Cinco livros brasileiros para ler em um dia

Segundo a última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita ano passado, 47% dos entrevistados afirmaram que gostariam de ter lido mais em 2020, mas que “não houve tempo” para se dedicar à leitura. Pensando nisso, a Bienal 360° preparou uma lista com cinco obras brasileiras, de autores contemporâneos, que podem ser lidas em apenas um dia — até mesmo uma manhã ou uma tarde, dependendo da disponibilidade do leitor.

São livros, em sua maioria, com menos de 100 páginas, mas que compensam a brevidade com histórias arrebatadoras, em que a linguagem é tão marcante quanto o enredo. Confira.

A hora da estrela, Clarice Lispector

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Clarice Lispector, autora de A hora da estrela.

Autora de clássicos incontornáveis da literatura brasileira, como A paixão segundo G. H. e Perto do coração selvagem, Clarice deixou outra obra-prima antes de morrer, em 1977. A novela A hora da estrela é narrada pelo escritor Rodrigo S. M., que descreve a história de Macabéa, uma alagoana órfã, virgem e solitária, criada por uma tia tirana, que a leva para o Rio de Janeiro, onde trabalha como datilógrafa. O sofrimento da resignada Macabéa, que no final é atropelada ao tentar atravessar a rua, é comovente na voz marcante de Clarice, que nesta novela deixa um pouco de lado os experimentos narrativos que marcaram sua escrita.

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A hora da estrela
Clarice Lispector
Rocco
88 págs.

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A obscena senhora D, Hilda Hilst

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Hilda Hilst, autora de A obscena senhora D. Foto: Fernando Lemos

Hilda Hilst nunca fez concessões em sua obra, marcada pela transgressão da linguagem e dos temas, muitos deles considerados tabus na época em que publicou seus ousados livros de poesia e prosa. Nesta história de “tiro curto”, ela mais uma vez radicaliza ao traçar o perfil da personagem principal. Em um intenso fluxo de consciência, Hilda apresenta Hillé — a senhora D —, que aos sessenta anos, após a morte do marido, percebe que está absolutamente sozinha. Em seu luto, a protagonista decide viver no vão da escada de casa e experimentar o mais profundo isolamento. Lançado originalmente em 1982, é um livro absolutamente arrebatador.

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A obscena senhora D
Hilda Hilst
Companhia das Letras
80 págs.

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Pssica, Edyr Augusto

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Edyr Augusto, autor de Pssica.

Um romance noir que se passa em Belém do Pará, escrito em uma narrativa alucinada, rápida e econômica. Assim pode ser resumido o principal livro do paraense Edyr Augusto. A começar pelo título, Pssica, que na gíria regional quer dizer “azar” ou “maldição”, tudo ali é estranho. Uma adolescente é raptada no centro da capital do Pará e vendida como escrava branca para casas de show e prostituição em Caiena, capital da Guiana Francesa. A partir daí se desenrola a história, que revela personagens tão fascinantes quanto maus. Curto, mas intenso, Pssica foi premiado e traduzido na França.

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Pssica
Edyr Augusto
Boitempo
94 págs.

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Ponciá Vicêncio, Conceição Evaristo

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Conceição Evaristo, autora de Ponciá Vicêncio.

Primeiro romance da mineira Conceição Evaristo, Ponciá Vicêncio narra a história da personagem que dá nome ao livro. Mulher negra, ela vive com a mãe, Maria Vicêncio, na Vila Vicêncio, no interior do Brasil, em uma comunidade de descendentes de escravos. Seu pai e seu irmão trabalham no cultivo da lavoura da família Vicêncio, que é proprietária das terras onde todos moram e trabalham — e também dos sobrenomes dos habitantes. Narrado em terceira pessoa, o livro traz elementos que estariam em outras obras de Conceição, como o relato autobiográfico e a preocupação social. Uma narrativa que emociona pelo tom sincero e convincente.

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Ponciá Vicêncio
Conceição Evaristo
Pallas
120 págs.

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Um copo de cólera, Raduan Nassar

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Raduan Nassar, autor de Um copo de cólera.

Autor de uma obra enxuta, composta por apenas três livros, Raduan Nassar marcou seu nome na literatura brasileira com essa novela breve que narra uma manhã qualquer de um casal. Depois de uma intensa noite de sexo, os personagens se levantam e, sem motivo aparente, começam uma colérica discussão, com farpas lançadas de ambos os lados, o que os obriga a admitir suas próprias incoerências e fraquezas. Em apenas 84 páginas, com uma linguagem que coloca todas as palavras em seu devido lugar, Raduan consegue atingir alto nível literário ao abordar questões existenciais do homem pós-moderno.

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Um copo de cólera
Raduan Nassar
Companhia das Letras
88 págs.