Primeiro volume da “Biblioteca Gaiman” reúne cinco HQs do cultuado autor inglês

O escritor e quadrinista inglês Neil Gaiman ganhou visibilidade já no final da década de 1980, com a publicação da HQ Sandman, e lançou vários outros trabalhos cultuados desde então. Para o fã brasileiro, já acostumado com as inúmeras traduções de obras do autor no país, tem uma novidade na área: a Biblioteca Gaiman, que reúne cinco narrativas do britânico adaptadas para o formato de quadrinhos, com artes assinadas por diferentes nomes.

Acompanhado de uma apresentação em vídeo do próprio autor, feito exclusivamente para o público do Brasil, o livro traz as seguintes histórias:

  • “As noivas proibidas dos demônios desfigurados da mansão secreta na noite do desejo sinistro” (adaptada por Shane Oakley)
  • “Criaturas da noite” (Michael Zulli)
  • “Mistérios divinos” (P. Craig Russell)
  • “A verdade sobre o desaparecimento da srta. Finch” (Michael Zulli)
  • “Arlequim apaixonado” (John Bolton)
Neil Gaiman, autor das histórias adaptadas em Biblioteca Gaiman. Foto: Beowulf Sheehan

O conjunto é composto por elementos tradicionais no universo de Gaiman, onde sonhos e realidade costumam se confundir. Sem contar os inúmeros acenos à mitologia, com anjos, demônios e paraísos deturpados, e à literatura de ficção clássica.

Nas duas primeiras narrativas listadas acima, por exemplo, marcam presença um corvo e um gato preto — figuras imortalizadas pela pena do escritor norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1849), um dos expoentes da literatura de terror psicológico e “pai” do romance policial.

Em “Mistérios divinos”, o primeiro homicídio do mundo é investigado, numa trama que começa com um cigarro compartilhado entre dois homens. Na HQ seguinte, o leitor é conduzido pelos túneis subterrâneos de Londres, onde amigos sem muita sorte visitam o Teatro dos Sonhos Noturnos. E na história final, “Arlequim apaixonado”, o amor não tem traços muito agradáveis — pelo contrário, mostra-se na forma de um presente ensanguentado oferecido à mulher amada.

P. Craig Russell assina a adaptação de “Mistérios divinos”. Foto: Wayne Alan Harold

Descanso da realidade

O prefácio da Biblioteca Gaiman, assinado pela ilustradora e professora Cris Peter, lembra a importância da fantasia nos momentos mais turbulentos da vida — como o pandêmico, do qual o mundo ainda não se recuperou.

“Os últimos anos têm sido difíceis”, escreve Cris. “Quando a carga de várias situações fora do nosso controle pesam cada vez mais em nossos ombros, viajar para um mundo seguro e emocionante é um alívio cada vez mais importante.”

Neste sentido, ainda segundo a artista gaúcha, é importante imergir no descanso mental oferecido pela ficção — “independentemente da mídia (quadrinhos, livros literários, televisão, internet)”. Com tantas opções disponíveis, uma boa pedida são as “histórias belas e malditas nascidas da imaginação de Gaiman”.

Cris Peter, que assina o prefácio da Biblioteca Gaiman, na Comic Con Experience de 2017. Foto: Lucio Luiz

Vida e obra de Neil Gaiman

  • Nasceu no condado de Hampshire, na Inglaterra, em 1960
  • Foi um leitor voraz desde os quatro anos
  • Tolkien, Poe e Ursula K. Le Guin foram alguns de seus autores preferidos na infância
  • Como ficcionista, no início de carreira, tinha muita facilidade em parodiar ou criar pastiches de vozes narrativas já existentes
  • Seus primeiros livros são uma biografia da banda Duran Duran e outra do Douglas Adams, autor de O Guia do Mochileiro das Galáxias
  • Começou a publicar a premiada HQ Sandman em 1988
  • Deuses americanos (2001) e Coraline (2002), ambos adaptados para o formato audiovisual, são dois de seus livros mais famosos
  • Ganhou alguns dos mais importantes prêmios voltados para a ficção científica e fantasia, como o Hugo e o Nebula
  • Além de publicações voltadas para o público jovem, possui um sólido trabalho mais “adulto”; os contos de Coisas frágeis (2006) são um exemplo
  • Vive nos Estados Unidos e mantém um site oficial

Compre o livro na loja Bienal Rio

Biblioteca Gaiman — Volume 1
Neil Gaiman
Trad.: Stephanie Fernandes
Intrínseca
288 págs.