tratados com a conhecida verve de Jabor: uma pegada ao mesmo tempo ácida, lírica e provocativa. São 36 textos em que Jabor anuncia sem pudores sua fome de beleza em tudo: na vida, na política, no amor, no sexo.

Amor é prosa, sexo é poesia
Arnaldo Jabor
Objetiva
200 págs.

Pornopolítica

Outro hit de Jabor, Pornopolítica já diz a que veio no próprio título. Lançado em 2006, logo após o sucesso de Amor é prosa, sexo é poesia, o livro traz um subtítulo ainda mais provocador: Paixões e taras da vida brasileira. Nos textos, Jabor mistura temas que aparentemente não têm nada a ver uns com os outros, mas que dão caldo pelas mãos habilidosas do autor. “A atividade que eu faço chama-se crítica cultural, que consiste justamente em descobrir aspectos políticos em fatos aparentemente superficiais, em analisar comportamentos da vida social, psicologias, maneiras de pensar e de ver, opiniões, preconceitos, hábitos. Isso é política também, só que está escondida feito um pinto dentro de um ovo.”

Pornopolítica
Arnaldo Jabor
Objetiva
236 págs.

Eu sei que vou te amar

Em geral, a literatura é quem alimenta o cinema. Aqui, Jabor inverteu a ordem e transformou o roteiro de um de seus filmes mais celebrados em livro. O filme Eu sei que vou te amar estreou em 1986 e foi sucesso de crítica e público. Na história, um casal recém-separado se reencontra e trava uma discussão, que no livro toma mais de cem páginas, onde se lê diálogos entremeados por pensamentos dos dois. Tenso, cruel e apaixonado, o diálogo flutua entre mentiras gentis, verdades duras de se ouvir, questionamentos, pedidos de perdão, confissões e delírios.

Eu sei que vou te amar
Arnaldo Jabor
Objetiva
136 págs.

Infância

Um dos livros mais abertamente autobiográficos de Jabor, Infância traz o olhar mordaz do cronista sobre temas que falam sobre as primeiras experiências de sua vida. Do mudo testemunho da infelicidade dos pais à perda do melhor amigo, passando pela descoberta do sexo e do amor, pelas bravatas diante da turma de rua e pelo mergulho no submundo da prostituição, ele lança um olhar lírico, mas cortante, sobre uma fase da vida que costuma ser tão idealizada. Esse “olhar para dentro” dá à Infância um caráter único na obra de Jabor, acostumado a reflexões mais panorâmicas sobre as questões que aborda. Um livro breve, mas impactante.

Infância
Arnaldo Jabor
Foglio
81 págs.