Os livros ajudaram eles a vencer

Foram muitos anos de tentativas e frustrações, mas a mudança, enfim, chegou. Ou melhor, vem chegando, porque para a bancária Roberta Cavalcante, de 38 anos, sua melhor versão ainda está por vir. Ano passado, ela passou pela cirurgia bariátrica e, desde então, mesmo diante dos desafios e das ansiedades de uma pandemia, vem mantendo um plano de reeducação alimentar e uma agenda intensa de exercícios físicos. Para ajudá-la nessa jornada, ela contou com um “coach” especial: o livro Seja Foda (Buzz Editora). Assim como ela, outros leitores buscaram um “empurrão” para suas transformações nos livros e conseguiram abrir o novo ano com um troféu merecido.

“De nada adianta uma cirurgia bariátrica se você não muda seus padrões comportamentais. A leitura me ajudou a ter foco. Sigo à risca meu planejamento de manter o corpo e a saúde supimpas e compartilho nas minhas redes a minha superação. Posso dizer que, durante essa transformação, venci meus medos e o comodismo. Com o meu exemplo, passei a inspirar mulheres com dificuldade para emagrecer e me sinto grata por poder ajudá-las. E estou só começando. Para o alto e avante!”, comemora.

Após a mudança, Roberta tem compartilhado dicas e mensagens de incentivo para quem emagrecer em suas redes sociais.

O publicitário Geraldo Casadei, de 50 anos, também teve seu “antídoto editorial” para alavancar um projeto saúde. O livro O poder do hábito (Editora Objetiva) foi sua parceria indispensável nos tempos de isolamento social e o ajudou a resistir ao cigarro. Fumante a duas décadas, ele conseguiu abandonar o tabagismo em 2020 e começar o novo ano com o pé direito.

“Não foi nada fácil porque o isolamento social e todo o contexto de riscos me despertaram ansiedade. Ler me obrigou a direcionar energia para isso e a me concentrar. E o que eu lia me tornava mais forte, abri os olhos para como os hábitos ruins me prejudicavam. Com os perigos dessa nova doença, passei a olhar a vida de forma diferente e nutri esse projeto de ser uma pessoa mais saudável, com bons hábitos. Me sinto pronto para celebrar a vacina e as vivências maravilhosas que terei depois dela, já mais disposto e com o pulmão zerado.”

Casadei entendeu a importância de inserir bons hábitos em sua rotina, como a caminhada ao ar livre.

Mas não só projetos saudáveis tiveram impulso a partir de uma bibliografia de autoajuda. No caso do artista plástico Victor Ferreira, de 27 anos, o projeto  foi de autoconhecimento. Criar, desenhar e pintar sempre foram suas válvulas de escape para aliviar o estresse, mas, durante as piores fases do isolamento, ele sofreu um bloqueio criativo que o angustiou e fez repensar sua atividade artística. Para ele, o livro indicado por um amigo fez toda a diferença nessa caminhada: ajudou a contornar a crise e apontar para um horizonte de melhorias.

Segundo ele, as experiências na rua e as relações com as pessoas eram suas inspirações. Com a permanência em casa, a apreensão se instalou e a criatividade sumiu, fazendo com que seu ateliê, acostumado à intensa produtividade, amargasse um vazio. Foram quase 4 meses de pausa até ele se lançar na leitura de A coragem de ser imperfeito (Editora Sextante), da autora Bené Brown.

“Tive que dar um passo atrás e aceitar os meus processos, as minhas lacunas. A autora toca em pontos que mexem em feridas, é preciso estar disposto a olhar para dentro de si mesmo. Sempre achei meus sonhos grandes demais, mas quero vencer e fazer prevalecer toda a minha singularidade, minha forma de existir no mundo, com todas as minhas imperfeições”, conta Victor.

Victor Ferreira em seu ateliê, localizado em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio.

Com a leitura concluída, ideias positivas germinaram e ele decidiu não desistir. Após o hiato na produção, retornou ao ateliê e decidiu expressar o terror que assombrava seu bloqueio. O artista estava de volta. Pincéis e tintas voltaram a dar vida aos traços e suas narrativas, e assim surgiram as obras: Retrato de uma alma (em isolamento social) e O choro.

A leitura de gêneros de autoajuda oferece aprendizados que vão além do inteligível e tocam a parte emocional. São ideias que fazem refletir sobre as vulnerabilidades, exercitam o autoacolhimento, lançando luz sob as potencialidades.