O império fantástico de Patrick Rothfuss, autor da série “A crônica do matador do rei”

O norte-americano Patrick Rothfuss é um daqueles escritores que ousaram criar um gigantesco e complexo universo ficcional — assim como V. E. Schwab e Sarah J. Maas, autoras já comentadas pela Bienal 360º. Os dois volumes da série de fantasia épica A crônica do matador do rei, composta pelos livros O nome do vento e O temor do sábio, têm calendário próprio, um sistema econômico bem elaborado, religiões diversas e dialeto em comum.

Apesar de ter quase 1,8 mil páginas, a obra — pensada no formato de trilogia — ainda não está completa. O volume final, cujo título em inglês é The doors of stone, ainda não foi publicado. Mas, no Brasil, acaba de sair uma edição especial do título de estreia, O nome do vento.

Não é preciso se preocupar com a inconclusão da trilogia: já há muita informação para processar. “Quando comecei a escrever O nome do vento, desejava que o mundo parecesse real”, anota o autor em um texto da edição especial do livro, que ainda explica o funcionamento do calendário do Eterno Império Aturense, onde a história se passa, dá informações de todo o complexo sistema financeiro da saga e traz um guia de pronúncia para o dialeto ficcional da série.

Patrick Rothfuss, autor de O nome do vento e O temor do sábio. Foto: Jamie Rothfuss

Conheça Patrick Rothfuss

  • Nasceu na cidade de Madison, no Wisconsin, em 1973
  • Quando jovem, costumava ler um ou dois livros por dia, quase todos de ficção científica ou fantasia
  • Passou por diversos cursos de graduação, sem concluí-los, antes de se formar em Inglês
  • Durante as várias experiências no ensino superior estava focado em escrever o que seus amigos chamavam de “O livro”
  • O nome do vento e O temor do sábio são os volumes já publicados d’A crônica do matador do rei, uma trilogia ainda incompleta
  • Uma das grandes inspirações para a trilogia A crônica do matador do rei é o jogo de RPG “Dungeons & Dragons”
  • Começou a escrever O nome do vento em 1994; publicou-o em 2007
  • Ganhou o Quill Award com seu primeiro livro e entrou para a lista de mais vendidos do jornal The New York Times
  • O nome do vento está traduzido em 35 línguas e vendeu 10 milhões de exemplares até agora
  • O terceiro volume da série, cujo título em inglês é The doors of stone, ainda não foi publicado

O nome do vento

O primeiro livro da trilogia A crônica do matador do rei inaugura a jornada do enigmático personagem Kote, do qual não se sabe muita coisa a princípio. Com seus “cabelos ruivos de verdade, vermelhos como a chama”, ele é dono da Pousada Marco do Percurso e gosta de manter um estranho silêncio, como se estivesse somente esperando a morte.

Para dar complexidade ao universo narrativo, é natural que Patrick Rothfuss explore o bem e o mal sem cair em clichês — sempre há mais de uma versão para a mesma história, afinal, e quando se trata de uma jornada dentro de um gigantesco mapa ficcional, com personagens que enxergam a vida de formas bem diferentes, a coisa vai se complicando cada vez mais.

Um pouco de luz é jogado no universo de O nome do vento quando lendários demônios, responsáveis por assassinar a família de Kote no passado, entram em cena. A partir daí, um cronista começa a desconfiar que o dono da hospedaria talvez seja a figura central de várias lendas da extensa região na qual a obra se desenvolve.

Ele pode ser Kote ou Kvothe, o Matador de Rei. O Arcano. O Sem-Sangue. Pode ser alguém que resgatou princesas e conversou com deuses. Um vilão ou um herói?

O mundo de Patrick Rothfuss

  • Eterno Império Aturense é o nome do mapa no qual se passa a história dos livros O nome do vento e O temor do sábio
  • No universo ficcional de A crônica do matador de rei, os meses têm 44 dias
  • Cada mês é dividido em quatro partes de onze dias, e para cada um desses dias há um nome diferente (luten, shuden e theden são três deles)
  • Há quatro principais moedas na economia ficcional elaborada por Rothfuss: ceáldicas, da República, vintasianas e aturenses
  • Cada uma das moedas representam um dos Quatro Cantos, que é como o mapa se divide, e têm histórias próprias

O temor do sábio

O segundo livro da trilogia A crônica do matador do rei acompanha Kvothe após atritos do personagem com um membro da realeza. Aconselhado a abandonar os estudos, ele parte para outros cenários, nos quais irá encontrar todo tipo de situação adversa.

  Para começar, ao viajar mais de mil quilômetros até a região de Vintas, acaba envolvido na politicagem do local e precisa liderar um grupo de mercenários contra ladrões implacáveis. Se é verdade que ele estava somente em busca de um patrocinador para sua música autoral, as coisas não saem exatamente como o esperado.

No desenvolvimento do livro, Kvothe ainda se envolve com uma criatura encantada que parece fazer as vezes das sereias da Odisseia, aprende um estilo de luta pouco ortodoxo e segue em busca de respostas sobre o grupo de demônios que matou sua família — situação apresentada em O nome do vento.

Apesar da extensão da obra, a história ainda está longe de se fechar. Os “nós” da saga só serão desfeitos quando da publicação de The doors of stone, último volume da trilogia A crônica do matador do rei, ainda sem data de lançamento. 

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O nome do vento — A crônica do matador do rei: primeiro dia
Patrick Rothfuss
Trad.: Vera Ribeiro
Arqueiro
768 págs.

O temor do sábio — A crônica do matador do rei: segundo dia
Patrick Rothfuss
Trad.: Vera Ribeiro
Arqueiro
960 págs.