Quando o filme se torna tão clássico quanto o livro

Literatura e cinema vivem um caso de amor desde sempre. Livros são uma fonte quase inesgotável de ideias para a sétima arte. A ponto de vários escritores de ficção serem recrutados para criar roteiros tão bons quanto os livros que escrevem — de William Faulkner a Neil Gaiman.

Mas nem todo clássico da literatura vira um bom filme — nesse caso, a máxima “o filme é sempre melhor” não falha. Mais difícil ainda é um filme se tornar tão clássico quanto o livro clássico que lhe deu origem.

Mas há vários exemplos de filmes tão bons quanto as obras que lhe serviram de inspiração. Então aqui o critério é “filmes e livros que têm o mesmo brilho”. Se você viu o filme e gostou, leia o livro que não se arrependerá — e vice-versa. 

O poderoso chefão (1972)
Francis Ford Coppola

Quando foi lançado, em 1969, o romance de Mario Puzzo ficou 67 semanas na lista de mais vendidos do jornal The New York Times. A história da família de mafiosos sicilianos que migra para os Estados Unidos ficou ainda mais popular depois da adaptação de Francis Ford Coppola, que deu vida a um clássico imediato do cinema, em um filme recheado de atores exuberantes em atuações inesquecíveis — de Marlon Brando a Al Pacino, de Diane Keaton a Robert Duvall.

O poderoso chefão
Mario Puzzo
Trad.: Denise Bottmann
Record
496 págs.

A fantástica fábrica de chocolate (2005)
Tim Burton

O americano Tim Burton alcançou um êxito enorme com sua versão de A fantástica fábrica de chocolate: seu filme, para gerações mais novas, é mais conhecido do que o livro de mesmo nome escrito por Roald Dahl, um clássico universal da literatura infantil. A história do Sr. Willy Wonka, o mais incrível inventor no mundo, foi um sucesso desde seu lançamento, em 1964. E ficou ainda mais conhecida com o filme de Burton, com Johnny Deep no papel principal.

A fantástica fábrica de chocolates
Roald Dahl
Martins Fontes
173 págs.

O auto da compadecida (2000)
Guel Arraes

Concebido como uma peça em três atos, O auto da compadecida foi publicado pela primeira vez em 1955 por Ariano Suassuna. A obra se tornou um clássico da literatura brasileira pela fusão perfeita entre a arte popular nordestina com uma sofisticada imaginação literária. O filme de Guel Arraes é hilário e faz jus à criação de Suassuna. O longa fez de Chicó (Selton Mello) e João Grilo (Matheus Nachtergaele) personagens íntimos do público brasileiro. 

O auto da compadecia
Ariano Suassuna
Nova Fronteira
200 págs.

Laranja mecânica (1971)
Stanley Kubrick

O que acontece quando um cineasta genial encontra um escritor genial? Um filme genial. Laranja mecânica, de Stanley Kubrick, se tornou um fenômeno pop, que estampa de camisetas a canecas. O cineasta transformou em clássico cinematográfico a fábula de ficção científica social, escrita por Anthony Burgess, que muitos acham impossível de ser filmada. Pois bem, o delinquente Alex DeLarge, interpretado por Malcolm McDowell, deu ainda mais notoriedade ao romance de Burgess, que já havia sido aclamado quando foi lançado, em 1959.

Laranja mecânica
Anthony Burgess
Trad.: Fábio Fernandes
Aleph
288 págs.

Trainspotting — Sem limites (1996)
Danny Boyle

Trainspotting foi adaptado do livro homônimo de Irvine Welsh, lançado três anos antes, em 1993. A história se concentra em jovens viciados de Edimburgo, que deixam de lado qualquer convenção social para viver um hedonismo junkie. Livro e filme se tornaram clássicos modernos. E o longa de Danny Boyle deu a cara definitiva para os desajustados Mark Renton, Sick Boy, Tommy, Spud e o maravilhoso Franco Begbie.

Trainspotting
Irvine Welsh
Trad.: Daniel Galera e Daniel Pellizzari
Rocco
288 págs.

Cidade de Deus (2002)
Fernando Meirelles e Kátia Lund

Com o romance Cidade de Deus, que começou a partir de uma pesquisa acadêmica, o carioca Paulo Lins marcou seu nome na história literária brasileira do século 21. Com uma prosa peculiar, que capta a linguagem das comunidades cariocas, o livro se tornou um marco. Cinco anos depois de ser lançado, o livro foi adaptado por  Fernando Meirelles e Kátia Lund. O filme, narrado com ritmo enlouquecedor, com rápidas mudanças de pontos de vista, teve uma repercussão assombrosa, no Brasil e no exterior.  

Cidade de Deus
Paulo Lins
Tusquets
400 págs.