Fantasia e Tormenta agitam a mesa de debate com direito a pedido de casamento

Romances de Tormenta e Fantasia, que se tornaram ainda mais populares durante a pandemia entre leitores do Brasil e do mundo, movimentaram o terceiro dia do evento literário neste domingo. Através da conexão de um universo metafórico, essas narrativas oferecem uma reflexão sobre a atualidade e proporcionam escapismo.

A mesa contou com a presença dos escritores André Vianco, Leonel Caldela, Karen Soarelle e Raphael Draccon (on-line). A mediação foi do editor e autor Guilherme Dei Svaldi, que surpreendeu o público ao pedir Karen em casamento durante o evento. Os dois se conheceram em uma edição da Bienal do Livro e estão à espera de seu primeiro filho.

O mediador iniciou a mesa perguntando para todos os presentes na mesa sobre a globalização dos autores. O que essas experiências de viagem trouxeram para cada um deles.

Karen falou que a maioria das suas histórias falam sobre suas viagens de longa jornada.

“Para mim os personagens estão sempre em busca de algo melhor para eles e para o mundo. Além disso, tem a busca de um lugar para chamar de seu, onde você se sinta em casa. Estamos sempre indo atrás do que a gente sonha, do que acreditamos e de pessoas que acreditam nas mesmas coisas que nós.”

Leonel disse que sempre morou no mesmo lugar até o dia que se mudou para a Alemanha.

“Fui para uma cidadezinha na Alemanha que ninguém conhece e muitas histórias aconteceram nessa cidade. Então, decidi que iria escrever um livro falando da história dessa cidade. Obviamente da perspectiva de um estrangeiro, mas de alguém que se fascinou por isso. Vão sair agora dois romances históricos de terror com personagens vivendo momentos importantes, marcantes da história dessa cidade. Todo mundo já passou por algo dessa cidadezinha. São livros totalmente autobiográficos. É a minha experiência de chegar lá de paraquedas. Essa experiência mudou muito a minha perspectiva sobre a literatura. Estou interessado, hoje em dia, em retratar, mesmo em um universo fantástico, acontecimentos reais.”

André Vianco disse que vê algo muito interessante na globalização, tanto de autores, como na produção de conteúdo.

“Você ter a oportunidade de pegar produtos de streaming e mostrar como é o brasileiro, esse choque cultural é a coisa mais valiosa. Você pode contar nos seus livros o que é ser brasileiro, ser latino, o que é ser mulher aqui no Brasil, e o mundo entender a gente, isso é maravilhoso.”

Já Raphael Dracoon ressaltou que viver experiências em outros países abre a sua mente como escritor.

“Está em cenários que você acha fantástico e retratar para a sua escrita da fantasia é fantástico. Os gringos acabam aprendendo mais sobre o Brasil. É uma forma que temos de levar a nossa cultura através da mitologia.”

Dracoon acrescentou ainda que a Bienal do Livro Rio mudou a sua carreira para o mundo.

“Esse evento mudou a minha história. Mudou a perspectiva da minha escrita.”

Aos quatro participantes da mesa, Guilherme perguntou como a pandemia contribuiu na inspiração para continuar escrevendo. Todos foram inânimes em dizer que, para eles, a inspiração não pode parar. Pegar histórias e transformá-las em analogias e metáforas de uma forma fantástica é o principal papel para todos eles. 

Karen acrescentou que os escritores de fantasia pegam toda a carga desses tempos difíceis, da realidade do mundo e transformam em fantasia.

“Mostramos essas histórias de uma outra forma, de um outro ângulo. A fantasia nos permite mostrar com uma outra interpretação”.

Todas as mesas de debate estão sendo transmitidas on-line no site do evento.