Geraldo Carneiro, Antonio Cicero e Zuenir Ventura participam da mesa “Acadêmicos Pós-Pandêmicos”, ressignificando o processo de escrita

A XX edição da Bienal Internacional do Livro contou com ilustres convidados e imortais para discutir como devemos olhar esse mundo de hoje, fazendo uma reflexão sobre o passado e o presente como importantes elementos para a construção do futuro. 

A mesa foi mediada pela escritora Bia Correa do Lago e contou com a participação do poeta Geraldo Carneiro, da jornalista Rosiska Darcy de Oliveira, do escritor e compositor Antonio Cicero, do escritor Antônio Torres e do jornalista Zuenir Ventura, um dos autores que mais esteve presente em todas as edições da Bienal do Livro – o que rendeu a ele uma homenagem na cerimônia de abertura. 

Zuenir Ventura disse que nesses últimos tempos vem sentindo muita falta do abraço, do afeto, ressaltando que foi um período muito sofrido. Inspirador como sempre, aposta na esperança como a história que devemos contar a partir de agora. ” Com relação ao futuro, eu estou esperançoso. A gente vive pensando que vai melhorar, na esperança de dias melhores, e olha que eu tenho 90 anos”.

A jornalista Rosiska Darcy de Oliveira considera que vivemos um ato de resistência contra o obscurantismo. “Estamos vivendo uma época de trevas, mas consequentemente temos uma esperança ativa. Durante a pandemia, fomos desafiados com a nossa capacidade de resistência e de esperança”.

Para ela, nossas novas histórias devem ser contadas a partir da dor que vivemos. “Cada um deve dar o seu depoimento, o mais honesto possível. Acho que de alguma maneira, enquanto isso não for exorcizado, não será curado. Todos têm algo a falar de espessura humana e que é de grande valia para a contribuição de todos nós”.

Antônio Torres disse que, por conta da pandemia, teve a chance de reescrever seu livro com um novo olhar. “Quando recebi o livro, fui ler, me empolguei e comecei a retrabalhar nele. E se me deixassem, eu ia passar o resto da vida reescrevendo. Achei que reescrever é melhor do que escrever; ganha uma outra dimensão. E isso foi graças à pandemia”, contou ele ao público.

A programação da Bienal está sendo transmitida pelo site do festival, para que qualquer um – de onde estiver – consiga acompanhar. Sobre o que devemos contar a partir de agora, Torres vê como um desafio para reescrever nossas próprias histórias. 

O compositor Antonio Cícero relembrou que seus poemas falam sobre os cotidianos da sua vida e com a pandemia tudo mudou. “Uma palavra que escuto na rua, por exemplo, se torna um poema. O dia-a-dia é a minha inspiração, por isso durante a pandemia parei de escrever”, revelou.

Geraldo Carneiro contou que foi internado na primeira onda da pandemia. “Passei por essa experiência dramática sem me dar conta dela. Através da dor que sofri fiz um poema pandêmico. Acredito que a pandemia nos forneceu um instrumento extraordinário para que nós compreendêssemos o outro”, avaliou.

Na plateia, em meio ao bate papo, a professora Catarina Batista, de 74 anos, pediu a palavra e contou sua inspiração em Zuenir Ventura. “Reuni depoimentos dos meus familiares contando sobre a pandemia e acabamos fazendo um livro dessas histórias para os nossos netos. No prefácio eu me refiro a você, Zuenir. Obrigada pela inspiração”.