Jane Austen: uma eterna best-seller

Jane Austen nunca se casou. Talvez por esse motivo, seus romances sejam protagonizados por heroínas espirituosas, atraentes e geralmente empobrecidas, recompensadas com casamentos felizes e bem-sucedidos apesar do rosário de dificuldades a que são submetidas nas histórias.

É assim em Mansfield Park, livro que ganha uma nova edição da editora José Olympio, com um atrativo a mais: a tradução é assinada por Rachel de Queiroz, a autora cearense que escreveu o clássico romance O quinze, de 1930.

O começo do livro não deixa dúvidas sobre como Austen vai compor a história: “Há cerca de trinta anos, a Srta. Maria Ward, de Huntingdon, com o minguado dote de sete mil libras, teve a felicidade de cair nas graças de Sir Thomas Bertram, senhor do solar de Mansfield Park, em Northampton, e dessa forma erguer-se à posição de dama nobre, com todos os confortos e privilégios de uma bela casa e enorme renda”.

Na história, Fanny Price, a protagonista, é uma jovem tímida e insegura que sai da casa dos pais pobres para morar com os tios, com melhores condições financeiras. Ela logo se aproxima de seu primo Edmund, que se torna seu melhor amigo, mas também enfrenta percalços, recebendo tratamento diferente do restante da família.

A chegada da família Crawford à propriedade vizinha altera a rotina da casa, e Edmund se apaixona pela Srta. Crawford, enquanto o irmão dela demonstra interesse por Fanny, que não é  correspondido. Fanny, inicialmente, é uma moça doce e que se submete às vontades dos outros sem protestar, mas, com o desenrolar da trama, se mostra uma pessoa profunda e complexa, que consegue se impor e demonstrar seus desejos, inclusive reagindo a um casamento almejado por todas as demais mulheres de seu convívio.

Terceiro romance de Jane Austen, Mansfield Park apresenta um painel interessante das relações sociais e o conflito decorrente do encontro entre diferentes classes, além de colocar em xeque o poder de decisão das mulheres na sociedade.

Cena da adaptação de Orgulho e preconceito.

Jane Austen no cinema

A obra da escritora inglesa já foi parar toda ela nas telas, seja na televisão ou no cinema. Há várias opções para curtir adaptações da literatura de Austen.

  • Persuasão: Uma das versões mais aclamadas é a de 2007, dirigida por Adrian Shergold. Mas a Netflix prometeu para 2022 um novo remake, com Dakota Johnson.
  • Orgulho e preconceito: A obra de maior sucesso de Jane Austen ganhou muitas adaptações no cinema. A de 2005 é de Joe Wright e foi indicada em quatro categorias do Oscar.
  • Razão e sensibilidade: Com Emma Thompson e Kate Winslet, o filme de 1996, dirigido por Ang Lee, é um dos pontos altos entre as adaptações para o cinema da obra de Austen.

Obra

Mansfield Park é considerado um exemplo do “amadurecimento” da escrita da autora inglesa, apesar de seus dois primeiros romances, Razão e sensibilidade, de 1811, e Orgulho e preconceito, de 1813, serem bem mais populares entre os leitores.

Ao todo, Austen escreveu seis romances: além dos primeiros já citados, Mansfield Park (1814), Emma (1816), A abadia de Northanger e Persuasão os dois últimos publicados postumamente, em 1818.

O pouco que se sabe sobre a vida de Jane Austen teve um efeito desproporcional na forma com que os leitores passaram a ler seus romances. Integrante de uma numerosa família comandada pelo sacerdote George Austen, dirigente da paróquia local, ela cursou a maior parte de seus estudos em casa e nunca se afastou da família. Então parece sempre tentador fazer uma conexão entre a vida e a obra da autora. Mas há muito mais do que isso em seus romances.

Estruturados pelas convenções do enredo que acompanham a corte entre dois personagens, os livros de Austen revelam um dom extraordinário para a sátira e para comentários sociais penetrantes. “Sempre que leio Orgulho e preconceito quero tirá-la da cova e bater seu crânio com a própria mandíbula”, foi o comentário que o grande Mark Twain fez a respeito da principal obra de Austen.

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Mansfield Park
Jane Austen
Rachel de Queiroz
José Olympio
518 págs.