Em novo livro, Míriam Leitão disseca as turbulências políticas do Brasil atual

Na coletânea A democracia na armadilha: crônicas do desgoverno, Míriam Leitão reúne textos publicados entre abril de 2016 e julho de 2021 no jornal O Globo. A experiente jornalista mineira mostra que, nesse intervalo de cinco anos, do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff à turbulência política instalada no Brasil pelo “desgoverno Bolsonaro” (nas palavras da autora), a democracia do país sofre constantes ameaças.

Alguns dos 153 textos são:

  • Divórcio político (2016)
  • A questão militar (2017)
  • Bolsonaro e o uso da religião (2017)
  • Constituição no país de Bolsonaro (2018)
  • Erros do governo na Amazônia (2019)
  • Marielle era força e promessa (2019)
  • Erro em educação custa caro demais (2019)
  • Tortuosas falas do time econômico (2020)
  • Este governo é um risco de vida (2020)
  • A democracia morre no fim deste enredo (2021)

O amplo recorte trata de assuntos variados e parece formar, como Míriam destaca, o “filme de uma época” — sobre a qual a jornalista vai falar na mesa “Jornalismo e democracia sob ataque”, em um dos encontros da Bienal do Rio 2021 (ingressos à venda), ao lado de Patrícia Campos Mello e Bruno Torturra.

Quem espera algum alívio, então, não se engane: parece que, ao mergulhar nas páginas do livro de Míriam, é preciso abandonar toda esperança. “No princípio era um governo ruim, com uma pauta obsoleta; virou um risco à saúde pública e um perigo para a democracia. Ao fim, havia se transformado em um flagelo para o país”, resume a jornalista no texto de apresentação da obra.

Míriam Leitão, autora de A democracia na armadilha: crônicas do desgoverno. Foto: Rafaela Cassiano

Conheça Míriam Leitão

  • Nasceu em Caratinga (MG), em 1953
  • É jornalista há mais de 40 anos
  • Venceu, entre outros prêmios, o Maria Moors Cabot, oferecido pela Universidade Columbia
  • O jornalista catalão Eugenio Xammar (1888-1973) é uma de suas maiores inspirações como cronista
  • Pelo livro Saga brasileira, de 2011, ganhou o Jabuti de Livro do Ano de Não Ficção
  • Foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura com o romance Tempos extremos (2014)
  • A menina de nome enfeitado (2014) e Flávia e o bolo de chocolate (2015) são dois de seus livros para o público infantil

Diagnóstico sombrio

Um dos assuntos mais recorrentes no livro A democracia na armadilha é a forma com a qual Bolsonaro lidou com a pandemia de Covid-19. O Brasil, afinal, chegou a se tornar o epicentro da doença — são mais de 610 mil mortos até agora.

“O tempo deixará ainda mais claro o que já é inegável hoje”, anota Míriam em Bolsonaro, nossas mortes são culpa sua, de abril de 2021. “Grande parte das mortes que temos sofrido no Brasil é de responsabilidade direta do presidente da República. (…) Ele tem sido incansável nas mentiras, no estímulo à exposição ao risco, na criação de conflitos políticos.”

O diagnóstico de Míriam é que, além de tudo, o presidente não trabalha sozinho para disseminar o caos. Médicos charlatões, generais, empresários, ministros, juízes, pastores e civis também têm parte na barbárie — alguns deles instalados em postos estratégicos do governo. A autora sintetiza a situação na crônica que fecha a obra, publicada recentemente, em julho de 2021:

“A democracia está sendo agredida. O agressor é o presidente da República. Ele tem ajudantes militares e civis. O maior risco é não ver o perigo, porque, como nos casos de violência contra a mulher, o fim pode ser a morte”.

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A democracia na armadilha: crônicas do desgoverno
Míriam Leitão
Intrínseca
496 págs.