Especialistas discutem o presente e o futuro do livro no Brasil

O ano que passou foi emblemático para mostrar a força do livro no Brasil. Mesmo com tantos reveses — da pandemia à crise econômica —, o livro se mostrou um item necessário ao brasileiro em tempos de crise. Isso se revelou nos números que as pesquisas do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) mostraram ao longo de 2021.

Esse momento, ao mesmo tempo desafiador e esperançoso, está refletido nos textos que compõem Livros para todos — Ensaios sobre a construção de um país de leitores, organizado por Daniel Louzada, dono da histórica livraria carioca Leonardo da Vinci.

A obra é composta por diversos textos que cobrem uma gama enorme de assuntos dentro do universo do livro. O que dá a noção da complexidade que envolve fazer e consumir livros no Brasil, com todas as históricas amarras que o país impõe a essas atividades.  

De forma simbólica, Livros para todos abre com o clássico ensaio de 1988 “O direito à literatura”, do professor e crítico Antonio Candido — uma espécie de abre alas para inspirar os outros autores.

Dividida tematicamente, a obra começa com um assunto tão antigo quanto atual: a taxação do livro no país e a nova ofensiva de um projeto do Governo Federal que promete encarecer ainda mais o preço do livro e, consequentemente, seu acesso.

Na sequência, um bloco oferece um instantâneo do livro no Brasil através de importantes pesquisas, assim como a discussão sobre o mercado editorial, abordando itens como a lei do preço fixo e o fundamental tópico dos direitos culturais.

Já o terceiro segmento reúne textos que retratam o fazer do livro por editores, livreiros, bibliotecários, escritores e leitores na pandemia ou além dela — são histórias de empreendimentos coletivos e individuais que mostram vias possíveis para negócios e políticas de acesso ao livro.

O quarto e último bloco traz cinco pequenas iluminações, com destaque para o inspirado e inspirador texto do escritor cearense Xico Sá, que revela a história de Geraldo Bilé, um farol de conhecimento para a pequena população de Santana do Cariri, no sul do Ceará, no comecinho dos anos 1970. 

A educadora Bel Santos Mayer participa de Livros para todos. Foto

Livros para todos em 10 tópicos

  • Venda de livros na internet
  • A concorrência com os gigantes do varejo
  • Livrarias de rua
  • Nova taxação dos livros
  • Livrarias na periferia
  • Livros que o brasileiro lê
  • A função das bibliotecas públicas
  • As editoras independentes
  • Leitura e política
  • Formação de leitores

Outras vozes

Além da temática variada, as vozes reunidas em Livros para todos também ajudam a encorpar ainda mais a obra. São nomes que estão ativamente participando das discussões sobre os caminhos do livro no Brasil há pelo menos uma década.

De Marcos da Veiga Pereira, ex-presidente do Snel, a editores e livreiros como Martha Ribas (Janela), Alexandre Martins Fontes (Martins Fontes) e Rejane Dias (Autêntica), a obra reúne ainda gente que batalha há décadas pelo acesso da população ao livro, como José Castilho, ex-secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL).

A editora e livreira Martha Ribas, por exemplo, traz uma questão que nos últimos anos mudou completamente o mercado interno: a venda online em detrimento das livrarias de rua, uma luta que tem se mostrado desleal.

“O que acredito e defendo é a boa convivência”, diz a proprietária da livraria Janela, no Rio de Janeiro. “Livrarias físicas são fundamentais para a indústria editorial, para bairros e cidades. Elas são pontos de destino e de convergência, mas não comportam toda a produção editorial nacional.”

No que Alexandre Martins Fontes, dono da livraria que leva seu sobrenome, complementa ao escrever sobre “a função social da livraria”. “Definitivamente, o livro não é um produto qualquer. O livro é muito mais do que um bem econômico; ele é um bem cultural. Sendo assim, a diversidade de sua produção precisa ser incentivada e protegida.”

Livros para todos apresenta um panorama rico e diversificado, que envolve os mais diferentes temas a respeito do rico universo do livro — uma atividade econômica complexa, que para além dos negócios, interfere também diretamente nos rumos de um país e sua população.

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Livros para todos — Ensaios sobre a construção de um país de leitores
Org.: Daniel Louzada
Nova Fronteira
288 págs.