Mestre internacional do mangá inspira fãs na Bienal do Livro

Um dos maiores nomes do mangá em todo o mundo, o artista japonês Junji Ito participou da XX edição da Bienal do Livro Rio, na manhã desta segunda-feira, como convidado especial. Junji possui uma legião de fãs no Brasil e conversou com a plateia de forma virtual, contando sobre as motivações artísticas e seu processo de criação das histórias em quadrinhos.

“Eu tenho um livro de ideias e vou anotando nele. Essas ideias podem vir de qualquer lugar. Às vezes, começo com uma pintura, um cenário e vou mesclando para montar o desenho. A partir delas faço um esboço. Entrego aos editores, depois faço os ajustes e começo a desenhar”, comentou o artista, na mesa que teve a jornalista Míriam Castro e a escritora Kika Hamaoui como mediadoras.

Junji Ito tem 58 anos e é especialista em histórias de horror. Entre suas principais obras estão “Tomie”, série sobre uma garota imortal que leva seus admiradores à loucura, e “Uzamaki”, série sobre uma cidade assombrada por uma entidade sobrenatural. Ao longo de mais de 30 anos de carreira, ficou conhecido como “Mestre do horror”, embora goste de Beatles e miniaturas de carros como hobbies.

O artista japonês lembrou que desde criança gosta desse universo sombrio. “Sempre gostei de Mangaká, de filmes de terror que davam medo. Comecei a traçar o meu estilo de desenho cedo e sempre tive liberdade para desenhar. Enquanto desenho, tenho um traço de comédia e insiro nas minhas histórias, desde que não quebre o medo.”

A roteirista Ana Sinhorelli, de 24 anos, é fã dos trabalhos de Junji Ito e veio à Bienal para vê-lo: “Trabalho com os meus medos pessoais usando Junji como inspiração para criar. Me fascina como ele faz para atrair um grande público para as suas histórias”.

Antônio Herdy, de 22 anos, também aproveitou o evento para agradecer ao artista pelo mangá “O enigma da falha de Amigara”: “Minha prima foi incentivada a ler graças a esse conto. Obrigado por nos tornar amantes da leitura”.