Dez jovens autoras brasileiras que você precisa ler

A literatura brasileira produzida por mulheres vive um de seus momentos mais empolgantes. A diversidade é a principal marca de autoras em romances, contos, poesias. De Guajará-Mirim a Belém do Pará, do Rio de Janeiro a São José dos Campos, dos mais variados lugares têm surgido potentes e interessantes vozes, fundamentais para descentralizar e diversificar a ficção e a poesia feitas no país.

A pedido da Bienal 360°, as coordenadoras do clube de leitura Leia Mulheres Juliana Gomes, Michelle Henriques e Juliana Leuenroth indicam dez jovens autoras que estão transformando nossa literatura. Confira:

Aline Bei

Uma das revelações da nova literatura brasileira, a escritora paulistana nascida em 1987 despontou depois de ganhar o Prêmio Toca, criado por Marcelino Freire. Seu primeiro romance, O peso do pássaro morto, lançado em 2018, venceu o prêmio São Paulo de Literatura na categoria Melhor Romance de Autor com Menos de 40 anos. Por meio de uma prosa poética, Aline conta as agruras de uma mulher marcada por muitas perdas. Seu próximo romance, Pequena biografia do adeus, está previsto para abril pela Companhia das Letras.

Ana Paula Lisboa

Escritora e produtora cultural, nasceu no Rio de Janeiro e hoje vive em Luanda, capital da Angola, onde dirige a Aláfia e a Casa Rede, espaços de produção de arte e cultura. No Brasil, assina coluna no jornal O Globo. Seus escritos, que falam sobre a luta do povo negro, estão em coletâneas nacionais e internacionais. Em 2020, organizou a antologia Olhos de azeviche, que reúne dez escritoras negras que estão renovando a literatura brasileira.

Fabrina Martinez

Jornalista há 20 anos e autora de um livro de ficção, Fabrina nasceu em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A novela Sabendo que és minha, publicada em 2020, traz a história de uma mulher que, vivendo em uma sociedade na qual a felicidade parece uma obrigação, precisa lidar com a morte prematura da mãe.

Iris Figueiredo

Autoestima, saúde mental e família são temas do romance Céu sem estrelas (2018), lançado em 2018. Anteriormente, a autora — formada em produção editorial e pós-graduada em transmídia — já tinha passado pela prosa com as obras Confissões on-line: bastidores da minha vida virtual (2013) e Entre o real e o virtual (2015).

Julia Dantas

Com seu romance de estreia, Ruína y leveza (2015), a autora gaúcha — doutora em Escrita Criativa — chegou à final dos prêmios Açorianos e São Paulo de Literatura. É sócia-fundadora da Baubo, que oferece diversos serviços na área de editoração, e co-organizou e antologia Fake Fiction: contos sobre um Brasil onde tudo pode ser verdade (2020). Escreve para os jornais Rascunho e Zero Hora.

Julie Dorrico

Escritora e pesquisadora de literatura indígena, Julie é filha de mãe guianense e pai peruano. Nascida em Guajará-Mirim, oeste de Rondônia, publicou em 2019 Eu sou macuxi e outras histórias, que mistura contos e poemas sobre a condição indígena, abordando temas como pertencimento e ancestralidade. O livro foi vencedor do Prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

Monique Malcher

A paraense de 30 anos tem um livro de contos publicado, chamado Flor de gume, que saiu em 2020 pelo selo Ferina, da editora Polén, com curadoria de Jarid Arraes. Com uma prosa poética intensa, a autora passeia pelas ruas e pelas águas do Pará, trazendo à tona as dores de meninas, mães e avós. O livro conta a saga de três gerações de mulheres fortes, em 37 histórias breves. “Monique Malcher escreve o crescimento das mulheres resistentes”, diz Jarid.

Natasha Felix

O erotismo, a violência e o corpo feminino estão no centro do livro Use o alicate agora (2018), estreia da poeta nascida em Santos (SP). Natasha Realiza performances de leitura de versos e participou da coletânea Nossos poemas conjuram e gritam, organizada por Lubi Prates em 2019. No mesmo ano, lançou na Argentina o experimental 9 poemas.

Paola Siviero

A autora nasceu em Belo Horizonte e foi criada em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Tem contos publicados nas antologias Piratas (2015), Imaginarium (2015) e Híbridos (2015). Em 2018 publicou O auto da maga Josefa, romance que mistura elementos do folclore nordestino com literatura de fantasia, principal influência da autora. O livro venceu o Prêmio Le Blanc em 2019 e foi finalista do Prêmio Argos no mesmo ano.

Taís Bravo

Publicou em 2018 o livro de poemas Sobre as linhas extintas. Na prosa, lançou as memórias de Todos os meus (ex) heróis são machistas (2016), somente em e-book. Criou e edita, ao lado de Natasha Ísis, a newsletter Mulheres que escrevem e é pesquisadora no Laboratório de Teorias e Práticas Feministas da UFRJ, onde estuda pós-graduação em Ciência da Literatura.