O legado de bell hooks em quatro obras

Uma das maiores intelectuais do feminismo negro, a americana bell hooks morreu no final de 2021, aos 69 anos. Ela, no entanto, deixou um grande legado que pode ser percebido nas obras e na ascensão de novos autores e autoras que têm no feminismo e nas questões de raça e imigração seu ponto de partida. Um exemplo é a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

Assim como a também americana Toni Morrison, hooks foi um farol para as novas gerações ao emplacar sucessos editoriais que permanecem lidos há décadas, tal como Anseios: Raça, gênero e políticas culturais, Ensinando pensamento crítico: Sabedoria prática e O feminismo é para todo mundo: Políticas arrebatadoras.

O nome artístico, grafado em letras minúsculas, era uma homenagem à avó, dizia a escritora. Nascida Gloria Jean Watkins, ela cresceu no sul dos Estados Unidos numa época em que a segregação ainda estava em curso no país.

Formada em literatura na Universidade Stanford, cursou mestrado na Universidade de Wisconsin, em Madison, e doutorado na Universidade da Califórnia, em Santa Cruz. Desde 2004, lecionava na Faculdade de Berea, no estado de Kentucky.

O feminismo é para todo mundo: Políticas arrebatadoras

Um dos livros mais lidos de bell hooks, O feminismo é para todo mundo apresenta uma espécie de cartilha sobre questões pontuais em sua obra, como a natureza do feminismo, a exploração sexista e outras formas de opressão. Hooks incentiva leitores a descobrir como o feminismo pode tocar e mudar, para melhor, a vida de todo mundo. O leque de temas abordados pela autora é tão grande que abarca desde consciência crítica, masculinidade feminista e o feminismo visionário.

O feminismo é para todo mundo
bell hooks
Trad.: Ana Luiza Libânio
Rosa dos tempos
165 págs.

E eu não sou uma mulher?

Bell hooks estreou em 1984 e esse primeiro livro se tornou um clássico da teoria feminista que permanece lido, estudado e celebrado por leitores do mundo todo. Na obra, hooks discute racismo e sexismo presentes no movimento pelos direitos civis e no feminista, desde o sufrágio até os anos 1970. Além de examinar o impacto do sexismo nas mulheres negras durante a escravidão, a desvalorização da mulheridade negra, o sexismo dos homens brancos e negros, o racismo entre as feministas, os estereótipos atribuídos a mulheres negras e o imperialismo do patriarcado. Temas que permanecem atualíssimos mais de 30 anos após seu lançamento.

E eu não sou uma mulher?
bell hooks
Trad.: Libanio Bhuvi
Rosa dos tempos
320 págs.

Meu crespo é de rainha

Neste livro, publicado originalmente em 1999, o leitor é apresentado a outras facetas da autora americana: a de poeta e autora infantojuvenil. Em forma de poema rimado e ilustrado, hooks apresenta os penteados e cortes de cabelo afro de forma positiva, alegre e elogiosa. O livro serve como uma dose de autoestima a garotas negras ao enaltecer a beleza dos fenótipos negros, exaltando penteados e texturas afro, fazendo com que a garota negra se veja representada e admirada.

Meu crespo é de rainha
bell hooks
Boitatá
34 págs.

Erguer a voz: Pensar como feminista, pensar como negra

Nesta coletânea de ensaios, a autora incentiva os leitores a “enfrentar o medo de se manifestar” e “confrontar o poder”. Aqui, bell hooks reflete sobre assuntos que marcam seu trabalho intelectual: racismo e feminismo, política e pedagogia, dominação e resistência. Em mais de 20 ensaios e uma entrevista, a autora mostra que transitar entre o silêncio e a fala é um gesto desafiador que cura, que possibilita uma nova vida e um novo crescimento ao oprimido, ao colonizado, ao explorado e a todos aqueles que permanecem e lutam lado a lado, rumo à libertação.

Erguer a voz: Pensar como feminista, pensar como negra
bell hooks
Trad.: Cátia Bocaiuva Maringolo
Elefante
380 págs.