Cinco livros adaptados que renderam Oscar aos filmes

Com a lista das indicações para o Oscar 2022 divulgada, é uma ótima oportunidade para relembrar grandes filmes que venceram a premiação e foram adaptados de livros. Neste ano, Amor, sublime, amor, do genial e incansável fazedor de sucessos Steven Spielberg, é um dos que fazem ponte entre literatura e cinema na premiação da Academia de Cinema Americana. Originalmente um musical da Broadway, o texto ganhou formato de romance pelas mãos de Irving Shulman, que trabalhou tendo como base o roteiro original do longa de 1961.

Mas resolvemos lembrar dos grandes filmes que ganharam alguma estatueta tendo como base um grande livro. A lista é feita a partir de um recorte dos últimos 20 anos, com filmes que já entraram para a história do cinema.

Onde os velhos não têm vez
Cormac McCarthy

Aqui a palavra “clássico” nunca é evocada em vão. Cormac McCarthy, autor do livro, que hoje beira os 90 anos, é um clássico moderno da literatura americana. E o mesmo pode-se dizer de Onde os fracos não têm vez (no título do filme a palavra “velhos” é substituída por “fracos”), adaptação dos irmãos Joel e Ethan Coen para o romance de McCarthy que ganhou Oscar de Melhor Filme em 2008. Com todo merecimento, a dupla  atualizou a história de um faroeste contemporâneo de forma completamente original. O vilão Chigurh, que vai caçar o personagem Llewelyn Moss por conta de uma maleta cheia de dólares encontrada em uma chacina no deserto, já entrou pra galeria de grandes personagens do cinema. A atuação de Javier Barden na pele do matador é magistral.

Onde os velhos não têm vez
Cormac McCarthy
Trad.: Adriana Lisboa
Alfaguara
271 págs.

Doze anos de escravidão
Solomon Northup

Este livro é tão comovente quanto bem escrito. Não por acaso é considerada uma das melhores narrativas já escritas sobre um dos períodos mais nebulosos da história americana. Doze anos de escravidão narra a história real de Solomon Northup, um negro livre que, atraído por uma proposta de emprego, abandona a segurança do Norte e acaba sendo sequestrado e vendido como escravo. Mais de 150 anos depois da primeira publicação, a obra foi adaptada para o cinema e arrebatou crítica e público. “O livro nos encantou: a dimensão épica, o detalhamento, a aventura, o horror, a humanidade. Lia-se como um roteiro de cinema, pronto para ser filmado. Eu não podia acreditar que nunca ouvira falar nele. Pareceu-me tão importante quanto O diário de Anne Frank, só que publicado quase 100 anos antes”, disse Steve McQueen, diretor do filme 12 anos de escravidão.

Doze anos de escravidão
Solomon Northup
Trad.: Carolina Chang
Penguin
280 págs.

Argo
Antonio Mendez e Matt Baglio

Dirigido por Ben Affleck, Argo é baseado no livro The master of disguise, de Tony Mendez, um ex-agente da CIA. Em 4 de novembro de 1979, os funcionários da embaixada dos Estados Unidos em Teerã são surpreendidos pela invasão de um grupo de militantes, que faz 53 reféns. Em meio à confusão, seis diplomatas conseguem escapar e encontram refúgio na residência do embaixador do Canadá. Mas Tony Mendez, especialista em disfarces da CIA, sabe perfeitamente que é apenas uma questão de tempo até que sejam encontrados. Para retirá-los do país, ele concebe um plano muito arriscado, digno de cinema. O filme, em que Affleck também atua, venceu nas categorias Melhor Filme, Roteiro Adaptado e Edição.

Argo
Antonio Mendez e Matt Baglio
Trad.: George Schlesinger
Intrínseca
498 págs.

O pianista
Wladislaw Szpilman

Escrito por Wladislaw Szpilman, o livro conta a história de um judeu que viveu — e sobreviveu — ao gueto de Varsóvia, de 1939 a 1945. Publicado originalmente na Polônia, em 1946, a obra ficou injustamente esquecida até o final dos anos 1990, quando foi traduzida para o inglês e adaptada para o cinema por Roman Polanski, que transformou a obra em um filme lindíssimo — que Szpilman, morto em 2000, infelizmente não chegou a assistir. No longa, Szpilman é interpretado por Adrien Brody, papel que lhe valeu a estatueta de Melhor Ator. Polanski e o longa ainda venceram como melhor Diretor,  Filme e Roteiro Adaptado.

O pianista
Wladislaw Szpilman
Trad.: Tomasz Barcinski
BestBolso
224 págs.

O senhor dos anéis, O retorno do rei
J. R. R. Tolkien

Certamente, quando se fala em adaptação literária bem-sucedida para o cinema, não se pode deixar de lembrar de O senhor dos anéis, a trilogia escrita pelo britânico J. R. R. Tolkien entre 1937 e 1949. Os três livros que apresentam um universo fantástico, que serviu de inspiração para diversos outros criadores, entraram para a história da literatura como referências. O que aconteceu também com os filmes dirigidos por Peter Jackson. Em especial o livro três, O retorno do rei, cuja adaptação  conquistou simplesmente todas as 11 estatuetas para as quais foi indicada. Dos cenários à condução narrativa, o filme se tornou uma forte referência na cultura, gerando muitos subprodutos.

O senhor dos anéis, O retorno do rei
J. R. R. Tolkien
Trad.: Ronald E. Krymse
HarperCollins
528 págs.