As várias formas de Frankenstein: nos quadrinhos, no cinema e na TV

Há 170 anos morria uma autora que provavelmente jamais será esquecida na história literária. Mary Shelley, a escritora inglesa imortalizada pelo romance que redigiu quando tinha apenas 18 anos, morreu em 1851. Logo, tem-se uma ótima “desculpa” para falar e lembrar da escritora e de sua obra mais famosa, o romance gótico Frankenstein.

Publicado em 1818, o livro foi escrito enquanto Mary e seu marido, o poeta Percy Shelley, veraneavam à beira do Lago Genebra. As histórias que envolvem o livro, antes e depois de ser escrito, são tão saborosas quanta o próprio romance.

Diz a lenda que Mary escreveu o livro após ser desfiada pelo poeta romântico Lord Byron, que sugeriu a ela “uma história de fantasma”. Não foi bem isso que ela fez. Na verdade, foi algo muito melhor. Histórias sobre fantasmas qualquer um poderia imaginar, mesmo no começo do século 19. Mas um monstro criado por um médico atormentado por ideias sinistras era certamente muito mais singular e complexo.

O livro causou um impacto tão grande que passou a ser incorporado pela cultura popular. Até mesmo quem nunca leu a obra sabe do que se trata. O livro virou tão conhecido que até equívocos surgiram dessa exposição. Frankenstein é o nome do médico que criou o monstro, e não o contrário, como a maior parte das pessoas acredita.

Mary Shelley, autora do romance Frankenstein.
  • Mary Shelley tinha apenas 18 anos quando escreveu Frankenstein
  • Ela era filha de celebridades intelectuais da época
  • Seu marido era o popular poeta romântico Percy Shelley
  • Frankenstein foi publicado pela primeira vez em 1818, sem o nome de Mary
  • Frankenstein é o nome do médico, não do monstro
  • O primeiro filme foi feito em 1910, ainda na era do cinema mudo

A origem

Victor Frankenstein é um médico obcecado pela origem da vida que saqueia cemitérios em busca de material para construir um novo ser, que ganharia vida com um choque elétrico. Mas o monstro é rejeitado por Frankenstein e então lança-se com afinco para destruir seu criador.

O romance foi publicado inicialmente sem o nome da autora e recebeu críticas bem diversas. Vários intelectuais da época rejeitaram a história, que só começou a se destacar ao ser adaptada por companhias de teatro alguns anos depois. A partir daí, nunca mais parou de ser revisitada. Em 1831, uma nova versão, bastante modificada, apareceu. Era a preferida da autora e a que mais aparece nas novas edições.

Em 2018, quando o romance completou 200 anos, a BBC londrina estimou que desde 1910, quando o primeiro filme sobre Frankenstein foi feito, outras 150 versões, em diferentes meios, foram feitas. Cálculo certamente muito subestimado. 

Ícone da cultura popular, o livro de Shelley contém elementos fantásticos e de horror, e é a combinação deles que tornam a história um sucesso. Na sequência, algumas adaptações e obras inspiradas em Frankenstein, nos mais diversos formatos.

Cena do filme Frankenstein (1931), de James Whale, no qual o britânico Boris Karloff interpreta um dos monstros mais famosos da cultura pop.

Cinema

Frankenstein (1910)

Realizado ainda nos primórdios do cinema, é um curta-metragem produzido para a Thomas Edison Film Company. Ainda na era do cinema mudo, o filme mostra o cientista Victor Frankenstein às voltas com a preparação de seu casamento.

Frankenstein (1931)

Dirigido por James Whale, o longa trouxe ao mundo a imagem mais famosa do monstro, interpretado pelo britânico Boris Karloff (1887-1969). Uma representação tão impactante que consolidou a figura bizarra do monstro na cultura popular. É neste longa que surge a versão de um monstro grande, desajeitado e murmurante, padrão que seria seguido em produções futuras.

Frankenstein de Mary Shelley (1994)

Em uma produção grandiosa, o diretor Kenneth Branagh se aproxima do texto original ao contar a história de um explorador no Ártico que tenta abrir caminho através do gelo e encontra Victor Frankenstein. O filme tem Robert De Niro no elenco.

Robert DeNiro no filme Frankenstein de Mary Shelley (1994), de Kenneth Branagh.

TV

Os monstros (1964-1966)

Aqui, Hermann Monstro é o chefe de uma família de monstros, vampiros, lobisomens no programa, que teve mais de 70 episódios. Hermann é claramente inspirado na criatura do livro de Shelley, e traz a estética do personagem do filme de James Whale.

Família Addams (1964-1966)

Tropeço, que compõe a exótica família, é outro personagem que pegou emprestado a estética de Boris Karloff, no filme de James Whale, de 1931. Tropeço é uma criatura monossilábica, como uma espécie de zumbi, com a cabeça descomunal que caracteriza Frankenstein através dos tempos.

Quadrinhos

Frankenstein 200

Em 2018, por conta das comemorações dos 200 anos da publicação do romance de Mary Shelley, um grupo de quadrinistas nacionais resolveu recontar a história, cada um do seu jeito e com liberdade criativa.

Frankenstein

Adaptação escrita por Jason Cobley e desenhada por Declan Shalvey, artista que trabalhou para a Marvel e a Vertigo. Aqui, essa versão para os quadrinhos foi publicada pela editora Larousse.

Cena da peça Frankenstein, do cineasta Danny Boyle, que adaptou o livro para os palcos em 2011.

Teatro

Frankenstein

Em 2011, o cineasta cult Danny Boyle, de Trainspotting, dirigiu uma adaptação teatral de Frankenstein para o Teatro Nacional de Londres. Como era de se esperar, imprimiu sua própria visão ao romance clássico de Mary Shelley. Os atores Benedict Cumberbatch e Jonny Lee Miller estavam no elenco.

Livro

Frankenstein (Penguin-Companhia)

Edição lançada em 2015 no Brasil, traz texto baseado na terceira edição do romance, de 1831, e inclui todas as revisões feitas por Mary Shelley, uma introdução da autora e textos críticos de Percy Bysshe Shelley e Ruy Castro.

Frankenstein
Mary Shelley
Trad.: Christian Schwartz
Penguin-Companhia
424 págs.

Frankenstein (DarkSide Books)

Especializada em livros de terror e suspense, a DarkSide Books publicou sua versão para o clássico de Mary Shelley em 2017. Em capa dura, traz ilustrações feitas pelo artista Pedro Franz. “O livro é impresso em duas cores: preto e sangue.”

Frankenstein
Mary Shelley
Trad.: Márcia Xavier de Brito
DarSide Books
304 págs.