Dez livros que renderam grandes filmes

Não resta dúvida de que literatura e cinema se dão bem. Na última cerimônia do Oscar, basta lembrar, o filme Nomadland — baseado em um livro homônimo de Jessica Bruder — foi o grande premiado da noite: levou as estatuetas de melhor filme, melhor direção (Chloé Zhao) e melhor atriz (Frances McDormand). Apesar de ser inspirado em um trabalho literário, não venceu na categoria roteiro adaptado.

O longa Meu pai, escrito por Christopher Hampton ao lado do diretor e autor da peça na qual o filme foi baseado, Florian Zeller, foi agraciado com a honraria de melhor roteiro adaptado. Além disso, a atuação de Anthony Hopkins no filme lhe rendeu um Oscar, aos 83 anos — e, pasmem, o homem famoso por interpretar Hannibal Lecter não estava lá para receber o prêmio.

Ainda nesse clima de Oscar, e celebrando a frutífera parceria entre essas diferentes formas de expressão, a Bienal 360º preparou uma lista com dez premiados na categoria melhor roteiro adaptado. Além de Hopkins, aparecem na seleta nomes como Brad Pitt, Scarlett Johansson, Christian Bale, Margot Robbie e Tom Hanks, entre outros figurões da sétima arte.

Meu pai (2020)
Christopher Hampton e Florian Zeller

Olivia Colman e Anthony Hopkins.

Baseado na peça de teatro Le père (2012), ainda não traduzida no Brasil, o filme que deu o Oscar 2021 de melhor atuação a Anthony Hopkins foi dirigido por Florian Zeller, autor da peça na qual o longa é baseado, e roteirizado por Zeller e Christopher Hampton. Na trama, o personagem Anthony (interpretado por Hopkins) é um octogenário que precisa lidar com crescentes confusões mentais, em um clima de estresse e paranoia. Para piorar, o homem — teimoso que só — acha que sua filha, Anne (Olivia Colman), está tentando lhe passar para trás. “Quem sou eu, exatamente?”, é a indagação que, inevitavelmente, vem à mente do protagonista ao longo dessa jornada sombria.

Le Père — La Mère — Le Fils
Florian Zeller
Folio
304 págs.

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Jojo Rabbit (2019)
Taika Waititi

Taika Waititi e Roman Griffin Davis, o Jojo.

Além de exercer a função de roteirista, Waititi dirigiu o longa e interpretou Adolf Hitler nesta história ousada. Na trama, em meio à Segunda Guerra, o garoto alemão Jojo (Roman Griffin Davis) descobre que sua mãe, interpretada por Scarlett Johansson, está escondendo uma inimiga no porão de casa — isto é, uma judia. A partir daí, em um filme repleto de humor e nonsense, o pequeno precisa contar com a ajuda de seu amigo imaginário, Hitler, para resolver a situação da melhor maneira possível. De toda confusão, a lição que parece ficar vem de uma fala de Elsa Korr (Thomasin McKenzie), a “inimiga”: “Você não é um nazi, Jojo. É um menino de 10 anos que gosta de usar um uniforme engraçado e quer fazer parte de um grupo”.

O céu que nos oprime
Christine Leunens
Trad.: Roberto Muggiati
Bertrand Brasil
252 págs.

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Infiltrado na Klan (2018)
Spike Lee, David Rabinowitz, Charlie Wachtel e Kevin Willmott

Adam Driver e John David Washington.

Dirigido pelo experiente Spike Lee, notório por seus trabalhos que misturam crítica social com doses de humor, o longa — baseado em um livro que traz fatos reais — mostra o trabalho de um policial negro de Colorado, Ron Stallworth (John David Washington), infiltrado na Ku Klux Klan. Quer dizer, como seria impossível a um negro se aproximar desse grupo que dissemina o racismo e o antissemitismo, cabe a Flip (Adam Driver), um policial branco, aliar-se a Ron e infiltrar-se na seita, participando de reuniões nas quais o que não falta é ódio. E bebida. E planos mirabolantes.

Infiltrado na Klan
Ron Stallworth
Trad.: Jacqueline Damásio Valpasso
Seoman
216 págs.

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Me chame pelo seu nome (2017)
James Ivory

Timothée Chalamet e Armie Hammer.

Dirigido pelo italiano Luca Guadagnino, o longa traz Timothée Chalamet, um dos jovens atores mais badalados do momento, no papel de Elio Perlman. Passando o verão na casa de seus pais, Elio já parecia quase confortável com a ideia de que seria apenas mais um verão preguiçoso, sem nada para fazer além de ler, tocar violão e andar de bicicleta. Com a chegada do acadêmico Oliver (Armie Hammer), que vai ajudar o pai do protagonista em uma pesquisa, as coisas mudam um bocado. A mesmice vai desaparecendo para o jovem talentoso, que fica cada vez mais cativado pelo visitante e seus modos misteriosos.

Me chame pelo seu nome
André Aciman
Trad.: Alessandra Esteche
Intrínseca
288 págs.

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A grande aposta (2015)
Adam McKay e Charles Randolph

Christian Bale interpreta Michael Burry.

