Cortella e os dilemas do trabalho na pandemia

Desde o início da pandemia do novo coronavírus no Brasil, em março de 2020, a maneira de se lidar com várias questões vem se modificando. As relações de trabalho não ficaram de fora, e é sobre a atuação profissional — de empreendedores, gestores e colaboradores — que Mario Sergio Cortella aborda em seu novo livro, Quem sabe faz a hora!.

Para o filósofo, nem tudo vai necessariamente se modificar após esse evento catastrófico. Enquanto o mundo ainda vive sob a sombra do vírus, é preciso refletir a respeito das competências profissionais necessárias para enfrentar o momento e quais iniciativas podem fazer a diferença em meio às incertezas.

Mario Sergio Cortella: o que é uma liderança inteligente? E como um líder, em meio a tantos percalços, pode ser inspirador?. Foto: Divulgação

Discussões

Um dos tópicos centrais da nova obra é o home office — uma modalidade de trabalho que, acredita Cortella, deve fazer parte de muitas empresas no futuro. Não se descarta, porém, as dificuldades que acompanham esse novo modelo de encarar a labuta, e é aqui que o papel da boa liderança pode fazer diferença.

O que fazer quando diferentes gerações colidem nas reuniões feitas em ambientes virtuais, em um momento em que as relações de trabalho se dão majoritariamente online? Para tentar desatar nós, o doutor em Educação busca responder uma questão crucial: o que é uma liderança inteligente? E como um líder, em meio a tantos percalços, pode ser inspirador?

Depois da crise

Além de questões pertinentes aos tempos pandêmicos, Cortella aborda — ao longo das quase 200 páginas de Quem sabe faz a hora! — temas fundamentais em qualquer fase de uma carreira profissional, com o objetivo de lembrar o leitor de um fato importante: há uma crise e seus dilemas, mas um dia ela irá passar e será preciso encarar os novos desafios. Uma nova realidade.

Se é impossível afirmar o que vem por aí depois da tempestade, ao menos há questões que acompanham o mundo profissional desde sempre, como a proatividade, capacidade de gestão e atendimento ao cliente, e acerca deles Cortella deixa suas reflexões e explicações.

“Para que o melhor dos colaboradores venha à tona, é preciso iluminar como aquele desafio se encaixa no todo. As pessoas precisam ter clareza do propósito. E dedicarão seus melhores esforços se compreenderem que aquela meta precisa ser atingida, porque ela é importante para a sustentabilidade da organização, para a perenidade dos negócios, para gerar trabalho e renda para mais pessoas na cadeia produtiva, para agregar valor à sociedade”, escreve o autor.

Leitor incansável

Ao longo de uma trajetória acadêmica que começou com graduação em Filosofia, Cortella já leu mais de 10 mil livros — das Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, ao trabalho do mineiro João Guimarães Rosa, autor de Grande sertão: veredas.

Doutor em Educação e docente na mesma área durante 35 anos, em sua vida de leitor passou por nomes como Kant, Platão, Gore Vidal, Machado de Assis, Darwin e Descartes — filósofo francês sobre o qual se debruçou em seu primeiro livro, Descartes: a paixão pela razão, lançado em 1988.

Obras filosóficas e mídia

Em mais de três décadas publicando livros, o autor nascido em Londrina (PR), em 1954, já se aproxima dos 50 títulos — dos mais voltados à autoajuda, às obras filosóficas, passando por narrativas sobre gestão e empreendedorismo, além de compilações de seus pensamentos, como os volumes um e dois de O melhor do Cortella.

Já ao lado de Leandro Karnal, Luiz Felipe Pondé e Clóvis de Barros Filho, com os quais protagonizou uma espécie de boom de palestras e vídeos motivacionais no Brasil, Cortella assina a obra Felicidade: modos de usar.

Nas redes sociais e diferentes mídias, o filósofo acumula um público gigantesco — no Instagram, por exemplo, são mais de 5 milhões de seguidores; e em seu espaço no YouTube, o Canal do Cortella, há 1,3 milhão de inscritos que acompanham seus vídeos sobre temas caros à modernidade, como a inevitabilidade da tragédia e a partida de pessoas próximas.

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Quem sabe faz a hora!
Mario Sergio Cortella
Planeta
176 págs.

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