Cinema e literatura no Oscar 2022

A Bienal 360º já visitou alguns dos filmes baseados em livros que competiram na 94ª cerimônia do Oscar, ocorrida neste último domingo (27). Um deles, Duna, levou seis estatuetas. Outro, A tragédia de Macbeth, acabou não ficando com nada — bem como aconteceu ao badalado A filha perdida, baseado no romance homônimo de Elena Ferrante.

Entrando no hall das principais categorias, Will Smith ganhou o primeiro Oscar de sua carreira (Melhor Ator) por interpretar o pai das tenistas Venus e Serena Williams na cinebiografia King Richard: criando campeãs. O longa é baseado no livro de memórias Um mundo a preto e branco, assinado por Richard Williams e Bart Davis.

Na seleta abaixo, a Bienal 360º escolheu alguns dos filmes baseados em livros que foram somente indicados ou também premiados nesta última edição do Oscar 2022. Lembrar que literatura e cinema formam uma ótima dupla, afinal, nunca é demais — ao final do texto, confira outras publicações na mesma linha. Além do livro de não ficção que inspirou o longa estrelado por Smith, três outros trabalhos marcaram presença.

Um mundo a preto e branco
Richard Williams e Bart Davis

Cena do filme King Richard.

Na biografia assinada pelo pai de duas das maiores tenistas da história do esporte, Richard Williams se junta a Bart Davis para narrar todos os perrengues que enfrentou com Venus e Serena Williams se tornassem campeãs implacáveis. “As minhas filhas sempre foram o centro da minha vida desde que nasceram”, diz um trecho. A afirmação não poderia ser mais verdadeira: Richard traçou um planejamento rígido para as meninas e obteve sucesso imenso, mesmo que muitas vezes seus métodos radicais tenham sido questionados por muita gente. Pobreza, racismo e superação marcam a obra que inspirou o filme King Richard, estrelado por Will Smith e que rendeu ao ator norte-americano seu primeiro Oscar (Melhor Ator).

Um mundo a preto e branco
Richard Williams e Bart Davis
Trad.: Maria do Carmo Figueira
Kathartika
273 págs.

Amor, sublime amor
Irving Shulman

Detalhe do pôster de Amor, sublime amor.

A narrativa de Shulman é prato cheio para o cinema e dramaturgia dos Estados Unidos há muito tempo. Na história, jovens envolvidos de diferentes maneiras com gangues rivais descobrem o amor a partir de uma troca de olhares. Maria, irmã do líder dos Sharks, e Tony, ex-integrante e melhor amigo do líder dos Jets, vão descobrir que contornar toda violência perpetrada pelos grupos talvez não seja uma tarefa fácil. O longa, dirigido por Steven Spielberg, rendeu a Ariana DeBose uma estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante.

Amor, sublime amor
Irving Shulman
Trad.: Flávia Rössler
Intrínseca
153 págs.

O beco das ilusões perdidas
William Lindsay Gresham

Detalhe do pôster de O beco do pesadelo.

“Nada digno de leitura jamais foi redigido por alguém que escrevia alcoolizado, mas O beco das ilusões perdidas revela sinais de que sua escrita foi regada a bebedeira”, conta Nick Tosches na introdução do livro que inspirou o filme O beco do pesadelo, dirigido por Guillermo del Toro e composto por um time de atores de peso — Bradley Cooper, Rooney Mara e Cate Blanchett, entre outros. “O álcool é um elemento tão forte no romance que quase pode ser considerado um personagem, uma presença essencial, como a Moira na tragédia grega”, continua o texto introdutório. A história se desenvolve à medida que o jovem Stan Carlisle, carroceiro de um circo de variedades, fica indignado com a forma com que um alcoólatra é apresentado como um selvagem em uma das apresentações do circo e promete jamais se dobrar a qualquer tipo de humilhação semelhante.

O beco das ilusões perdidas
William Lindsay Gresham
Trad.: Flávia Souto Maior
Planeta
400 págs.

Literatura, cinema e Oscar na Bienal