Cinco livros infantis para educar crianças antirracistas

Alguns integrantes do Big Brother Brasil 21 têm sido responsáveis por episódios lamentáveis de preconceito e racismo. Depois de a cantora Karol Conká ser acusada de xenofobia ao criticar a advogada Juliette por ser nordestina e falar de uma maneira expansiva, a mais recente polêmica foi protagonizada pelo professor João Luiz e o sertanejo Rodolffo.

No começo desta semana, o cantor comparou o cabelo de João, que é negro, à peruca de homem da pré-história usada durante a dinâmica chamada Castigo do Monstro. João acabou chorando e desabafou: “Estou cansado de ouvir isso e não é só aqui dentro, é lá fora também”.

O ato de Rodolffo é sintomático. Uma das primeiras experiências de cunho racista que pessoas negras vivem costuma ser ainda na infância, geralmente na escola, e o cabelo é sempre um dos principais motivos da violência. Seja com apelidos ou como reagiu o sertanejo Rodolffo, fazendo comparações absurdas e infelizes.

Por isso, muitos autores de literatura infantojuvenil utilizam esse tema, o cabelo, para narrar histórias antirracistas, nas quais a cor da pele ou a forma do cabelo não definem uma pessoa. A Bienal 360° separou cinco livros emblemáticos sobre o assunto, que falam de forma leve sobre um problema seriíssimo.

Amor de cabelo

Neste livro escrito por Matthew A. Cherry e ilustrado por Vashti Harrison, o cabelo da menina Zuri é o protagonista. É um cabelo mágico, pois pode ser trançado e enrolado para combinar perfeitamente com uma tiara de princesa ou uma capa de heroína. E Zuri tem orgulho de seu cabelo. Em um dia especial, a mãe de Zuri está voltando para casa depois de um tratamento médico. E, embora ainda tenha muito o que aprender sobre cabelo, o pai da menina é o responsável por ajudá-la a montar o penteado perfeito para receber a mãe. Além de enaltecer o cabelo afro, o livro também é uma lição sobre o amor entre pais e filhos.

Amor de cabelo
Matthew A. Cherry e Vashti Harrison
Trad.: Nina Rizzi
Galera
32 págs.

O cabelo bom é o quê?

A protagonista é uma menina linda chamada Maria Filó, que tem um cabelo todo cacheado. Ela descobre que todo cabelo é bom, cada um do seu jeito e que seus cachinhos são também maravilhosos. Escrito por Rodrigo Goecks, o livro é composto por versos que, no final, respondem à própria pergunta do título: cabelo bom é qualquer cabelo. A obra ainda traz ilustrações da artista Anna Pires, que buscam elevar a autoestima das crianças cacheadas e crespas, procurando fortalecer a boa relação dessas futuras adultas com sua própria identidade.

O cabelo bom é o quê?
Rodrigo Goecks
Ilustrações: Anna Pires
Coleção Um dia me falaram
24 págs.

O cabelo de Lelê

Lelê não gosta do que vê. “De onde vêm tantos cachinhos?”, ela vive se perguntando. Ela encontra a resposta num livro, em que descobre sua história e a beleza da herança africana. A escritora Valéria Belém discute a valorização da beleza negra neste livro que já virou objeto de estudos acadêmicos e é lido e debatido em escolas de educação infantil. Além de questionar rótulos de beleza e estética, a obra traça um painel sobre as sociedades africanas, enfatizando a riqueza cultural desses países e seus povos.

O cabelo de Lelê
Valéria Belém
Ilustrações: Adriana Mendonça
Companhia Editora Nacional
32 págs.

Menina bonita do laço de fita

Um dos clássicos de Ana Maria Machado, este livro conta a história da menina do título e de um coelho branco. Ele acha a menina, com sua pele negra e cabelos crespos, a pessoa mais bonita que já viu, e gostaria muito de ser como ela. “Menina bonita do laço de fita, qual é o teu segredo para ser tão pretinha?”, pergunta o curioso coelho, que quer muito ter filhos daquela cor. Mas para isso, ele precisa descobrir o segredo da menina. Uma história que enaltece a beleza negra de forma leve e com humor.

Menina bonita do laço de fita
Ana Maria Machado
Ilustrações: Claudius
Ática
24 págs.

Meu crespo é de rainha

Publicado originalmente em 1999 em forma de poema rimado e ilustrado, este livro da poeta e ativista americana bell hooks apresenta às meninas brasileiras diferentes penteados e cortes de cabelo de forma positiva, alegre e elogiosa. Uma obra que valoriza as características dos negros e faz as crianças se orgulharem de quem são e de seu cabelo “macio como algodão” e “gostoso de brincar”.

Meu crespo é de rainha
bell hooks
Boitatá
32 págs.