Nos 20 anos do 11 de Setembro, livro resgata o horror do atentado

“Quase todos os norte-americanos acima de certa idade se lembram exatamente onde estavam no dia 11 de setembro de 2001.” Assim começa O único avião no céu, livro do jornalista americano Garrett M. Graff, recentemente lançado no Brasil.

Quando ainda vivemos um pesadelo de proporções mundiais, com as milhares de mortes causadas pelo coronavírus, Graff e seu livro reaviam nossa memória sobre outra tragédia que impactou não só os americanos, mas pessoas no mundo todo.

Há 20 anos, em uma ação terrorista, dois aviões se chocaram contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, no coração de Nova York — outros dois aviões foram sequestrados, um deles jogado sobre o Pentágono e outro derrubado pelos terroristas em Shanksville, na Pensilvânia, após os passageiros se rebelarem. 

Em seu livro, Graff relata de forma minuciosa o ataque mais mortífero em solo norte-americano desde Pearl Harbor, que, segundo o autor, além de nos expor a “uma tragédia e a um mal inimagináveis”, também nos lembra “da força, da coragem e do poder do espírito humano”. No último trecho, claro, ele se refere às pessoas que arriscaram suas próprias vidas para ajudar sobreviventes do ataque.

Garrett M. Graff, autor de O único avião no céu.

11 de Setembro em números

  • Ao todo, 2606 pessoas morreram no World Trade Center, em Nova York
  • 125 no Pentágono e 206 pessoas morreram quando os aviões em que estavam foi derrubado pelos terroristas em Shanksville, na Pensilvânia
  • Depois do impacto dos aviões, as Torres Gêmeas vieram abaixo após 102 minutos
  • Além dos americanos, cidadãos de mais de 90 países morreram
  • Mais de 3 mil crianças perderam pelo menos um dos pais
  • O único avião no céu se baseia em mais de 500 relatos orais

O horror, o horror

Graff abre seu relato de forma bastante original e surpreendente. Ele começa contando sobre Frank Culbertson, que em 11 de setembro de 2001 era o único norte-americano que estava longe do planeta Terra. O astronauta chegou em 11 de setembro de 2001 à Estação Espacial Internacional a bordo do ônibus espacial Discovery. Ele passaria 125 dias na estação, vivendo e trabalhando.

Mas não era apenas o astronauta que não sabia exatamente o que estava acontecendo na Terra. As imagens da televisão só mostravam as cenas surreais de dois aviões batendo em um símbolo do capitalismo americano — e causando destruição e morte.

Ao todo, 2606 pessoas morreram no World Trade Center, em Nova York, e outras 125 no Pentágono; 206 pessoas morreram quando os aviões em que estavam — os voos American Airlines 77, United Airlines 175 e American Airlines 11 — foram sequestrados e atirados contra os centros do poder financeiro e militar dos Estados Unidos. E outros 40 morreram com a queda da aeronave em Shanksville.

Entre o impacto do primeiro avião e a queda das Torres Gêmeas apenas 102 minutos transcorreram. Além da maioria norte-americana, havia cidadãos de mais de 90 países entre as vítimas do 11 de Setembro.

Sobreviventes dos ataques terroristas ao World Trade Center caminham entre fumaça, poeira e destroços. Foto: Gulnara Samoilova

Sombra dos ataques

Garrett M. Graff também lembra que a conta não se esgota apenas nos que morreram. “Mais de 3 mil crianças perderam um dos pais no 11 de Setembro; entre elas, uma centena nasceria nos meses seguintes e não chegaria a conhecer seus pais”, relata. E completa: “Mais de 6 mil pessoas ficaram feridas, e muitas mais sofreriam danos — físicos, mentais, alguns até fatais — decorrentes dos esforços de resgate”.

Vinte anos depois, o 11 de Setembro segue como uma sombra na política nacional americana e na geopolítica internacional. Os atentados colocaram os EUA em duas das guerras mais duradouras da história do país. Dois mil e dezoito marcou o primeiro ano em que recrutas nascidos após o 11 de Setembro foram despachados para zonas em guerra do Iraque e Afeganistão.

Para fazer seu livro, com mais de 500 páginas na edição brasileira, Graff se baseou em mais de 500 relatos orais recolhidos por ele e por dezenas de historiadores e jornalistas nos últimos 17 anos.

Relatos de O único avião no céu

  • William Jimeno, policial, dpap: “Uma sombra passou pela rua 42 com a Oitava Avenida. Por uma fração de segundo, a rua inteira ficou encoberta”.
  • Anthony R. Whitaker, comandante do wtc, dpap, saguão da Torre Norte: “Vi duas pessoas pelo canto do meu olho esquerdo. Estavam em chamas. Correram em minha direção e seguiram em frente. Não emitiram um único som. Suas roupas estavam queimadas e elas fumegavam”.
  • Robert Small, gerente de escritório, Morgan Stanley, Torre Sul, 72º andar: “A explosão no 11 de Setembro foi muito parecida com a explosão de 1993. Pensei comigo: Ah, de novo, não.

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O único avião no céu
Garrett M. Graff
Trad.: Julia Debasse e Érico Assis
Todavia
580 págs.