Booktubers e booktokers, escritoras internacionais e literatura YA são destaques do sétimo dia de Bienal

A XX edição da Bienal do Livro Rio iniciou o sétimo dia de programação celebrando a força da escrita feminina. Ainda pela manhã, a Estação Plural recebeu nesta quinta-feira (09/12) as autoras norte-americanas Lyssa Kay Adams e Scarlett Peckham, que falaram ao público sobre temas que constantemente figuram em suas histórias: masculinidade tóxica, protagonistas que desafiam o patriarcado e a reformulação de clichês da sociedade. Ambas participaram de forma on-line e contaram com o apoio de uma tradução simultânea. A mesa contou com a mediação da autora Frini Georgakopoulos.

Durante o bate-papo, Lyssa enfatizou sobre a necessidade de se introduzir leitores ao gênero romance, especialmente homens. O tema foi abordado pela autora em “O Clube do Livro dos Homens” (Editora Arqueiro). Segundo ela, é importante que o público masculino converse abertamente sobre emoções, sentimentos e relacionamentos. 

“Eu sempre tive essa ideia de livro, em que seria muito legal uma história em que um cara começasse a ler livros de romances para conquistar uma garota. Foi quase uma terapia criar esse mundo no qual temos esse grupo de homens que estão ativamente tentando se tornar homens melhores e combater essa masculinidade tóxica”, detalhou a norte-americana, revelando que  “O Clube do Livro dos Homens” teve os direitos comprados pela Netflix para uma adaptação.

Durante a tarde, quem esteve no festival literário pôde presenciar um momento especial: o lançamento de um livro infantil sobre a trajetória de Marielle Franco. Escrito por Majori Silva, o livro é voltado para crianças a partir de 4 anos, e adapta de forma lúdica os acontecimentos da vida da ex-vereadora. 

O lançamento de “O Jardim de Marielle” (Editora Mostarda) ocorreu durante a mesa Sala Black Power, também na Estação Plural, e teve a participação do autor Júlio Emílio Braz. Juntos, eles debateram questões como, ética e diversidade, racismo estrutural e o papel da leitura e da educação como ferramentas de transformação e empoderamento.

Mas quem fez a Estação Plural tremer com gritos e aplausos foi o booktoker Tiago Valente, com mais de 330 mil seguidores no TikTok, e as booktubers Wlange Keindé e Nanna Sanches, que estiveram presencialmente na Bienal. Na mesa “Estantes virtuais: indicações dos booktubers e booktokers”, o trio, que vem influenciando uma geração de jovens a desenvolverem o gosto pela literatura, conversou sobre o processo de escolha dos livros que aparecem em seus vídeos. 

Durante o bate-papo, Tiago, que também posta conteúdos literários no Instagram, contou ao público presente na Bienal (e também para quem acompanhava pela internet) a sua relação com a literatura. E surpreendeu ao dizer que seus pais eram donos de uma livraria.

“O estoque da loja era na minha sala, que vivia cheia de caixas. Eu era muito pequeno quando percebi que as histórias legais que a professora contava vinham dos livros. Mais tarde, o contato com os booktubers me mostrou que existem outras pessoas apaixonadas por livros como eu. Assim eu resolvi compartilhar essa paixão também”, contou. 

A mesa teve uma surpresa para os fãs: a participação on-line da escritora norte-americana Casey McQuiston, autora do best-seller “Vermelho, branco e sangue azul”, um dos livros mais populares entre usuários do Tiktok. 

Encerrando a programação do sétimo dia de Bienal do Livro Rio, o jornalista e escritor Felipe Cabral foi o responsável por mediar uma conversa sobre os novos rumos da literatura LGBTQIAP+.

Com foco nas obras Young Adult (YA), a mesa teve a participação  das escritoras Clara Alves, autora do best-seller Conectadas (Seguinte); e Elayne Baeta, do recém lançado, Oxe, Baby (Record); Julian Jullian, autor do romance Querido ex (Record); do escritor Pedro Rhuas, autor do best-seller Enquanto eu não te encontro (Seguinte); e do escritor Deko Lipe, amante da literatura infantil, infanto-juvenil LGBTQ+, e idealizador do projeto literário Primeira Orelha.

A conversa propôs um debate sobre de que maneira este tipo de literatura vem dialogando e formando uma nova geração de leitores, bem como o que o público deve esperar de autores no pós-pandemia, o que ainda precisa ser contado?

Além de romance e feminismo, a Bienal ainda traz assuntos diversos para a programação dos próximos dias, como Ancestralidade, Poesia para (re)existir, Maternidade/Paternidade e Vozes LGBTQIA+. Todas as sessões estão sendo transmitidas no site da Bienal.

Para visitar a Bienal, os ingressos podem ser adquiridos online ou na bilheteria do Riocentro.