Dez autoras contemporâneas imprescindíveis

Se há ainda um descompasso entre a exposição que homens e mulheres recebem no mercado editorial, em termos de influência as autoras contemporâneas têm sido muito exitosas — as premiações são um bom termômetro nesse sentido.

Hoje a Bienal 360° lista 10 grandes escritoras contemporâneas vivas que são referências não só para milhares leitores, mas também para outros autores e autoras. Da canadense Margaret Atwood à jovem e talentosa Chimamanda Ngozi Adichie, da poeta Adélia Prado à vencedora do Nobel de LiteraturaSvetlana Alexievich, são todas donas de obras poderosas que podem mudar a vida dos leitores.   

Margaret Atwood

A escritora canadense tem uma obra vasta, mas certamente seu trabalho ganhou ainda mais notoriedade depois que seu romance O conto da Aia foi transformado em uma série mundialmente bem-sucedida, em que a realidade distópica ameaça a liberdade das mulheres. Além de romances, Atwood escreveu livros de contos, poesia, ficção científica e prosa para crianças. Todo ano, desponta como favorita para o Nobel de Literatura.

O que ler

O conto da Aia
Margaret Atwood
Trad.: Ana Deiró
Rocco
384 págs.

Lilia Moritz Schwarcz

A historiadora e antropóloga da USP tem publicado livros instigantes que revisitam temas importantes da história do Brasil. Ela é autora, junto como Heloisa Starling, de Brasil: Uma biografia, um audacioso retrato do país que mostra outras facetas da história oficial. Além disso, Lilia é autora também de uma elogiada biografia de Lima Barreto.

O que ler

A bailarina da morte
Lilia Moritz Schwarcz
Companhia das Letras
368 págs.

Svetlana Alexievich

A vencedora do Nobel de Literatura de 2015 tem sido uma voz ativa pela liberdade de expressão. Da Bielorrússia, país aliado de Vladmir Putin, Svetlana tem se manifestado contra a invasão da Ucrânia pela Rússia. Com seus livros, deu voz a pessoas que tiveram suas vidas transformada por catástrofes como a explosão da usina nuclear de Chernobil, em 1986.   

O que ler

As últimas testemunhas
Svetlana Alexievich
Trad.: Cecília Rosas
Companhia das Letras
272 págs.

Marina Colasanti

Nascida na colônia italiana da Eritreia em 1937, Marina é uma das mais prolíficas autoras brasileiras, com uma obra vasta que passa pelo conto, pela literatura infantojuvenil, pela poesia, pela crônica e pelo jornalismo. Sua trajetória também é recheada de prêmios, nacionais e estrangeiros. Em 2021, lançou Vozes de batalha, um retrato da sociedade carioca das décadas de 1920-40, tendo como ponto focal a intimidade do casal Henrique Lage e Gabriella Besanzoni, sua tia-avó.

O que ler

Melhores crônicas
Marina Colasanti
Global
288 págs.

Chimamanda Ngozi Adichie

É difícil uma lista de escritoras mais relevantes de hoje que não tenha o nome da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Além de ter conquistado o respeito da crítica com romances como Americanah, ela também arrebatou leitores no mundo todo com seus livros de não ficção, como o best-seller Para educar crianças feministas.

O que ler

Hibisco roxo
Chimamanda Ngozi Adichie
Trad.: Julia Romeu
Companhia das Letras
328 págs.

Conceição Evaristo

ícone da literatura feminina e negra no Brasil, a escritora mineira conquistou fãs e seguidores com sua “escrevivência”, uma prosa calcada na autoficção e que leva em conta as experiências reais da autora. Com livros como Becos da memória, deu voz à sua literatura intimista e poética ao narrar o despejo de moradores de uma favela em Minas Gerais.  

O que ler

Ponciá Vicêncio
Conceição Evaristo
Pallas
120 págs.

J. K. Rowling

Não dá para não falar na autora de ficção mais lida do mundo, que vendeu mais de 500 milhões de livros. Criadora da série Harry Potter, a inglesa J. K Rolling saiu de uma condição de penúria para o estrelato após publicar seu primeiro livro, em 1997, Harry Potter e a pedra filosofal. Desde então, influenciou várias gerações de leitores e escritores. Além dos sete volumes da série, ela escreveu diversos outros livros, para adultos e crianças.

O que ler

Harry Potter e a câmara secreta
J. K. Rowling
Trad.: Lia Wyler
Rocco
224 págs.

Adélia Prado

A autora nascida em Divinópolis, interior de Minas Gerais, foi “apadrinhada” por ninguém menos do que Carlos Drummond de Andrade. E o maior poeta brasileiro acertou a mira. Adélia se tornou uma das grandes vozes poéticas da segunda metade do século 20 no Brasil, influenciando diversos poetas com o tom delicado de seus versos, sempre a exaltar as coisas “simples” da vida cotidiana. Com uma carreira recheada de prêmios, ela também escreveu prosa e se envolveu com o teatro, em uma trajetória plena na literatura.

O que ler

Poesia reunida
Adélia Prado
Record
544 págs.

Elena Ferrante

Mesmo sem aparecer, se escondendo atrás de um pseudônimo, Elena Ferrante é hoje uma das escritoras mais aclamadas e idolatradas do mundo. Há uma legião de fãs da autora por diversos países do mundo. Ela conquistou tudo isso escrevendo uma prosa saborosa, que em contraste com a aparente simplicidade da escrita traz temas poderosos, gerando debates acalorados entre os leitores, tal como a maternidade e o valor da amizade.

O que ler

A filha perdida
Elena Ferrante
Trad.: Marcello Lino
Intrínseca 
176 págs.

Lygia Fagundes Telles

A escritora paulista não publica há muitos anos. Perto dos 100 anos de idade, ela é ainda uma autora fundamental que foi fonte de inspiração para muitas e muitas escritoras brasileiras que hoje estão fazendo a literatura atual. Lygia se destacou no romance, mas sua principal produção está nas narrativas curtas, onde foi uma das autores mais representativas desde os anos 1970, auge do conto no Brasil. É autora de As meninas, romance vencedor do Prêmio Jabuti em 1974.

O que ler

Seminário dos ratos
Lygia Fagundes Telles
Companhia das Letras
184 págs.