“Enquanto o mundo fazia a festa, alguns gestores viram o que ninguém via: a economia mundial vai desmoronar”, assim diz Jared Vennett, interpretado por Ryan Gosling, sobre o momento do qual trata este longa dirigido por Adam McKay: a bolha imobiliária que detonou a economia dos Estados Unidos em 2008, com direito a uma breve aparição de Margot Robbie, que, tomando champanhe em uma banheira, vai tentar explicar ao público leigo os termos difíceis usados pelos poderosos de Wall Street. No elenco, ainda, aparecem nomes como Christian Bale, Brad Pitt e Steve Carell.

A jogada do século
Michael Lewis
Trad.: Adriana Ceschin Rieche
Best Business
322 págs.

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12 anos de escravidão (2013)
John Ridley

Chiwetel Ejiofor interpreta Solomon Northup.

Sob a direção de Steve McQueen, o ator inglês Chiwetel Ejiofor vive o escravo Solomon Northup — autor das memórias nas quais o filme foi baseado. No século 19, Northup é um negro livre que acaba em uma cilada, vendido como se fosse escravo. Sem poder contornar a situação, o homem precisa aguentar toda sorte de humilhação dos senhorios, um deles interpretado por Michael Fassbender, e continuar sonhando em voltar para casa. No decorrer do longa, destaque para cenas que não tentam amenizar a situação deplorável que os escravos eram submetidos — há muita violência, sangue, choro e cantorias extremamente racistas (como a feita por Tibeats, interpretado por Paul Dano).

12 anos de escravidão
Solomon Northup
Trad.: Caroline Chang
Penguin Companhia
280 págs.

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A rede social (2010)
Aaron Sorkin

Andrew Garfield e Jesse Eisenberg são Eduardo Saverin e Mark Zuckerberg, respectivamente.

O diretor David Fincher não está lidando com brigas clandestinas e amigos imaginários desta vez. No longa roteirizado por Aaron Sorkin, Jesse Eisenberg interpreta o jovem Mark Zuckerberg no caminho de se tornar o inventor do Facebook — e, por consequência, um jovem bilionário. Na trama, muita bebida, comportamentos tipicamente juvenis e algumas traições. Quando projetos tomam proporções muito grandes, afinal, é difícil não fazer alguns inimigos. Como curiosidade: não é a primeira vez que Fincher dirige um filme baseado em livro — Clube da luta (1999), inspirado no romance homônimo de Chuck Palahniuk e com Brad Pitt na pele de Tyler Durden, também é seu.

Bilionários por acaso
Ben Mezrich
Trad.: Alexandre Matias
Intrínseca
232 págs.

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Quem quer ser um milionário? (2008)
Simon Beaufoy

Dev Patel interpreta Jamal Malik.

Com direção de Danny Boyle, responsável por levar Trainspotting às telonas, o filme acompanha a participação de Jamal Malik em um jogo de perguntas com auditório, aquele do tipo espalhafatoso e cheio de suspense. As respostas às indagações, misteriosamente, parecem se encontrar nas experiências do jovem sofrido — e é assim que a trama se monta, fragmentada, mostrando amores perdidos, miséria e alguma esperança. “O que um favelado pode saber?”, é o que questiona o apresentador do programa a certo momento, perplexo pelo fato de Jamal estar prestes a ganhar 20 milhões de rúpias.

Sua resposta vale um bilhão
Vikas Swarup
Trad.: Paulo Henriques Britto
Companhia das Letras
344 págs.

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Onde os fracos não têm vez (2007)
Joel e Ethan Coen

Javier Barden interpreta Anton Chigurh.

Em um longa banhado em sangue, uma das duplas mais famosas de Hollywood se inspirou no romance — igualmente brutal — de Cormac McCarthy para dar vida ao psicopata Anton Chigurh (interpretado com maestria por Javier Barden, que levou o Oscar de melhor ator coadjuvante pelo papel). Na trama, ambientada em uma cidadezinha árida, Llewelyn Moss (Josh Brolin) se torna testemunha de um crime sinistro e encontra uma maleta cheia de dinheiro. Ninguém faz ideia a quem ela pertence, mas certamente há muita gente interessada no valor. O xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) e o assassino profissional Carson Wells (Woody Harrelson) também fazem parte da história.

Onde os velhos não têm vez
Cormac McCarthy
Trad.: Adriana Lisboa
Alfaguara
256 págs.

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Forrest Gump (1994)
Eric Roth

Tom Hanks interpreta o personagem-título.

O longa dirigido por Robert Zemeckis permitiu que Tom Hanks, no papel do personagem que dá nome à obra, entregasse uma das atuações mais memoráveis do cinema — que lhe rendeu um Oscar de melhor ator. O próprio longa, aliás, levou a estatueta de melhor filme e Zemeckis ficou com a de melhor diretor. A história, premiada com seis óscares no total, gira em torno do “idiota da cidade”, como Gump era conhecido, e sua trajetória nada ortodoxa ao longo da vida. Com uma fala bem característica e frases de impacto (“Eu não sou inteligente, mas sei o que é o amor”), o protagonista cativa com sua inocência e determinação.

Forrest Gump
Winston Groom
Trad.: Aline Storto Pereira
Aleph
392 págs.