Conheça Battle Royale, romance japonês que inspirou a série Round 6

A série “Round 6”, que há pouco tempo se tornou a produção original mais assistida da Netflix, não é para quem tem estômago fraco. Agora, o romance que inspirou o trabalho do diretor Hwang Dong-hyuk é ainda mais perturbador. Em Battle Royale, lançado originalmente em 1999, o escritor japonês Koushun Takami parece não ter tido nenhum “freio” ao criar uma história bizarra sobre crianças confinadas numa ilha que se matam entre si em um jogo sádico, promovido pelo próprio Estado.

No livro, adaptado para o cinema em 2000 e transformado em um mangá de 15 volumes, são 42 estudantes do ensino fundamental — metade homens, metade mulheres — que participam da iniciativa sádica da próspera e totalitária República da Grande Ásia Oriental, em um jogo organizado anualmente e que tem como objetivo mostrar como o ser humano, em situações extremas, torna-se a pior versão de si mesmo. Tudo isso com adolescentes, exatamente, potencializando o choque proposto pela escrita de Takami. 

O desenvolvimento de Battle Royale, além de toda crueldade, mostra a motivação e demônios interiores de cada um dos estudantes. Há os que enlouquecem, os que se deleitam com a situação de vida ou morte, os que optam pela alienação e os revoltados, teoricamente mais conscientes, inconformados com a realidade à qual foram submetidos. Independentemente de qualquer coisa, de qual seja seu posicionamento, o ponto final é que é preciso sobreviver — não há espaço para diálogo em um ambiente cuja finalidade é a aniquilação.

Battle Royale foi adaptado para o cinema em 2000, com direção de Kinji Fukasaku

Por trás de Battle Royale

  • O romance de Koushun Takami foi publicado em 1999
  • Conta a história de 42 estudantes do ensino fundamental que participam de um jogo mortal
  • Vendeu mais de 1 milhão de exemplares até o momento de sua publicação no Brasil, em 2014
  • Foi adaptado para o cinema em 2000, com direção de Kinji Fukasaku
  • É o filme preferido de Quentin Tarantino, considerando um recorte de 1992, quando ele começou a dirigir, até 2009
  • Há um segundo longa-metragem, chamado Battle Royale II: Requiem, que não teve o mesmo sucesso do primeiro filme
  • Tornou-se um mangá de 15 volumes, escrito pelo próprio autor do livro e ilustrado por Masayuki Taguchi
  • A versão em quadrinhos serviu de inspiração para Hwang Dong-hyuk desenvolver a série “Round 6”, conforme ele disse à Variety
  • “Round 6” se tornou a produção original da Netflix mais assistida
  • A segunda temporada da série está em desenvolvimento

Round 6 x Battle Royale

É inegável que, pelo menos no Brasil, a série teve mais repercussão do que o romance. E, apesar de um trabalho ter diferenças gritantes em relação ao outro, como é natural acontecer em transposições de formatos (são mídias diferentes, afinal), “Round 6” parece tentar cultivar algo da brutalidade original do livro Battle Royale.

Apesar de na série os personagens não serem estudantes, mas sim pessoas adultas endividadas das mais variadas idades, há uma espécie de retorno à infância que é perturbador. Os jogos mortais realizados na série remetem à cultura infantil asiática, no que aquelas pessoas que se submeteram ao jogo — do qual somente uma pode sair vencedora, levando uma quantidade de dinheiro astronômica — parecem acabar em uma realidade bipartida: os mesmos jogos que marcaram suas infâncias de forma positiva são, no momento do jogo sádico, os piores de seus pesadelos.

Assim como no romance, a série explora os fantasmas de cada um dos personagens. Há diversas reviravoltas no roteiro e, em dado momento, é até possível se compadecer de uma figura que inicialmente seria somente odiável. Nada muito distante, guardadas as proporções, do que o livro se propõe: mostrar que, quando o “bicho pega”, não há mocinhos nem vilões. E que a vida é, de maneira geral, pintada com tons de cinza — tenha você menos de 20 ou mais de 50 anos de idade.

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Battle Royale
Koushun Takami
Trad.: Jefferson José Teixeira
Alt
664 págs.