De Freud a Elena Ferrante: cinco livros para ler em um dia

Talvez um dos poucos pontos positivos da quarentena imposta pela pandemia do novo coronavírus é que as pessoas, no mundo todo, estão lendo mais. E nada melhor do que se inteirar com novas referências que possam ampliar nosso leque de assuntos e conhecimento.

A Bienal 360° escolheu cinco livros de autores internacionais que podem ser lidos em um dia, ou mesmo em uma tarde, sem intervalos, de uma tacada só, como se diz. São obras poderosas em suas temáticas, mas que trazem consigo também outra qualidade: a síntese.

Do clássico O mal-estar na civilização, escrito por Freud há quase 100 anos, mas que fala diretamente ao tempo em que vivemos hoje, passando pelo delicioso romance contemporâneo A filha perdida, da enigmática italiana Elena Ferrante, os livros sugeridos mostram que para consumir boa literatura não é preciso muito tempo.

Faça boa arte
Neil Gaiman

Que Neil Gaiman é um fenômeno ninguém duvida. Entre os vários feitos do autor inglês, pode-se listar seu sucesso como escritor de quadrinhos, ficção adulta e infantojuvenil, além de roteiros para a TV e o cinema. Ele é o criador das icônicas narrativas de Sandman, Stardust, Deuses americanos e Coraline. Suas obras foram adaptadas em bem-sucedidas versões para cinema, TV e até ópera. A receita para o sucesso? Gaiman mesmo responde neste discurso de formatura, transformado em livro, que ele fez para uma turma da University of the Arts, na Filadélfia, em 2012. Durante dezenove minutos, dividiu com os formandos suas ideias sobre criatividade, bravura e força.

Faça boa arte
Neil Gaiman
Trad.: Intrínseca
Intrínseca
80 págs.

O mal-estar na civilização
Sigmund Freud

Vários livros já surgiram e outros ainda surgirão falando sobre o tempo pandêmico que vivemos hoje. Mas uma obra escrita em 1929, há quase 100 anos, no pré-colapso da Bolsa de Valores de Nova York, dá várias explicações para o estado de espírito que o mundo vive hoje. O mal-estar na civilização é uma penetrante investigação de Freud sobre o conflito entre indivíduo e a sociedade e suas diferentes configurações na vida civilizada. “Por que é tão difícil para os homens serem felizes? Já demos a resposta, ao indicar as três fontes de onde vêm o nosso sofrer: a prepotência da natureza, a fragilidade de nosso corpo e a insuficiência das normas que regulam os vínculos humanos, na família, no Estado e na sociedade”, diz um dos trechos do livro.

O mal-estar na civilização
Sigmund Freud
Trad.: Paulo César de Souza
Penguin/Companhia das Letras
93 págs.

A filha perdida
Elena Ferrante

A tradutora Anita Raja é a maior suspeita de ser Elena Ferrante.

Este romance lançado originalmente em 2006 não é tão curto, tem 176 páginas, mas sua leitura é extremamente rápida por conta da enigmática autora, que nunca revelou sua identidade, e a maneira como ela escreve. Os livros de Elena Ferrante são todos facilmente “devoráveis”, como comprovam os milhares de leitores da italiana espalhados pelo mundo. Com este não é diferente. Terceiro romance da autora que se consagrou por sua série napolitana, A filha perdida acompanha os sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade chamada Leda, que, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide tirar férias no litoral sul da Itália. Lá conhece Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena. Essa relação é a chave para esse delicioso romance.

A filha perdida
Elena Ferrante
Trad.: Marcello Lino
Intrínseca
176 págs.

A festa de Babette
Karen Blixen

Um dos contos mais celebrados da dinamarquesa Karen Blixen, A festa de Babette foi escrito em 1955, mas foi no final dos anos 1980 que a história ficou mundialmente conhecida, a partir da adaptação do diretor Gabriel Axel, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1988. A história se passa num vilarejo na costa da Noruega, onde, numa noite de tempestade, surge uma francesa misteriosa. Ela bate à porta de duas senhoras puritanas, filhas de um pastor protestante. Babette oferece seus serviços de cozinheira em troca de abrigo. Tempos depois, ela ganha na loteria e prepara um suntuoso banquete em homenagem ao pai de suas benfeitoras, que irá transformar para sempre a vida simples e austera do lugar.

A festa de Babette
Karen Blixen
Trad.: Cássio de Arantes Leite
Sesi-SP
66 págs.

O pequeno príncipe
Antoine de Saint-Exupéry

Um livro infantil para todas as idades. Assim pode ser definido este clássico atemporal, que desde 1942 já foi traduzido para mais de 80 línguas. Em apenas 96 páginas, O pequeno príncipe traz valiosas lições sobre solidão, amizade, tempo, vida e morte, compartilhadas conosco por meio do pequeno habitante do asteroide B 612. Apesar de escrito e narrado por um adulto, o livro se dirige, desde suas primeiras linhas, às crianças. Uma ode emocionante, a história faz uma delicada viagem à infância, esse período de nossas vidas tão curto, mas tão marcante — uma frase que faz todo o sentido quando se fala também sobre esse pequeno grande livro.

O pequeno príncipe
Antoine de Saint-Exupéry
Trad.: Denise Bottmann
Novo Século
96 págs.

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