Heather Morris volta ao Holocausto em novo livro

A Segunda Guerra Mundial, por uma série de fatores — econômicos, sociais, tecnológicos, etc. — talvez seja o conflito que tenha ganhado mais atenção no universo das artes — de filmes às artes plásticas, passando, claro, pela literatura. E o Holocausto judeu, o evento mais catastrófico daquela guerra, é um capítulo à parte que gerou grandes e emocionantes obras.

A autora neozelandesa Heather Morris tem dado sua contribuição à História por meio de romances que retratam as atrocidades nazistas contra judeus. Seu mais recente livro, lançado no Brasil pela Planeta, traz a emocionante história de irmãs unidas pelo drama da guerra.

Três irmãs é inspirado na história real de Cibi, Magda e Livia, que sobreviveram juntas aos horrores em Auschwitz. A autora mergulhou no enredo e realizou pesquisas e entrevistas, incluindo conversas com duas das irmãs, que estão vivas em Israel e ajudaram a reconstruir essa jornada de memória juntamente com Morris.

As irmãs sobreviventes relataram à autora detalhes da intensa experiência que viveram. Com Três irmãs, Morris dá continuidade a mais uma narrativa que mistura ficção e resgate histórico, como fez com os best-sellers O tatuador de Auschwitz e A viagem de Cilka. Juntos, os dois livros venderam mais de 8 milhões de exemplares pelo mundo.

As irmãs

O livro é contado em forma de diário, com a data dos acontecimentos dando início aos capítulos. Logo no início, há uma espécie de prólogo, que se passa no final dos anos 1920, muito antes, portanto, do começo da Segunda Guerra. Estamos na Eslováquia.

É quando o pai das três irmãs, Menachem Meller, um ex-combatente que levou um tiro na Primeira Guerra Mundial, faz um pedido às filhas.

“Quero que façam uma promessa a mim e uma à outra de que sempre cuidarão de suas irmãs. Que vocês sempre estarão lá uma para a outra, não importa o que aconteça. Que não permitirão que nada as afaste uma da outra. Vocês estão entendendo?”, diz.

Esse início serve não apenas para demonstrar a união e os fortes laços que uniam a família, mas vai servir também como ponto de partida e espinha dorsal da história construída por Morris.   

Anos depois, as três meninas vão ter que colocar à prova a promessa que fizeram ao pai. Com apenas 15 anos, Livia é enviada a Auschwitz pelos nazistas. Cibi, de 19 anos, decide cumprir a promessa e vai com Livia, determinada a proteger a irmã ou a morrer com ela. Magda, com 17 anos, escapa da captura por um tempo, mas eventualmente também é transportada para o terrível campo de extermínio.

Reunidas, as três irmãs decidem fazer mais uma promessa: a de sobreviver. Sua luta pela vida as levará do inferno de Auschwitz-Birkenau a uma marcha da morte pela Europa devastada pela guerra e eventualmente para casa, na Eslováquia, agora sob as mãos fortes e repressoras de um governo comunista.

Determinadas a começar de novo, elas embarcam então em uma viagem de redenção, em busca de uma nova vida na recém-criada pátria dos judeus: Israel.

Heather Morris e Auschwitz

Com uma grande habilidade narrativa, Heather Morris emociona o leitor ao descrever as privações e  as dores sentidas pelas irmãs no inferno chamado Auschwitz.   

“As irmãs entram no segundo ano de cativeiro, e Livi está claramente deprimida. Quase todas as manhãs, Cibi precisa arrastá-la para fora da cama, para participar da contagem. Ela se recusa a comer, então Cibi tem que empurrar a comida em sua boca, ou guardá-la para mais tarde. Cibi a repreende com frequência, e isso só faz Livi se retrair ainda mais.”

Com seus livros sobre histórias de sobrevivência, Heather Morris se tornou autora best-seller do The New York Times. Em 2003, enquanto trabalhava em um grande hospital de Melbourne, na Austrália, ela conheceu um senhor que “talvez tivesse uma história para contar”.

Esse senhor era Lale Sokolov, o tatuador de Auschwitz. E a história que ele contou a Morris tornou-se mundialmente famosa, assim como a autora neozelandesa.

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Três irmãs
Heather Morris
Trad.: Petê Rissatti
Planeta 362 págs.