Liberdade de criação e expressão multiplataformas

A conexão de narrativas por diversas mídias e a liberdade de criação e de ser quem se é foram os temas abordados na mesa “Em todas as mídias”, que encantou os muitos fãs presentes, que disputavam os melhores lugares da Estação Plural.

Thalita Rebouças e Paula Pimenta, autoras consagradas do universo pop juvenil com obras adaptadas para as mais variadas telas, e Vitor Kley, músico de sucesso e autor estreante do livro infantil “A turma do menino Sol”, conversaram sobre suas experiências contando histórias nesses diferentes formatos. A mediação foi da autora e roteirista Letícia Pires. 

Para quem é criativo, é difícil se limitar em espaços pré-determinados, em “caixinhas”, e se sentir engessado. O deslizar por diferentes espaços ou plataformas de mídia é uma realidade para esses três autores. Com 21 anos de carreira, Thalita se define como uma “exibida”. 

“Eu faço letra de música, faço rima, atuo e penso que cada vez mais não podemos nos limitar”, conta ela. 

Para a alegria dos fãs, Thalita falou sobre o lançamento da trajetória do querido personagem Zeca, em “Confissões de Um Garoto Inteligente, Purpurinado e Intimamente Discriminado”, o quarto livro da tetralogia Confissões. Mas a autora realmente não para: além de ser apresentadora no The Voice Kids, estreou em setembro na Netflix “Confissões de uma garota excluída”. O longa é uma adaptação do livro “Confissões de uma garota excluída, mal amada e (um pouco) dramática”.

Já o longa “Pai em dobro” fez o caminho inverso da maioria das obras: a autora escreveu o roteiro do filme e depois escreveu o livro, lançado pela Editora Rocco. Agora em dezembro, estreia “Lulli” na Netflix, que conta a história de uma estudante genial de medicina que, depois de um acidente, se torna incapaz de escutar as pessoas, mas passa a ouvir o que elas estão pensando. 

Para autora mineira Paula Pimenta, ninguém deve se forçar a se enquadrar em nenhuma ‘caixinha’, muito menos para agradar alguém. Ela deixou a publicidade há 20 anos para se tornar escritora. Atualmente, Paula tem mais de mais de 20 títulos, possui mais de dois milhões de exemplares vendidos e teve suas obras publicadas em países como Espanha, Itália, Portugal e toda a América Latina. Agora, ela começa a se aventurar em roteiros de filmes. Todo novo formato é também uma estreia, que pode causar nervosismo mesmo aos mais experientes artistas. Sobre isso, Paula descreve sua experiência. 

“Lancei 21 livros e com cada um eu senti o mesmo nervosismo. O frio na barriga é o que nos faz sentir vivos!”, acredita.
Sobre seu processo criativo, Paula disse que inventa histórias para contar para sua filha Mabel. As que fazem mais sucesso com a filha, aquelas que ela pede para repetir, ela está catalogando para um dia escrever para o público infantil.

Vitor Kley já tem uma carreira consolidada como cantor, mas é um estreante na literatura. Sua inspiração surgiu do contato carinhoso do público infantil com as suas obras musicais. Certa vez, no aeroporto, um menino apontou para ele e o chamou de Menino Sol. Algum tempo depois, nasceu a filha do seu produtor musical, Rick Bonadio. Ali, a semente do projeto começava a germinar:

“O nascimento da Eva durante a pandemia foi a nossa inspiração e fez com que decidíssemos realizar esse projeto para o público infantil. A cada momento que ela vivenciava, eu escrevia uma letra de canção, tinha uma ideia. Desde a hora de fazer a refeição, de como ela lidava com o alimento, até nas brincadeiras. Cada personagem da turma foi nascendo das nossas experiências de vida: como o menino João Parafina, inspirado na minha infância no litoral, a menina Lua, inspirada na Carol, minha namorada. O menino Sol foi um raio de sol que caiu na terra e se tornou amigo dessa turma”, disse animado.

Para os jovens que amam escrever, os escritores têm um recado. Tanto Vítor quanto Paula tinham o hábito de escrever um diário. Enquanto Vítor pensa transformar suas memórias em livro ou filme, o diário de Paula se tornou o livro “Fazendo meu filme”, adaptado para o cinema em 2021.  

“Escrevam, escrevam todos os dias. Eu deixei meu emprego e minha família me achou uma louca por querer viver da minha arte, daquilo que eu sei fazer. Hoje estou aqui com vocês. Não desistam dos seus sonhos! Prometem?”, provocou Thalita.