Fenômeno Sally Rooney lança terceiro romance, “Belo mundo, onde você está”

A irlandesa Sally Rooney tem hoje a vida que a maioria dos jovens escritores almeja. Com menos de 30 anos, ela lançou dois livros de alcance mundial (Conversas entre amigos e Pessoas normais), que foram agraciados com aquela dobradinha difícil de acontecer em qualquer área artística: a aclamação de público e crítica.

Depois de seus dois arrasa-quarteirões, ela volta com uma nova história. Belo mundo, onde você está teve lançamento mundial no dia 7 de setembro e chegou ao Brasil em edição da Companhia das Letras, que também publicou os livros anteriores da autora. 

O romance chegou trazendo muitas expectativas nos leitores e críticos e tem sido visto como “a prova real” de que Sally é mesmo uma escritora que veio para ficar, e não uma diletante com sorte.

Sally Rooney, autora de Belo mundo, onde você está.

Quem é Sally Rooney

  • Nasceu na Irlanda, em 1991
  • Estreou com Conversas entre amigos, lançado em 2017
  • No ano seguinte publicou Pessoas normais
  • O livro se tornou best-seller e virou série da plataforma de streaming Starzplay  
  • A escritora participou da produção
  • Sally é uma das mais bem-sucedidas autoras da geração millennial
  • Ela se declara marxista e seus romances debatem “questões de classe”
  • Os relacionamentos amorosos e seus dramas estão no centro de sua literatura
  • É editora da revista The Stinging Fly
  • É saudada pela crítica por dar nova cara a temas trabalhados por autores clássicos, como Jane Austen

Roteiro

Quem gostou dos dois primeiros livros vai encontrar atrativos parecidos em Belo mundo, onde você está. Primeiro porque os relacionamentos seguem dando as cartas na literatura da irlandesa.

Ao estilo da autora, simples sem ser simplório, a sinopse é mais ou menos essa: na abertura do livro, sem enrolação, Alice se encontra com Felix, depois de um match pelo Tinder. Ela é romancista, ele trabalha num armazém nos subúrbios de uma pequena cidade costeira da Irlanda.

No primeiro encontro, enquanto os dois tentam impressionar, a fagulha de algo mais aparece. E assim como nos outros livros a verve marxista de Sally dá as caras. De forma parecida com o que acontece em Pessoas normais, aqui há um conflito de classes permeando uma relação amorosa.

Na outra ponta do romance, em Dublin, Eileen está tentando superar o término de seu último relacionamento enquanto precisa lidar com a falta da melhor amiga, que se mudou para o litoral. Ela acaba voltando a flertar com Simon, um homem mais velho que acompanha sua vida há tempos.

Alice, Felix, Eileen e Simon ainda são jovens, mas sentem cada vez mais a pressão do passar dos anos. Eles se desejam, se iludem, se amam e se separam. Eles se preocupam com sexo, com amizade, com os rumos do planeta e com o próprio futuro.

Millennial

Por essas e outras, Sally tem sido considerada a representante máxima dos escritores da geração millennial — e, claro, a mais bem-sucedida. A própria autora dirige a revista The Stinging Fly, plataforma de lançamento dessa nova literatura, em que o “espírito do tempo”, com a presença marcadamente forte das novidades tecnológicas que pautam hoje nossas vidas e a diversidade das relações amorosas, dão o tom.  

A grosso modo, um dos atrativos da prosa de Sally é justamente esse verniz moderno que ela dá para questões quase tão antigas quanto a própria criação literária. Afinal, o que é história de Pessoas normais senão uma espécie de Romeu e Julieta com luta de classes, com a rica Marianne e o pobre Connell tendo que viver um amor às escondidas por conta da diferença social?

Linguagem

Em relação à narrativa em si, Sally opta por diálogos sem separação textual nem vírgulas ou travessões. As entradas dos personagens se integram ao texto. Certamente não é um recurso inédito, mas essas escolhas dão originalidade à sua escrita.

Mas, claro, há sempre os detratores. No jornal inglês The Guardian, o romancista Will Self, falando sobre Pessoas normais, o segundo romance de Sally, disse que o livro representa “coisas muito simples, sem ambição literária”.

Uma crítica que talvez não afete a autora, visto que seus três livros não têm nenhuma pretensão de fazer prosa experimental. São boas histórias, contadas de um jeito envolvente, com dramas atualíssimos.

Em entrevistas para o lançamento de Belo mundo, onde você está, a autora disse que tem tentado voltar ao prumo depois do sucesso arrebatador de Pessoas normais. A série acaba de ser indicada ao Emmy em quatro categorias: melhor ator (Mescal), roteiro (Rooney e Alice Birch), direção (Lenny Abrahamson) e casting (Louise Kiely). Além disso, a BBC Three e o streaming Hulu, exibidores originais da adaptação, já contrataram Sally para uma nova série, desta vez baseada em seu primeiro livro, Conversas entre amigos.

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Belo mundo, onde você está
Sally Rooney
Trad.: Débora Landsberg
Companhia das Letras
352 págs.