Biografia mostra como Bruce Lee ganhou o mundo

Não sabe da missa a metade quem pensa que Bruce Lee (1940-1973) foi somente um ator de invejável condição física e incríveis habilidades marciais. Na biografia Bruce Lee: uma vida, do norte-americano Matthew Polly, fica claro que sua importância vai muito além — como o fato de ele ter rompido a “barreira que existia para asiáticos em Hollywood”, conforme trecho do livro, e ter popularizado as artes marciais no Ocidente de uma forma nunca antes vista.

Para traçar a vida de Lee desde seu nascimento na Califórnia, em 1940, passando por sua criação em Hong Kong (que ainda pertencia à China) e chegando ao retorno do dragão aos Estados Unidos, quando firmou-se como ator e abriu as portas do Ocidente para o outro lado do mundo, Polly diz ter procedido a partir de um método “simples”, em uma jornada de apuração e escrita que durou seis anos.

“Eu assisti a tudo que o Bruce já havia feito e fiz muitas anotações”, escreve Polly no posfácio da obra. “Li tudo o que já havia sido escrito sobre Bruce e fiz muitas anotações. Então entrevistei todos aqueles que conheceram Bruce e estavam dispostos a falar e fiz muitas anotações. Depois compilei essas anotações em ordem cronológica em um documento de Word. O arquivo final ficou com mais de 2,5 mil páginas e um milhão de palavras.”

Bruce Lee em cena do filme Jogo da morte.

A trajetória de Bruce Lee

  • Nasceu em São Francisco, na Califórnia, em 1940
  • Filho de Grace Ho e Li Hoi Chuen
  • Com dois meses de vida, participou do filme Golden gate girl
  • Seu primeiro papel “sério” no cinema foi aos 10 anos, em 1950, no filme My son A-Chang
  • The Orphan (1960) foi seu último filme feito em Hong Kong, antes de se mudar para os Estados Unidos
  • Em fevereiro de 1965 nasce Brandon Lee, seu primeiro filho
  • Criou o jeet kune do, um “estilo sem estilo”, em 1968
  • Shannon Lee nasce em abril de 1969
  • O dragão chinês, de 1971, é seu primeiro filme de kung fu
  • Estreou como diretor em O voo do dragão (1972)
  • Em Operação dragão, de 1973, fez seu primeiro papel de protagonista
  • Morreu aos 32 anos, em circunstâncias que geraram muitas especulações
  • Em 24 de julho de 1973, um dia antes do funeral de Bruce Lee em Hong Kong, já tinham 15 mil pessoas reunidas para acompanhar o ritual
  • O funeral em Seattle ocorreu em 30 de julho de 1973
  • Por escolha da esposa, Linda, foi sepultado na “paz e tranquilidade” de Seattle

Da infância turbulenta ao estrelato

A história de Bruce Lee se assemelha muito à jornada do herói clássica, na qual o personagem precisa enfrentar um sem-fim de obstáculos para atingir seu objetivo — no caso dele, superar os preconceitos da época para conseguir se firmar como ator em Hollywood.

Moleque brigão nas ruas de Hong Kong, Bruce foi incentivado a canalizar sua fúria em práticas mais disciplinadas, no que a arte marcial se mostrou a solução perfeita — tão significativa que, em 1968, ele criaria seu próprio estilo de luta, o jeet kune do, uma mistura muito própria de vários estilos.

A dedicação à atuação e às artes marciais levaram-no a outro patamar. “Ele se tornou o primeiro ator chinês-americano a estrelar um filme na meca do cinema mundial e o primeiro asiático a fazê-lo na era do cinema falado”, conta Polly na biografia. E, mais do que um profissional do entretenimento, ele foi um “evangelista”: “Através da popular ferramenta do cinema, ele apresentou a cultura asiática para mais pessoas do que qualquer outro personagem da história fez”.

Bruce Lee enfrenta Chuck Norris em O voo do dragão.

Filmes icônicos

Apesar de estar envolvido com o cinema desde criança, Bruce Lee protagonizou seus momentos mais icônicos — pelo menos para o imaginário ocidental — em sua fase madura.

Em O voo do dragão (1972), por exemplo, ele enfrenta Chuck Norris. E vence. A luta não é das mais fáceis, claro, mas derrotar uma figura como a de Norris, que é um dos memes mais clássicos da internet devido à sua invencibilidade nos filmes de ação, foi um feito e tanto.

Outra ocasião, esta cercada por uma tragédia, também é memorável. Jogo da morte, que só foi ao ar em 1978, traz as últimas participações de Bruce Lee nas telonas — o ator morreu antes de completar o longa-metragem, mas a produtora conseguiu utilizar as gravações que existiam para finalizar o material, sobretudo usando dublês. Em uma dessas cenas remanescentes, Bruce Lee se bate com ninguém menos que o gigante Kareem Abdul-Jabbar, pivô dos Lakers. Mais uma vez, vence.

Compre o livro na loja Bienal Rio

Bruce Lee: uma vida
Matthew Polly
Trad.: Danilo Di Giorgi Drago
Seoman
712 págs.