O essencial da série “Duna”, um dos maiores triunfos da ficção científica

Nas mais de 3 mil páginas da série Duna, iniciada em 1965 e composta por seis livros, o norte-americano Frank Herbert (1920-1986) elaborou uma saga épica repleta de misticismo e discussões políticas e ecológicas, que começa com o jovem Paul Atreides sendo treinado para se tornar um messias e se desenvolve por milhares de anos. Já imaginou como seria transpor esse complexo universo para o cinema?

Além da versão cinematográfica de 1984, dirigida pelo cultuado David Lynch, Duna ganha uma nova interpretação pelo franco-canadense Denis Villeneuve, diretor de filmes como Blade runner 2049 (2017) e A chegada (2016). O longa-metragem, com Timothée Chalamet no papel principal, chega aos cinemas e à HBO Max no dia 22 de outubro — e faz deste momento perfeito para relembrar a história criada por Herbert.

Para que o leitor não se perca em meio aos vários volumes da série, é bom lembrar que a editora Aleph lançou neste ano todo o trabalho do escritor norte-americano em duas caixas diferentes, contendo as duas trilogias que compõem a saga original — “original” porque, depois da morte de Herbert em 1986, em decorrência de um câncer no pâncreas, o universo de Duna ganhou vários outros livros que o complementam, mas eles não serão comentados neste momento.

Frank Herbert, autor da série Duna.

Duna: primeira trilogia

Duna: segunda trilogia

A saga de Paul Atreides

Lançado há mais de meio século, Duna (1965) ganhou os prêmios Hugo e Nebula. De acordo com o escritor e quadrinista inglês Neil Gaiman, trata-se do “melhor dos grandes romances de ficção científica, e o que mais se manteve relevante”. O comentário não é à toa: são muitos os elementos do mundo ficcional que podem ser observados no real, especialmente aqueles que flertam com o cristianismo e as técnicas de conquista utilizadas por Roma.

A primeira trilogia do épico de Herbert acompanha a trajetória de Paul Atreides, que se torna “vítima” de uma profecia. Após deixar seu planeta natal, o jovem desembarca no inóspito Arrakis — chamado “Planeta Deserto” — e se vê engolido por tramas políticas e armações religiosas. Para completar a dura jornada do rapaz, que começa a absorver os aprendizados de uma antiga irmandade, os próprios habitantes de seu novo lar enxergam nele uma espécie de salvador. Um escolhido.

Os esforços que fazem para Paul se tornar um símbolo potente dão certo. Messias de Duna (1969), em uma história que se passa 12 anos depois dos eventos do primeiro livro, mostra as consequências do rapaz ter ascendido ao trono de Arrakis e incorporado a figura do messias, fazendo com que o planeta se tornasse o centro do Imperium. Como toda narrativa permeada pelo poder, os conflitos são inevitáveis.

No volume que fecha a primeira trilogia, Filhos de Duna (1976), Paul Atreides abre mão do título de imperador e parte para o deserto, no que sua irmã assume o comando do planeta. O choque enfrentado por Arrakis pode ser desastroso, em uma narrativa que se passa nove anos após Messias de Duna e traz à tona, mais do que nunca, debates religiosos e questões políticas.

Cena do filme Duna (2021), de Denis Villeneuve: Timothée Chalamet no papel de Paul Atreides.

Conheça Frank Herbert

  • Nasceu em Tacoma, no estado de Washington, em 1920
  • Teve as mais diversas ocupações antes de se dedicar somente à ficção, como pescador de ostras, comentaristas de rádio e professor de escrita criativa
  • Seu primeiro conto, Looking for something?, foi publicado em 1952
  • Consagrou-se com o lançamento do romance Duna, em 1965
  • Ganhou os prêmios Hugo e Nebula, considerados os mais importantes da ficção científica
  • Além dos seis livros do épico Duna, assinou mais de outros 20 títulos
  • Deixou três filhos. Um deles, Brian Herbert, publicou nove livros que expandem o universo de Duna e vários contos na mesma linha
  • Morreu em 1986, em decorrência de um câncer no pâncreas

Milênios depois

Em Imperador Deus de Duna (1981), que abre a segunda trilogia da série, milênios se passaram desde a ascensão e queda de Paul Atreides. “Uma quarta visita à distante Arrakis, tão fascinante quanto as outras três — e cada vez mais conveniente”, anotou a revista Time sobre o livro.

Na história, o antigo planeta desértico está verdejante, exalando vida. A figura que está no poder e dá nome à obra, no entanto, não é das melhores. Após passar por modificações genéticas e prometer paz universal à força, como todo líder de índole duvidosa sabe fazer bem, o Imperador Deus de Duna vai enfrentar a ira de rebeldes liderados por Siona, uma remanescente dos Atreides.

É de volta ao clima árido que começa Hereges de Duna (1984), narrando as consequências de um catastrófico governo autoritário. Em uma história que volta a flertar com a ideia de uma antiga profecia, diversas facções — perdidas no caos que se tornou o universo — podem ter na figura de Sheeana um fôlego renovado para enfrentar as adversidades.

O último volume do épico, Herdeiras de Duna (1985), foi publicado um ano antes da morte do autor. A história, que exige do leitor estar ciente de todas as peculiaridades do gigantesco universo ficcional, mostra as consequências das terríveis ações de um culto matriarcal e põe em cena a tentativa da ordem Bene Gesserit resguardar valores do Antigo Império — quando ainda existiam figuras salvadoras e parecia haver esperança.

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Duna: primeira trilogia
Frank Herbert
Trad.: Maria do Carmo e Maria Silvia Mourão Netto
Aleph
1480 págs.

Duna: segunda trilogia
Frank Herbert
Trad.: Christiane Almeida e Marcos Fernando de Barros Lima
Aleph
1608 págs.