Novo livro de Ruy Castro apresenta cena literária do Rio nos anos 20

O Rio de Janeiro continua sendo uma inesgotável fonte de inspiração para Ruy Castro. O autor que biografou diversos ícones da cidade — de Garrincha a Nelson Rodrigues —, reconstituiu movimentos (Bossa Nova) e investigou a cena cultural que brotou de Ipanema (Ela é carioca), agora retrata os anos 1920 na então capital federal do Brasil. 

Em um amplo processo de pesquisa, As vozes da metrópole traz a produção poética, ficional e jornalística dos escritores que foram protagonistas e testemunhas de um período rico da cultura da cidade — e do país.

O livro é dividido da seguinte forma:

  • Frases
  • Crônica e Reportagem
  • Poesia
  • Ficção
  • Provocações
Gilka Machado, poeta cuja obra está voltando a circular.

É um verdadeiro trabalho de garimpo porque, como afirma o próprio Ruy, “a maioria dos 41 autores reunidos nesta antologia, famosos e/ou admirados na década de 20, está fora de catálogo, fora de circulação e fora de moda há quase cem anos.”

Mas, claro, há os ainda consagrados João do Rio, Lima Barreto e Murilo Mendes, nomes que ainda hoje continuam sendo editados e presentes para o leitor de hoje, assim como Julia Lopes de Almeida e Gilka Machado, que voltaram a ter seus livros editados e revalorizados recentemente.

Mas figuras como Alvaro Moreyra, Adelino Magalhães, Orestes Barbosa (autor da clássica canção “Chão de estrelas”), Ribeiro Couto e Patrocinio Filho, que eram figuras de sucesso nos anos 20, foram soterrados pelo tempo. Com o trabalho de Ruy, suas obras podem ganhar novo fôlego.

Contexto

O contexto da época era amplamente favorável para que o Rio fosse tomado por artistas de diversas matizes. Capital Federal, única cidade brasileira com mais de 1 milhão de habitantes, “gente por toda parte dia e noite, prédios altos e com elevador, ruas iluminadas, carros, bondes, saias curtas, domingos de praia e um grau de barulho, o Rio andava em uma velocidade com que as províncias nem sonhavam”, escreve Ruy.

Além disso, havia muitas redações, que “soltavam uma infinidade de jornais”, livrarias e sebos, onde todas as correntes se cruzavam.

“O leitor se surpreenderá com esses textos e descobrirá que, desde 1920, o Brasil tinha um escrete de escritores afiados na observação de sua época e que já escreviam brilhantemente em brasileiro, em todos os estilos correntes e em outros que, a partir dos anos 20, seriam caracterizados como ‘modernistas’ (embora os autores do Rio, modestamente, fossem apenas modernos)”.

João do Rio, escritor e jornalista.

Alguns nomes dos anos 20

  • Gilka Machado (1893-1980), poeta 
  • Graça Aranha (1868-1931), ensaísta, romancista e diplomata
  • Alavaro Moreyra (1888-1964), cronista, poeta, dramaturgo e jornalista
  • Augusto Frederico Schmidt (1906-1965), poeta, livreiro e editor; o primeiro a publicar Jorge Amado, Lúcio Cardoso, Graciliano Ramos e Vinicius de Morais
  • Agrippino Grieco (1888-1973), crítico, frasista insuperável e conferencista
  • Jayme Ovalle (1894-1955), figura mítica da cultura brasileira; mesmo sem produção, foi poeta, músico e ficcionista
  • João do Rio (1881-1921), repórter, cronista, crítico, colunista social, articulista político, editorialista, proprietário de jornal, romancista, contista, tradutor, dramaturgo e homem do mundo
  • Julia Lopes de Almeida (1862-1934), romancista, contista e cronista; primeira escritora profissional do Brasil

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As vozes da metrópole
Ruy Castro
Companhia das Letras
464 págs.