Bruna Vieira fala sobre a adaptação de “De volta aos 15” pela Netflix

A mineira Bruna Vieira viveu uma espécie de conto de fadas na adolescência. Nascida em Leopoldina, no interior de Minas Gerais, aos 15 anos ela criou um blog para superar uma desilusão amorosa por meio da escrita, o Depois dos quinze, e a partir disso viu sua vida mudar.

Os posts foram tendo enorme sucesso, a audiência cresceu e explodiu. Ela se tornou colunista fixa da revista Capricho, e é seguida por milhares de leitores e fãs pelas redes sociais.

Agora, mais de 10 anos após estrear como autora, ela vê seu livro De volta aos quinze ser adaptado para o streaming. Com Maisa no papel principal da jovem Anita, a série estreia na Netflix em 25 de fevereiro.

Sobre essa nova experiência, Bruna conversou com a Bienal 360°. Ela disse que acompanhou um pouco das filmagens e que o roteiro está muito próximo de seu livro. “O roteiro sofreu apenas algumas adaptações que, na minha opinião, atualizaram a história e a tornaram ainda mais relevante para o momento que vivemos.”

Na trama, Anita, vivida em fases diferentes por Maisa e Camila Queiroz, acaba sendo transportada para o primeiro dia no colegial — lá no começo dos anos 2000. Ela está com 30 anos e volta a ter 15. Então decide “consertar” a vida de todos ao seu redor.

“A série é uma forma de a nova geração entender como foi ser adolescente nos anos 2000 e talvez até entender como isso afeta nossa percepção do mundo hoje”, diz.

Bruna Vieira: “A maneira que os adolescentes se enxergam, se expressam e se comunicam mudou completamente”. Foto: Divulgação

De volta aos quinze foi publicado há 10 anos. Hoje, depois de outras experiências com a escrita, como vê esse começo?
Penso que fui corajosa. Sabe coragem de quando você ainda não viveu muito? Na época em que o livro foi escrito eu tinha 19 anos e jurava que sabia tudo sobre a vida só de observá-la acontecendo lá fora. Criar uma personagem principal que tem 30 e misturar elementos que sempre fui fascinada, tipo viagem no tempo e Paris, foi uma decisão que não me arrependo de forma alguma, mas, se pudesse fazer de novo, teria desenvolvido com mais cuidado alguns dos dilemas abordados na história.

E sobre a série De volta aos 15, da Netflix, você acompanhou a produção? Gostou do que viu?
Sim. Tive a oportunidade de ser consultora na sala de roteiro e visitei o set de filmagem duas vezes, em junho de 2021. A série foi gravada durante um período delicado da pandemia, então fizemos quase tudo remotamente. Vender os direitos da minha história foi uma experiência que me apresentou um novo universo cheio de possibilidades. Conhecer os profissionais e os processos do audiovisual me deixou ainda mais apaixonada, mas também me ensinou a importância de delegar e confiar minha arte no olhar do outro.

Há uma máxima sobre adaptações que diz: “O livro é sempre melhor”. O que espera da recepção do público?
O roteiro da série foi bem fiel ao livro, sofrendo apenas algumas adaptações que, na minha opinião, atualizaram a história e a tornaram ainda mais relevante para o momento que vivemos. Estou animada para saber o que quem leu o livro vai achar das mudanças e com expectativa para que as telas apresentem meu trabalho para novos leitores.

Além da internet discada, o que mudou para as garotas de 15 anos de hoje em relação às meninas dos anos 2000 retratadas na sua obra?
A maneira que os adolescentes se enxergam, se expressam e se comunicam mudou completamente. O que gosto muito é que a série é uma proposta de conversa que funciona entre diferentes gerações de uma família. Uma forma de a nova geração entender como foi ser adolescente nos anos 2000 e talvez até entender como isso afeta nossa percepção do mundo hoje. Uma nostalgia pra gente também, né?!

Bruna Vieira: “A internet abriu portas para autores conquistarem seus leitores antes mesmo da publicação do livro”. Foto: Divulgação

E o que achou da escalação de Maisa para o papel de Anita?
Quando a Maisa leu meu livro e contou no Twitter que estava envolvida com a história, chorando e vibrando junto com a personagem a cada novo capítulo, fiquei torcendo pela escalação dela na série. Foi algo que me deixou contente porque sei o quanto ela se dedica em todos os projetos que participa e conhecê-la de perto só me fez ter mais certeza de que é uma honra pra gente viver na mesma época que ela. Maisa é gentil, sensível e muito espontânea.

Na última década, surgiram vários autores e autoras escrevendo romances Young Adult. Como você vê o crescimento desse gênero no Brasil?
A internet abriu portas para autores conquistarem seus leitores antes mesmo da publicação do livro. Isso faz toda diferença. Sabemos que não é fácil conquistar um espaço no mercado literário, conseguir um bom contrato com uma editora e viver da renda da escrita, mas vejo que o interesse e a demanda existem. Penso que, se conquistarmos o leitor durante a infância e adolescência, teremos adultos mais críticos e com o hábito da leitura. Isso pode mudar nosso país.

Você também já tem um livro de poemas, Meu corpo virou poesia. Como é sua relação com esse gênero? Que autores a inspiram?
Sempre gostei muito de me entender através da poesia, mas decidi escrever quando estava aprendendo outra língua e usei o gênero para ganhar vocabulário. Li Rupi Kaur, Nayyirah Waheed, Cleo Wade e Courtney Peppernell. Foi bem nessa época que a ideia do livro Meu corpo virou poesia surgiu. Minhas inspirações nacionais são Cecília Meireles, Hilda Hilst e Ryane Leão.

Você hoje tem 27 anos. O que acha que estará escrevendo aos 40?
Gosto de escrever sobre sentimentos e processos da forma mais simples e honesta possível. Quero que o meu leitor vire a página com a sensação de que tivemos uma longa conversa sem nunca termos nos encontrado. Independentemente do gênero, espero estar sendo fiel ao que mais me fizer sentido nas minhas primeiras quatro décadas de vida.

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De volta aos quinze
Bruna Vieira
Gutenberg
224 págs.