Livro mostra como a pandemia afetou a empatia entre as pessoas

Além dos milhares de mortos, no Brasil e no mundo, a pandemia do novo coronavírus também deixou marcas que não podemos ver, mas que são sentidas por todos no dia a dia.

Uma das consequências deste momento difícil, a falta — ou perda — de empatia nas relações humanas, é o ponto de partida do escritor Alexandre Gossn em Chapados de cloroquina — A morte da empatia, que a editora Autografia acaba de publicar. No livro, Gossn faz uma reflexão sobre a pandemia que estamos vivendo, analisando os principais fatos dos últimos meses.

Entre outras questões, o autor levanta as possíveis causas de uma segunda epidemia em nossa sociedade: o narcisismo e a falta de empatia com os semelhantes. Invocando o estudo feito nos anos 1940 pelo filósofo Karl Jaspers sobre a culpa pelo nazismo entre os cidadãos alemães, o autor questiona como as futuras gerações verão o momento atual.

“Nenhum evento, doença, revolta, insurreição ou guerra matou tantos brasileiros como a Covid-19. E o que fizemos? Chapamos”, diz Gossn, em referência ao título de sua obra. “Chapamos nas festas clandestinas, nas aglomerações evitáveis e nas abominações que cometemos. Chapamos nossos celulares e redes sociais de ódio, fake news, egoísmo e futilidades.”

Alexandre Gossn, autor de Chapados de cloroquina — A morte da empatia.

Concepção

A ideia do livro surgiu no final de 2020, quando Gossn começou a refletir partir do impacto das notícias sobre grandes aglomerações e festas — além de protestos contra o uso de máscaras e críticas infundadas em relação às vacinas.

“Esta é uma obra que foi escrita em meio ao fogo cruzado da pandemia, como um testemunho do dia a dia e sob fortes impressões vividas pessoalmente. Não tentei ser artificialmente racional, mas também tentei não sucumbir cem por cento às emoções de quem atravessa uma pandemia”, diz Gossn, que juntamente com suas reflexões, traz ao leitor dados relevantes sobre a crise sanitária.

Gossn, que é advogado e mestre em Direito Ambiental, considera que este livro é uma sequência de sua obra anterior, Fascismo pandêmico, lançada no ano passado, que traça um paralelo entre o surgimento do fascismo, nos anos 1920, logo depois da pandemia mundial do século passado (a gripe espanhola), e o período atual, com a Covid-19.

O livro figurou entre os mais vendidos da Amazon em sua categoria por várias semanas e o bom desempenho fez com que o autor lançasse o livro no mercado internacional, com versões em espanhol e inglês. Gossn ainda é autor de outros dois livros: Cidadelas & muros: como o ser humano se tornou um animal urbano e Liberdade, metamoralidade & progressofobia.

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Chapados de cloroquina – A morte da empatia
Alexandre Gossn
Autografia
306 págs.