Clássicos na literatura e no cinema: Cacá Diegues indica seus preferidos

O cineasta Cacá Diegues é um dos nomes que dão brilho à historiografia do cinema brasileiro. O diretor de clássicos como Cinco vezes Favela (1962), Ganga Zumba (1964) e A grande cidade (1966) é o convidado especial do HUB para indicar aos leitores filmes imperdíveis adaptados da literatura nacional. Abaixo, ele cita os títulos apontando os grandes diferenciais destas produções. Na lista, destacam-se os longas adaptados das obras de Graciliano Ramos, escritor alagoano da segunda geração do modernismo. Confiram!

Memórias do cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, inspirado no relato de memórias de Graciliano Ramos (Editora Record)

“Um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos e certamente a obra-prima do mestre do Cinema Novo. Um filme que, baseado na obra de Graciliano sobre sua prisão durante o Estado Novo de Getúlio Vargas, nos ensinou a entender o que nos acontecera durante a ditadura de 1964 a 1985. Um filme  sobre o sentimento das injustiças cometidas por motivos políticos, mas também um documento pessoal de uma vida.”

Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, inspirado no romance homônimo de Mario de Andrade (Editora Nova Fronteira)

“O filme fundador do tropicalismo no cinema brasileiro, uma comédia insana e insensata, inventou um estilo particular, que atraiu e influenciou cineastas internacionais afamados, como o francês Claude Lelouch. Um filme libertador, com escolhas muito particulares. A célebre cena de feijoada numa piscina urbana, além de marcar o estilo único do filme, se tornou trecho clássico do cinema brasileiro e latino-americano.”

Vidas secas, de Nelson Pereira dos Santos, inspirado no romance homônimo de Graciliano Ramos (Editora Record)

“Filme fundador do Cinema Novo, uma obra que reinventou o cinema feito no Nordeste, incorporando a luz e as imagens cruas da região, numa fotografia criada por Luís Carlos Barreto e uma cenografia que marcaram a nova tradição do filme não-industrial. Inesquecível e  inevitável em qualquer lista dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Este foi um filme que reproduziu com fidelidade o estilo do escritor num formato cinematográfico correspondente. Um título histórico.” 

São Bernardo, de Leon Hirszman, inspirado no romance homônimo de Graciliano Ramos (Editora Record)

“Curiosamente, esse é o terceiro filme, nessa lista, inspirado numa obra de Graciliano Ramos. Mas, diferentemente dos outros dois, o destaque deste é devido à sua adaptação original que sugere outra leitura de seu autor. Aqui, apesar da rigorosa fidelidade ao texto do livro, há uma radical reinterpretação da trama e seus personagens, amadurecendo a obra original e a dimensão de seus personagens. Destaque para as interpretações de Othon Bastos e Isabel Ribeiro.”

Dona Flor e seus dois maridos, de Bruno Barreto, inspirado no romance homônimo de Jorge Amado (Editora Companhia das Letras)

“Um fenômeno de popularidade, esse filme traduziu para o cinema o estilo popular de Jorge Amado, fazendo justiça, com seu extraordinário sucesso de público, ao caráter popular de seus livros. Muitos outros romances do autor foram adaptados no cinema brasileiro, mas nenhum foi tão fiel como esse ao texto e estilo originais de seu autor.” 

Além dos cinco filmes citados acima, o cineasta destaca também outros filmes inspirados na literatura brasileira, que, segundo ele, merecem referência:      

Porto das Caixas (1962), de Paulo César Saraceni, inspirado no livro homônimo de Lúcio Cardoso.

Menino de engenho (1965), de Walter Lima Jr., inspirado no livro homônimo de José Lins do Rego.

A falecida (1965), de Leon Hirszman, inspirado no livro homônimo de Nelson Rodrigues.         

Toda nudez será castigada (1972), de Arnaldo Jabor, inspirado no livro homônimo de Nelson Rodrigues.

Lição de amor (1975), de Eduardo Escorel, inspirado em Amar, verbo intransitivo de Mário de Andrade.

Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1977), inspirado no livro homônimo de José Louzeiro.

A dama do lotação (1978), de Neville de Almeida, inspirado no livro homônimo de Nelson Rodrigues- Sargento Getúlio (1983), de Hermano Penna, inspirado no livro homônimo de João Ubaldo Ribeiro.