Gilberto Braga: muito além das novelas

Gilberto Braga, autor de telenovelas e minisséries, foi um grande contador de histórias. E a Bienal fez uma linda homenagem, reunindo grandes nomes como as atrizes Fernanda Montenegro e Glória Pires, além dos autores de telenovela Silvio de Abreu e Ricardo Linhares, e o repórter, crítico e autor Maurício Stycer, que se dedicou à biografia de Gilberto Braga.

Com mediação da escritora Bia Corrêa Lago, o bate papo trouxe as diversas adaptações literárias e novelas originais de Gilberto Braga, seus grandes temas, os personagens inesquecíveis e um universo que tocou muita gente ao longo de tantos anos.

Aclamado pela crítica e pelo público, foi responsável por sucessos históricos como “Dancin’ Days” (1978), “Vale Tudo” (1988) e “Celebridade” (2003). Sua telenovela de 2007, Paraíso Tropical, foi indicada em 2008 ao Emmy na categoria de melhor novela. Sus histórias tinham uma assinatura que o público adorava: um assassinato misterioso, revelado nos capítulos finais. Braga morreu em outubro passado, aos 75 anos, após complicações de uma infecção sistêmica.

Muito emocionada, Fernanda Montenegro, que participou on-line, deu o seu depoimento sobre o amigo Gilberto Braga.

“Gilberto foi um homem formado por um alto conhecimento de dramaturgia. A estrutura dele veio da melhor literatura dramática”, disse ela.

Presente em quatro novelas de autoria dele, Fernanda falou da grandiosidade do autor: “Gilberto era o grande revolucionário das temáticas das novelas. Ele tinha uma grande cultura raciocinada e não menos emotiva. Jamais deixou de lutar pelo processo existencial. Tem sempre nele uma humanização. Abriu caminhos para a aceitação do ser humano”.

Para a atriz Glória Pires, que atuou em nove novelas de Gilberto Braga, o dramaturgo teve papel fundamental na vida artística dela.

“Eu comecei com o Gilberto, eu tinha 14 anos, foi em Dancin’ Days (1978), um momento muito importante na minha carreira. Gilberto tinha um interesse pessoal por cada personagem. Era fácil eu ver a personagem que ia fazer, porque ele se envolvia em cada detalhe, estando o tempo todo presente comigo e na minha movimentação. Ele cuidava dessa estrutura toda que carregava uma novela. Estava sempre muito próximo do resultado final que a gente via”, contou.

Para ela, sua personagem mais marcante foi Maria de Fátima, em Vale tudo (1988), exibida pela TV Globo. “Ele tinha essa qualidade de trazer os personagens com muita humanidade, mostrando todos os lados, tendo sempre uma crítica social, com humor”.

Ricardo Linhares, que teve Gilberto como mentor e ídolo, acredita que ele foi o Balzac brasileiro.

“Se você estava aberto a aprender, Gilberto queria te ensinar tudo. Ele era um mestre extraordinário e generoso. Sempre tivemos uma troca muito grande, ele sempre me respeitou, por isso fizemos vários trabalhos juntos. Eu aprendi com o Gilberto as bases do melodrama. Ele construiu um marco na sociedade. Tinha uma visão ampla que poucas pessoas têm. O Gilberto é o responsável pela novela contemporânea brasileira. Ele era um profissional completo”.

Silvio de Abreu, por sua vez, também reforçou a importância de Gilberto Braga como autor de novelas.

“Ele criou seu próprio estilo dentro da novela. Na minha opinião, ele foi o melhor autor de telenovela que já tivemos. Braga tem um trabalho que está vivo, porque era contemporâneo, moderno. Ele era de um mundo de fantasia muito grande e sempre quis colocar isso no papel”.

Sobre a biografia de Gilberto Braga, Maurício Stycer disse que o público pode esperar grandes emoções.

“Eu recebi uma ligação de Gilberto Braga me convidando para escrever sua biografia. Foi uma honra. Vai ser uma grande apresentação para quem quer conhecer o Gilberto e seu trabalho, ajudando a entender o processo criativo dele, como de fato ele se tornou o maior autor de novelas que esse país já teve. Gilberto falou com o seu tempo, vivia o tempo presente”, concluiu.