Cinco livros para entender o feminismo

A trajetória da luta feminista é longa. Para apresentar diferentes ângulos do movimento que reivindica os direitos da mulher, a Bienal 360º separou cinco livros de autoras de épocas variadas — do ensaio da inglesa Virginia Woolf (1882-1941), Um teto todo seu, à abordagem da filósofa Djamila Ribeiro, que questiona: Quem tem medo do feminismo negro?.

As três outras autoras que completam as indicações são a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, com o discurso Sejamos todos feministas, a gaúcha Marcia Tiburi, que propõe uma discussão ampla em Feminismo em comum: para todas, todes e todos, e a norte-americana Judith Butler, fundadora da teoria queer, com Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade.

É da natureza da lista ser reducionista, portanto é impossível que as obras cubram todas as facetas do feminismo. O recorte apresentado, no entanto, pode dar um vislumbre desse movimento que vem se solidificando desde o século 18, pelo menos, com a Reivindicação dos direitos das mulheres (1792) de Mary Wollstonecraft.

Quem tem medo do feminismo negro?
Djamila Ribeiro

“Pensar feminismos negros é pensar projetos democráticos”, escreve a autora no texto de introdução, “A máscara do silêncio”. Ao longo da narrativa, após revelar que demorou para ter consciência de si mesma e que cresceu ouvindo piadas sobre seu cabelo e cor de pele, a mestre em filosofia política, colunista da Folha de S. Paulo e coordenadora da coleção Feminismos Plurais apresenta ao leitor um ensaio autobiográfico inédito e reúne uma seleção de artigos veiculados no blog da CartaCapital. Entre outros assuntos, debate-se a intolerância às religiões de matriz africana e o empoderamento feminino.

Quem tem medo do feminismo negro?
Djamila Ribeiro
Companhia das Letras
120 págs.

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Um teto todo seu
Virginia Woolf

Neste longo ensaio baseado em palestras que a autora inglesa ministrou nas faculdades de Newham e Girton em 1928, discute-se a condição da mulher na sociedade e como esse espaço opressor dificulta a livre expressão do pensamento feminino — em uma época que a produção literária das mulheres era recebida com indiferença. Autora de livros como Mrs. Dalloway e Ao farol, Virginia Woolf (1882-1941) é um dos nomes incontornáveis da literatura mundial. Além de trazer trechos dos diários da autora, a edição tem posfácio da escritora e crítica literária Noemi Jaffe.

Um teto todo seu
Virginia Woolf
Trad.: Bia Nunes de Sousa
Tordesilhas
192 págs.

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Feminismo em comum: para todas, todes e todos
Marcia Tiburi

Em uma obra de linguagem acessível, voltada tanto para “iniciados” quanto para os que estão começando a estudar o feminismo, a filósofa brasileira destrincha o enraizamento do patriarcado na sociedade. Ao esmiuçar esse tema, apresenta novas formas de pensar a posição de todas, todes e todos frente a um sistema opressor — que ainda habita o imaginário popular. Para cumprir essa tarefa, Marcia se distancia de modismos e discursos prontos atrelados ao feminismo, com o objetivo de que se compreenda o movimento com a devida seriedade.

Feminismo em comum: para todas, todes e todos
Marcia Tiburi
Rosa dos Tempos
126 págs.

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Sejamos todos feministas
Chimamanda Ngozi Adichie

Neste relato breve, adaptado de um discurso que a nigeriana fez no TEDxEuston, a autora do romance Hibisco roxo e dos contos de No seu pescoço, entre outros livros, lembra a primeira vez que foi acusada de ser feminista — acusada, sim, por seu amigo de infância Okoloma. “Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele — era como se dissesse: ‘Você apoia o terrorismo!’”, relata. No decorrer da narrativa, ela também recorda o conselho bizarro que recebeu, sem ter solicitado, de um jornalista de seu país de origem. Com a intenção de que situações como essas não se repitam, Chimamanda mostra como o feminismo pode ser libertador tanto para as mulheres quanto para os homens.

Sejamos todos feministas
Chimamanda Ngozi Adichie
Trad.: Cristina Baum
Companhia das Letras
64 págs.

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Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade
Judith Butler

A pluralidade é tema central do livro que fundou a teoria queer. Publicada originalmente na década de 1990, nos Estados Unidos, a obra abre mão do tom acadêmico para, de forma provocativa, chacoalhar os pilares que fundamentavam as discussões a respeito do feminismo até então. Para a autora, antes de qualquer coisa, é necessário subverter a identidade da mulher e interrogar o que é heterossexualidade. A partir desses pontos, Judith recai em questões muito mais profundas, como, por exemplo, o que é ser homem? E o que é ser mulher?

Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade
Judith Butler
Trad.: Renato Aguiar
Civilização Brasileira
288 págs.

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