Os caminhos da fé passam pelo respeito e pela solidariedade, dizem os autores

O desejo de menos intolerância religiosa, mais respeito em relação às diferenças e a união entre os povos são posicionamentos comuns de Pedro Siqueira, Yalorixá Luana de Oyá, Pastor Henrique Vieira e Rabino Lucca Myara. Eles estão à frente de movimentos religiosos e transitam por diversas mídias para expressar sua fé, passar mensagens de esperança e se conectar com seguidores. São representantes das religiões Católica, Umbanda, Evangélica e Judaica, respectivamente, e participaram de uma mesa sobre a Fé.

No seu canal no Youtube, o escritor e professor Pedro Siqueira conduz um grupo católico de orações, no qual transmite revelações e mensagens de santos e anjos. Tudo começou quando ele ainda era criança, época em que surgiram alguns fenômenos e seus pais entenderam que ele tinha um dom. 

“A mensagem que atrai as pessoas é a do amor. O caminho do medo e da punição não é o meu caminho espiritual. Deus é amor, mas também é justiça e educação. O importante é passar isso para as pessoas não só em palavras, mas em ações”, disse ele.

Luana é atriz e também falou muito sobre sua vocação. Neta da atriz Chica Xavier, a Yalorixá também seguiu os passos da avó na profissão – seu nome artístico é Luana Xavier. Nascida e criada em um centro de Umbanda, em Sepetiba, Rio de Janeiro, desde cedo criou laços muito fortes com os ensinamentos da religião que é de tradição oral. Segundo ela, as religiões ainda precisam se modernizar e se abrir para receber mulheres na liderança.

“Eu tenho um perfil no Instagram e dependo da quantidade de seguidores para pagar meus boletos. E eu percebi que perdi muitos seguidores quando me assumi como pessoa da Umbanda. Minha avó dizia que nenhuma religião é melhor do que a outra, que a melhor é aquela na qual você se sente acolhido e feliz. Existem conhecimentos na Umbanda que não estão na sala de aula. Minha tia Neném conhece mais de ervas do que muitos cientistas”, contou a atriz.

O rabino Lucca Myara é filho de pai judeu e mãe católica. Ele sempre se identificou profundamente com a religião judaica, mas algumas pessoas o rejeitavam por sua origem, o que não o impediu de seguir se aprofundando nos estudos do judaísmo. Até que, em um seminário nos EUA, ele teve que estudar o cânone do catolicismo em algumas matérias. Isso enriqueceu ainda mais seu aprendizado.

“Percebo, muitas vezes, estereótipos do que é ser judeu, como alguém muito inteligente ou alguém com muito dinheiro. São estereótipos antissemitas. Existem judeus pobres, o que acontece é que a nossa comunidade tenta ajudar essas pessoas. Outro ponto de atenção é a forma como o povo judeu é descrito na bíblia judaica. É preciso contextualizar e entender que muitos anos se passaram. O povo judeu é muito diverso”, concluiu.

Criado com os ensinamentos do Evangelho, o pastor Henrique Vieira, autor de “O amor como revolução” e “O monge e o pastor”, atua na Igreja Batista do Caminho. Militante dos Direitos Humanos, Henrique Vieira disse entender e sentir seu lugar no mundo a partir de Jesus Cristo.

“A minha espiritualidade se deixa afetar pelas questões da vida, não é um escape. O que a minha fé tem como resposta para os dramas do mundo, como a pobreza, a fome, o racismo? Jesus aparece para mim cada vez mais naquele que está à margem. Existe um grupo evangélico com muito poder político, econômico e midiático, que não dialoga com a democracia e o Estado laico. E isso é muito perigoso. É preciso dar visibilidade à pluralidade das religiões evangélicas para evitar o reducionismo e o preconceito”, definiu o pastor.

Para Pedro Siqueira, os discursos de ódio são combatidos com estudo, leitura e informação para criação de um raciocínio crítico que evita o “efeito manada”.

Luana também falou sobre o racismo religioso: “As religiões de matriz africana trazem consigo uma identidade preta. Existe muita demonização dessas religiões e isso passa pelo racismo. O mínimo que esperamos é respeito”.

O pastor Henrique concordou com a colega: “Intolerância não dá conta do caminho da vida e do amor. Que a gente possa transformar intolerância em tolerância e respeito em solidariedade”.