Livros contam a vida de Charlie Watts com os Rolling Stones

A morte do baterista Charlie Watts, na última terça-feira (24), aos 80 anos, colocou um ponto final em uma das trajetórias mais brilhantes de um músico de rock. O inglês estava nos Rolling Stones desde 1963, quando Mick Jagger, Keith Richards e Brian Jones, fundadores da banda, o convidaram para assumir as baquetas. Foram quase 60 anos gravando e excursionado com a maior banda de rock do mundo.

Avesso ao estilo de vida espalhafatoso dos companheiros, Charlie era o mais tranquilo dos Stones, e nutria um amor genuíno pelo jazz, uma paixão ainda mais antiga que o rock em sua vida. Ainda assim, o baterista esteve em todos os momentos — bons e maus — da banda que em 2022 completa seis décadas de existência.

Charlie, ao contrário de seus companheiros de banda, nunca escreveu uma autobiografia. Mas sua história se confunde com a trajetória do grupo, que foi objeto de inúmeros trabalhos.

Listamos aqui alguns livros que contam a história dos Stones e, consequentemente, a de Charlie Watts, um dos bateristas mais incríveis do rock.

A banda Rolling Stones foi formada em Londres, na Inglaterra, em 1962.

Uma temporada no inferno com os Rolling Stones
Robert Greenfield

Os Rolling Stones gravaram seus principais discos em mais ou menos uma década, entre 1968 e 1978. Uma das pérolas do período é o disco Exile on Main St, de 1972 . O disco foi gravado em meio a turbulências na banda, como disputas judiciais e problemas com drogas. Então, no início da década 70, os Rolling Stones se exilaram no sul da França para gravar Exile. Os integrantes tinham uma tarefa simples: compor e gravar. O período foi marcado por promiscuidades sexuais e muitas drogas. Ex-editor da revista Rolling Stone, Robert Greenfield descreve como foi a gravação do disco em um livro que é considerado essencial para quem quer entender a história dos Stones.

Uma temporada no inferno com os Rolling Stones
Robert Greenfield
Trad.: Diego Alfaro
Zahar
244 págs.

Vida
Keith Richards

O guitarrista Keith Richards certamente foi — e é — o integrante mais rock’n’roll dos Stones. Em sua aclamada biografia, publicada em 2010, ele expõe de forma crua sua alma e a dos companheiros de banda, incluindo o pacato Charlie Watts. Ele relembra a infância passada no pós-Segunda Guerra Mundial, com Londres praticamente em escombros. Depois, já adolescente, surge a paixão pelo blues, que o levaria a formar uma banda para homenagear seus ídolos. Keith conta em detalhes a vida em um bairro pobre ouvindo, de maneira fascinada, discos de Chuck Berry e Muddy Waters, até o encontro com Mick Jagger e a formação dos Stones. Mas estão lá também os períodos de baixa na carreira e os problemas seríssimos que teve por conta do vício em drogas, que o levou a ser preso várias vezes.

Vida
Keith Richards
Trad.: M.L.Fernandes, R.Rezende e S.Mourão
Globo Livros
672 págs.

O começo
Bent Rej

Neste livro, o fotógrafo dinamarquês Bent Rej conta o início dos Rolling Stones por meio de um rico arsenal de fotos. Nascidos como uma antítese dos Beatles — com quem rivalizaram durante anos —, os Stones são captados como os rebeldes que eram, considerados repulsivos e obscenos pela recatada sociedade inglesa do começo dos anos 1960. As imagens extraordinárias de Rej captam esse momento crítico no palco, nos bastidores, na vida pessoal e publicamente. São mais de 300 fotos dos Rolling Stones em meados da década de 1960, período em que estavam começando a alcançar o estrelato. Os retratos foram feitos de março de 1965 a maio de 1966, quando o fotógrafo teve acesso privilegiado à banda e ao círculo de amigos dos membros do conjunto.

O começo
Bent Rej
Lafonte
320 págs.

Mick Jagger
Philip Norman

Se Keith Richards é o Stone mais rock’n’roll, Mick Jagger foi quem sempre brilhou mais à frente do grupo. E, como personagem, é extremamente cativante e interessante. Certa vez chegou a dizer que os lances de sua vida eram impublicáveis. Philip Norman, que já escreveu livros sobre John Lennon e Paul McCartney, tenta provar o contrário neste livro que não teve o aval de Jagger. Ele é retratado como um personagem pop que entrou de cabeça na tríade sexo, drogas e rock’n’roll. Norman refaz os passos da consagração do astro e mostra como ele se tornou um showman sedutor, o protótipo do popstar, escandaloso e milionário. A partir de uma pesquisa detalhada e numerosas entrevistas, Norman reúne diversas informações sobre o início da carreira do grupo e acompanha cronologicamente a evolução da banda.

Mick Jagger
Philip Norman
Trad.: Claudio Carina
Companhia das Letras
711 págs.

Rolling Stones — A biografia definitiva
Christopher Sandford

Um dos maiores atrativos do livro escrito pelo jornalista inglês Christopher Sandford  — que traz um título um pouco exagerado — são as entrevistas que ele conseguiu com pessoas próximas aos Stones, como os pais de Mick Jagger, além de outros parentes e amigos dos integrantes da banda. Sua investigação jornalística inclui, ainda, a checagem das fichas dos músicos no FBI. Em mais de 800 páginas, Sandford vasculha a vida de todos que passaram pelos Stones em mais de meio século de banda. Um retrato bastante completo feito por um historiador do rock que já escreveu livros sobre personalidades como Kurt Cobain e David Bowie.

Rolling Stones — A biografia definitiva
Christopher Sandford
Trad.: Catharina Pinheiro
Record
827 págs.