Livro-jogo propõe novas maneiras de “esticar” a leitura

A pedagoga e jornalista Carolina Sanches é uma entusiasta da interação entre literatura e outros tipos de linguagem. É isso que ela propõe em seu mais recente trabalho, um livro-jogo em que coloca heróis e monstros da mitologia grega “de cabeça para baixo”.

Vira monstro, vira herói acaba de ser publicado pela Estrela Cultural, selo literário da empresa que lançou brinquedos que marcaram a infância de gerações de brasileiros, principalmente nos anos 1980.

O nome do livro de Carolina Sanches, que é assinado em conjunto com o arte-educador Ricardo Leite e com a ilustradora Mariana Massarani, traz o mesmo nome de um desses jogos clássicos da Estrela, em que era possível misturar monstros e heróis em um mesmo desenho.

No livro, porém, a autora recorre ao universo da mitologia grega, das batalhas entre Perseu e Medusa, Atalanta e o Javali, Hércules e Hidra, em que o leitor conhece as versões das histórias com a ajuda de outro jogo que marcou época, o “Tapa Certo” — aquele em que era possível “estapear” o outro jogador com uma mãozinha de plástico.

Carolina Sanches, autora de Vira monstro, vira herói.

Leituras elásticas

Vira monstro, vira herói faz parte de um conceito pedagógico-literário criado por Carolina chamado “leituras elásticas”. “Isso nada mais é do que o conteúdo expandido, que leve a criança, a partir da leitura, para outros caminhos que ampliem o conhecimento”, explica a autora.

Como exemplo, ela cita seu livro anterior, Vai, lobo!, em que imagina os mitos gregos de celular na mão conversando por WhatsApp. Tem grupos de Heróis, outros só para deuses do Olimpo. Dionísio criou um pra galera festeira e até os Monstros se conectaram e se uniram. É, portanto, uma espécie de miscelânea cultural, em que as histórias clássicas ganham novos contornos a partir de inovações tecnológicas cada vez mais presentes em nosso dia a dia.

“Neste livro, é a maior algazarra, no Zap do Olimpo rolam muitas tretas, então é um jeito mais leve de passar conteúdos, construir conhecimentos. E, particularmente, gosto muito de trabalhar com clássicos da literatura”, diz a autora, que prepara um novo livro, agora envolvendo o clássico Alice no país das maravilhas, do inglês Lewis Carroll.  

Miolo de Vira monstro, vira herói.

Futuro

Especialista em Mídia e Educação, Carolina costuma dar cursos de formação para professores. Ela também já produziu conteúdos de materiais educativos para órgãos como a Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro, FIRJAN, Fundação Itaú, Instituto Natura, Cultura Inglesa e o Canal Gloob,

Junto com a editora Martha Ribas e a pedagoga Rona Hanning, Carolina fundou a Lerconecta, uma agência de conhecimento que une Cultura, Educação e Entretenimento. O objetivo é “a produção de conteúdo transformador, entretenimento inteligente, estratégias educacionais, design de experiência e formação continuada”.

Acostumada a pensar estratégias que despertem o interesse de crianças e jovens pela literatura, Carolina acha que ainda há um certo conservadorismo em relação à literatura infantil. “Acho que o caminho é misturar, tem que ter o remix, tradicional com o contemporâneo, jogos narrativos, etc.”

Segundo ela, apesar do avanço tecnológicos das últimas décadas, ainda não houve uma verdadeira revolução na leitura com a chegada das novas plataformas de leitura, que vieram a reboque da internet.

“Inovação não é apenas tecnologia. Ainda não chegamos a algo realmente novo, tivemos apenas uma transposição do livro físico para o digital. Mas sou bastante otimista em relação futuro. Acho que vamos ter novas formas de leitura, não lineares, com uma interação muito maior.”

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Vira monstro, vira herói
Carolina Sanches
Estrela Cultura
14 págs.

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