Livros para entender a Independência do Brasil e seus personagens

Se você acha que o Brasil está em chamas, então precisa ler as obras que a Bienal 360° selecionou sobre a Independência do Brasil e os personagens que estavam antes, durante e depois de um dos fatos históricos mais importantes de nossa história.

O Brasil de 200 anos atrás era tão caótico e cheio de incógnitas quanto hoje. E passava por uma revolução política que ainda reverbera. Neste 7 de Setembro, vários livros nos ajudam a entender como o grito “independência ou morte” de D. Pedro I ajudou a moldar nosso país.

Dicionário da Independência: 200 anos em 200 verbetes
Eduardo Bueno

O escritor, tradutor e historiador — “com I maiúsculo”, como ele mesmo se define — Eduardo Bueno é conhecido pela forma “descomplicada” com que aborda assuntos muitas vezes considerados “chatos” da História. Neste dicionário, ele comenta 200 anos de Independência do Brasil por meio de 200 verbetes, rápidos e diretos, sobre fatos fundamentais de nossa história. Está no livro, por exemplo, o turbulento processo que resultou na separação do Brasil de Portugal, verbalizado pela célebre frase de D. Pedro: “Independência ou morte!”. Um livro que fisga o leitor por conta de sua linguagem rápida, simples, mas eficiente. 

Dicionário da Independência: 200 anos em 200 verbetes
Eduardo Bueno
Editora Piu
144 págs.

1822
Laurentino Gomes

As narrativas históricas de Laurentino Gomes arrebataram milhares de leitores no Brasil. Sua trilogia sobre a presença da família real portuguesa no Brasil (e seus desdobramentos) — 1808, 1822 e 1889 — popularizaram a História do Brasil. No segundo volume, 1822, ele compara diferentes relatos sobre o dia 7 de Setembro, fato que redefiniu os rumos do nosso país. Mais do que desmistificar o grito da independência às margens do Ipiranga, o escritor analisa como D. Pedro conseguiu, apesar de todas as dificuldades, fazer do Brasil uma nação de proporções monumentais. Neste livro, fatos históricos ganham a empatia do leitor por conta da prosa jornalística do autor, que explica de forma ágil alguns dos lances mais dramáticos e complicados de nossa trajetória como nação.

1822
Laurentino Gomes
Globo livros
376 págs.

Era no tempo do rei
Ruy Castro

Ruy Castro elevou o sarrafo dos livros biográficos no Brasil. Suas biografias — de Garrincha, Nelson Rodrigues e da Bossa Nova — são considerados modelos no gênero. Neste primeiro romance do autor mineiro, ele mistura sua incrível capacidade para pesquisa com uma invejável imaginação literária. O livro se passa no Rio de Janeiro em 1810, dois anos depois da chegada da Família Real portuguesa. E os personagens principais são o príncipe D. Pedro e seu amigo Leonardo, um menino de rua, ambos com 12 anos. Os dois garotos endiabrados tomam a cidade de assalto, envolvendo-se nas mais empolgantes cabriolas. O pano de fundo é a luta pelo poder no Brasil, em Portugal e nas colônias espanholas no Prata.

Era no tempo do rei
Ruy Castro
Alfaguara
248 págs.

D. Pedro I
Isabel Lustosa

D. Pedro I é um dos personagens mais conhecidos da história brasileira por ser o autor do grito “independência ou morte”, que teria decretado o rompimento do estado colonial em que o país até então se encontrava. Uma das historiadoras mais brilhantes do país, Isabel Lustosa apresenta um perfil fascinante do primeiro imperador do Brasil, em que é retratado em uma grande analogia a Macunaíma, o herói sem nenhum caráter imortalizado pelo modernista Mário de Andrade. Visto como uma pessoa de educação duvidosa, corrupta e de personalidade instável, o nobre português tem sua vida pessoal e seu papel histórico analisados cuidadosamente, tanto com relação a Portugal quanto à ex-colônia sul-americana.

D. Pedro I
Isabel Lustosa
Companhia das Letras
368 págs.

A construção da ordem e Teatro de sombras
José Murilo de Carvalho

Publicados em edição única, esses dois trabalhos de José Murilo de Carvalho hoje são considerados clássicos da historiografia brasileira. Eles foram apresentados pelo autor como tese de doutorado na Universidade de Stanford, em dezembro de 1974, e publicados de forma autônoma em 1980 e 1988. Nas obras Carvalho realiza análises críticas sobre as elites políticas brasileiras no século 19, trazendo um novo olhar para a interpretação do período imperial que se seguiu à Independência proclamada em 1822. Um livro denso, para quem deseja se aprofundar nas origens das várias dificuldades que hoje, 200 anos depois, ainda enfrentamos.

A construção da ordem e Teatro de sombras
José Murilo de Carvalho
Civilização Brasileira
460 págs.

D. Pedro, a história não contada
Paulo Rezzutti

Quem foi D. Pedro I, o primeiro imperador do Brasil? É essa pergunta aparentemente simples que Paulo Rezzutti se propõe a responder em D. Pedro, a história não contada. Rezzutti recorreu a uma ampla gama de fontes primárias e documentos originais que revelam uma miríade de facetas desconhecidas de D. Pedro, e que lhe deram acesso à história não contada do nosso primeiro monarca. Um retrato sobre a intensidade da breve vida do personagem, com suas muitas amantes, filhos ilegítimos e um fama de turrão. Um homem repleto de defeitos morais e contradições políticas, mas que esteve ligado a grandes passagens da história do liberalismo mundial.

D. Pedro, a história não contada
Paulo Rezzutti
Leya
452 págs.