As realidades alternativas do Universo Cinematográfico Marvel

O Universo Cinematográfico Marvel (UCM) está se esforçando para preparar o público para as grandes mudanças que vêm por aí. Depois das séries WandaVision e Loki, já comentadas pela Bienal 360º, é a vez da animação What if…?, disponível no Disney+,deixar o mundo d’Os Vingadores — e de vários outros seres poderosos da galáxia — de ponta-cabeça.

Em nove episódios, roteirizados por A. C. Bradley e dirigidos por Bryan Andrews, a nova produção imagina como seria o UCM caso alguns dos acontecimentos mais relevantes para a linha narrativa desse universo ficcional fossem diferentes, como, por exemplo: se Steve Rogers não tivesse se tornado um supersoldado, se um vírus quântico transformasse os Vingadores em zumbis e se Loki não fosse criado como irmão de Thor.

Os capítulos são narrados por um personagem enigmático, o Vigia, e exigem do espectador conhecimento prévio dos acontecimentos do Universo Marvel. “Observo tudo o que acontece aqui, mas não devo, não posso, não irei interferir. Pois eu sou… o Vigia”, é como a voz se apresenta. E, a partir disso, são estas as perguntas que guiam a série, sempre partindo do pressuposto de “E se…”:

  • A Capitã Carter fosse a primeira Vingadora?
  • T’Challa se tornasse o Senhor das Estrelas?
  • O mundo perdesse seus heróis mais poderosos?
  • O Doutor Estranho perdesse seu coração em vez…?
  • Zumbis?
  • Killmonger tivesse resgatado Tony Stark?
  • Thor fosse filho único?
  • Ultron tivesse vencido?
  • O Vigia quebrasse seu juramento?
Capitã Carter, imaginada no primeiro episódio de What if…?.

Marvel de ponta-cabeça

A fala do Vigia na abertura de cada episódio deixa clara a proposta da animação:

Tempo. Espaço. Realidade. São mais que caminhos lineares. São um prisma de possibilidades sem fim, onde uma única escolha pode se ramificar em realidades infinitas, criando mundos alternativos daqueles que você conhece. Eu sou o Vigia. Eu sou seu guia através destas novas vastas realidades. Siga-me e pense na questão… E se?

Além de condizer com a “loucura” experimenta por Loki em sua série, na qual diferentes linhas temporais são exploradas, What if…? parece preparar o espectador do UCM para o filme Doutor Estranho no multiverso da loucura, em que toda essa “bagunça” deve ser resolvida.

Para além das especulações, já que o filme do Doutor ainda não saiu, por enquanto é possível visitar alguns dos episódios da animação e ter um vislumbre, talvez, do quão caótica a narrativa Marvel pode se tornar.

Em What if…?, um vírus quântico transforma os Vingadores em zumbis.

Capitã Carter

O primeiro episódio da série animada começa em março de 1943, momento em que os Aliados — tendo o pai de Tony Stark como o principal “cabeça” — estão fazendo testes para criar um supersoldado. Na narrativa tradicional do UCM, Steve Rogers é quem se torna o Capitão América e, por consequência, o primeiro Vingador. Em What if…?, não é bem assim.

Quando Rogers está prestes a entrar na máquina para receber o soro que irá transformá-lo em supersoldado, um agente infiltrado faz um ataque. Steve fica ferido e é Peggy Carter, que naquele momento ainda não tinha se envolvido com a S.H.I.E.L.D nem desfrutava da relevância que viria a ter no UCM, quem toma o soro. E se torna a Capitã Carter, com escudo, fantasia e tudo.

A partir daí, ela é responsável por impedir o avanço do nazismo, encabeçado pelo Caveira Vermelha — primeiro grande adversário do Capitão América, na narrativa “normal” do UCM. Há toda uma questão envolvendo o Tesseract (uma das Joias do Infinito) e cenas de lutas muito bem-feitas.

O episódio, além disso, discute bastante machismo. O coronel Flynn esperava que um homem se tornasse o supersoldado norte-americano, afinal. “Prometo paz e salvação, em vez disso me deram uma garota”, diz ele para Peggy Carter. É claro que acaba mordendo a língua.

Thor em sua versão irresponsável.

Zumbis na Marvel

No quinto episódio da série, o cientista Hank Pym — primeiro Homem-Formiga — faz uma visita ao Universo Quântico para tentar recuperar sua esposa. O que ele não esperava é retornar à Terra contaminado por um vírus quântico que iria destruir os Vingadores e grande parte da população.

Nessa história alternativa, o Homem-Aranha — ao lado de Bucky Barnes e de Bruce Banner, o Hulk, entre outros personagens — é um dos poucos que não são contaminados. E ele vai aproveitar o momento, com seu humor peculiar, para fazer muita “graça” a respeito da situação. O objetivo, no entanto, é tentar reverter a catástrofe.

Thor, o Príncipe da Festa

O sétimo episódio da animação mostra o que seria de Thor caso Loki, seu problemático irmão adotivo, não tivesse sido criado em Asgard. O Vigia, nesta circunstância, deixa um comentário pontual — um dos vários que, ao longo da animação, têm uma espécie de lição edificante: “Mais do que batalhas vencidas ou perdidas, são os relacionamentos que definem um super-herói. As pessoas que moldam suas histórias”.

Ele quer dizer que, sem Loki para fazer o papel de vilão de Asgard, ou pelo menos de anti-herói, Thor se tornaria um personagem mimado, sem o contraponto hostil que o faria — forçosamente — criar responsabilidades para com seu povo. Então, após a morte de Odin, em vez de assumir o trono com seriedade o Deus do Trovão desceria à Terra para… dar uma festa.

No maior estilo do filme Se beber, não case, com algumas cenas que tentam reproduzir o clima da comédia de Todd Phillips, Thor vai para a cama com a agente da S.H.I.E.L.D Jane Foster e a festa foge ao controle. Muitos extraterrestres chegam para a confraternização, a Capitã Marvel aparece para tentar impedir o mimado Deus do Trovão, que está mais para Príncipe da Festa, e alguns estragos são feitos no planeta. Nada que a mãe de Thor, Frigga, não possa dar um jeito.