Cinco autoras para conhecer a literatura africana

Algumas das autoras mais representativas do atual momento da literatura mundial vêm do continente africano. A nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie é uma delas. Ela ganhou protagonismo com seus romances, que misturam autoficção e ensaísmo ao contar histórias sobre temas atualíssimos, como identidade e imigração. Mas sua obra de não ficção também tem recebido atenção, como no caso de Sejamos todos feministas e Para educar crianças feministas — Um manifesto.

Esse bom momento da literatura feita por africanas passa ainda por nomes como o da angolanaDjaimilia Pereira de Almeida e da ruandesa Scholastique Mukasonga, que tem na diáspora migratória provocada pela guerra em seu país um dos temas centrais de sua literatura. Confira as outras autoras selecionadas pela Bienal 360°

Chimamanda Ngozi Adichie
(Nigéria, 1977)

A escritora nigeriana virou uma referência mundial na luta contra o racismo e a discriminação sexual. Filha de um professor universitário, ela cresceu no meio acadêmico. Publicou seu primeiro livro, Hibisco roxo, aos 26 anos. O segundo romance, Meio sol amarelo (2008), foi vencedor do Orange Prize e adaptado para o cinema em 2013. Mas foi com Americanah que ela se consagrou como uma importante voz literária do mundo contemporâneo. O livro é inspirado em sua mudança para os Estados Unidos, onde concluiu seus estudos. Em meio a uma história de amor, a autora discute assuntos como a imigração. O romance venceu o National Book Critics Circle Award, em 2013. Além de ficção, Chimamanda também é autora de outros sucessos editoriais como Sejamos todos feministas e Para educar crianças feministas — Um manifesto.

Americanah
Chimamanda Ngozi Adichie
Trad.: Julia Romeu
Companhia das Letras
520 págs.

Léonora Miano
(Camarões, 1973)

A camaronesa Léonora Miano mudou para a França em 1991, onde estudou literatura americana em Nanterre. Fez sua estreia em 2005, com o romance L’intérieur de la nuit, que lhe valeu uma série de prêmios. O livro, sobre uma jovem africana que volta à terra natal (um país imaginário chamado Mboasu) depois de estudar na França, já traz os temas que marcariam o resto da sua obra: a consciência negra e a diáspora africana. Com 14 obras literárias publicadas em diversos idiomas, Léonora ganhou o Prêmio Goncourt com Contornos do dia que vem vindo (2006), publicado no Brasil pela Pallas em 2009. E com A estação das sombras (2013), venceu o Prix Femina e o Grand Prix do Roman Métis.

Contornos do dia que vem vindo
Léonora Miano
Trad.: Graziela Marcolin
Pallas
208 págs.

Djaimilia Pereira de Almeida
(Angola, 1982)

Temas como descolonização, imigração e pertencimento estão no centro do romance Luanda, Lisboa, Paraíso, um dos principais trabalhos da angolana Djaimilia Pereira de Almeida. Em seu segundo romance, ela narra a saga de Cartola e Aquiles, pai e filho que deixam Angola em busca de um tratamento médico em Portugal nos anos 1980. O livro foi vencedor de diversos prêmios, entre eles o Oceanos de 2019, que consagra obras escritas em língua portuguesa. Seu livro de estreia, Esse cabelo, também fez enorme sucesso ao misturar autoficção, ensaio e romance em uma história sobre identidade. Escreveu, ainda, A visão das plantas e Maremoto, entre outros livros.

Luanda, Lisboa, Paraíso
Djaimilia Pereira de Almeida
Companhia das Letras
200 págs.

Scholastique Mukasonga
(Ruanda, 1956)

Nascida em Ruanda, em 1956, Scholastique Mukasonga vive na região da Baixa Normandia, na França — e o francês foi a língua que escolheu para criar sua literatura, que está relacionada com os  conflitos que caracterizaram seu país de origem no século 20. Seu primeiro livro tem o título Baratas porque era dessa forma que os tutsis eram chamados pelos hutus que defendiam abertamente seu extermínio. Esse conflito culminou com o genocídio em 1994, em que 800 mil pessoas foram assassinadas. Escritora e ativista da diáspora negra, Scholastique toma para si o chamamento para dar voz à dor e à perda. Na França, sua obra é publicada pela prestigiosa editora Gallimard. No Brasil, teve ainda publicados os romances A mulher de pés descalços, Nossa Senhora do Nilo e Um belo diploma.

Baratas
Scholastique Mukasonga
Trad.: Elisa Nazarian
Nós
192 págs.

Nadine Gordimer
(1923-2014)

Vencedora do Nobel de Literatura, a sul-africana Nadine Gordimer publicou 13 romances e 10 coletâneas de contos. A crítica ao apartheid ocupa lugar central em sua obra, que narra tensões psicológicas inerentes aos conflitos raciais de seu país. A filha de Burger, romance de 1979, foi escrito na esteira do histórico e violento levante de Soweto. Já em A arma da casa, Nadine discute a violência pós-apartheid. Sua literatura chegou a ser censurada na África do Sul, mas a escritora nunca se exilou, passando a ser vista como um ícone de seu país no exterior. Morreu em 2014, aos 91 anos.

A arma da casa
Nadine Gordimer
Trad.: Paulo Henriques Britto
Companhia das Letras
360 págs.