Esquadrão Suicida: quando os vilões roubam a cena

Muita violência, humor e alguma réstia de humanidade se combinam quando um grupo de supervilões é reunido pelo governo norte-americano para executar missões de altíssimo risco — se um pessoal tão perturbado quanto a Arlequina, o Pacificador, Rick Flag e Pistoleiro morrer, afinal, não é como se muita gente fosse ficar triste. Apesar disso, é inegável que o carisma de alguns desses personagens da DC Comics roubou a cena em Esquadrão Suicida (2016), dirigido por David Ayer, e O Esquadrão Suicida (2021), de James Gunn.

O filme mais recente, realizado com plena liberdade criativa por parte de Gunn, mostra o grupo reunido por Amanda Waller (interpretada por Viola Davis) em uma espécie de continuação do primeiro longa-metragem. “A missão é destruir todo e qualquer rastro de algo conhecido como Projeto Starfish”, informa Amanda ao improvável grupo de servidores do estado norte-americano, que terão suas penas de prisão revistas caso colaborem. A tarefa beira o impossível, claro, e envolve muito sangue, tiros, lutas corporais e efeitos gráficos que saltam aos olhos.

Vale lembrar que, por mais que tenha sido divulgado como um produto independente, o longa de Gunn se desenvolve a partir dos acontecimentos dos filmes anteriores. A Arlequina (Margot Robbie), por exemplo, já não é mais refém do relacionamento tóxico que tinha com o Coringa (Jared Leto) — a tatuagem anterior da personagem, que dizia “Propriedade do Coringa”, informa agora que ela é “Propriedade de Ninguém”.

Alguns personagens de O Esquadrão Suicida, com destaque para o Pacificador (John Cena, à direita).

Cinema e quadrinhos

  • Esquadrão Suicida, de 2016, é o primeiro filme a reunir os supervilões nas grandes telas; tem a presença do Coringa, vivido por Jared Leto
  • Aves de rapina: Arlequina e sua emancipação fantabulosa (2020) é o filme solo da personagem interpretada por Margot Robbie, que não está mais sujeita ao estranho amor abusivo que tinha com o Coringa
  • O Esquadrão Suicida, lançado neste ano, traz alguns dos personagens do longa de cinco anos atrás; certos elementos deixam claro que o roteiro se baseou em acontecimentos dos filmes anteriores
  • O número 25 da HQ The Brave and the bold, de 1959, traz a primeira formação do que viria a se tornar o Esquadrão Suicida; a história é de Robert Kanigher e Ross Andru
  • No terceiro número da HQ Lendas, de 1987, John Ostrander deu a “cara” atual do Esquadrão Suicida, formado por supervilões
Detalhe de Margot Robbie no cartaz do filme Aves de rapina: Arlequina e sua emancipação fantabulosa.

Alguns personagens

Em O Esquadrão Suicida, Arlequina (Margot Robbie) é muito boa de briga, completamente destemida e bem “fora da casinha”. A trajetória da personagem, porém, mostra ela lutando contra os impulsos mais maldosos que ora dominam suas atitudes.

A evolução dessa heroína improvável é explorada em seu filme solo, Aves de rapina: Arlequina e sua emancipação fantabulosa (2020), no qual ela se junta a outras figuras desordeiras para impedir a destruição de Gotham. É por isso, aliás, acusada pelo governo de ser uma “vigilante” — quando alguém pratica atos heroicos sem autorização do Estado —, que a Arlequina volta para a prisão. 

Outro personagem que foi bem construído e tem agradado ao exigente público da DC é o Pacificador, vivido por John Cena. Ele é responsável por algumas das cenas mais cômicas e violentas de O Esquadrão Suicida. Destaca-se sua fantasia bem caricata de super-herói, com cores chamativas e um capacete bem bobo, saído lá das HQs mais antigas, como se ele próprio não levasse tão a sério sua existência.

Coringa (Jared Leto) em cena do filme Esquadrão Suicida, de 2016.

Coringa

É impossível não falar da ausência do Coringa no filme mais recente. No primeiro longa, um dos vilões mais conhecidos do universo DC roubou a cena — para o bem e para o mal, pois a aparência meio gângster do personagem, com dentes prateados e tatuagens, não foi unanimidade entre os espectadores.

O que mais se destacou, no entanto, foi sua relação com a Arlequina. A personagem de Margot Robbie foi uma das mais festejadas e ganhou um filme próprio. A grande “sacada” foi colocar a vilã em uma espécie de desconstrução da própria personalidade, descobrindo que vivia uma relação abusiva com o Coringa e tentando, depois disso, ser ela mesma uma pessoa “melhor” — na medida do possível. 

Apesar de uns e outros lamentarem a ausência de Jared Leto, o diretor de O Esquadrão Suicida deixou claro o que aconteceu. Ao ser chamado pela Warner Bros., James Gunn ganhou total liberdade criativa para contar a trajetória dos personagens da maneira que preferisse.

Sem estar “refém” do roteiro do primeiro filme, dirigido por David Ayer, ele deu um toque todo próprio no longa-metragem. No site iMDB, a aprovação do filme tem sido boa até agora: com 187 mil votos de espectadores, ostenta a nota de 7.4/10.