As mulheres e o Nobel de Literatura: conheça cinco vencedoras

Para começar a celebrar o Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta terça-feira (8), a Bienal 360º selecionou algumas personalidades que mudaram o mundo, sejam elas do meio literário ou não. Hoje, o assunto é Nobel de Literatura.

Dando continuidade à semana de homenagens, o leitor pode conhecer melhor cinco nomes que receberam a honraria da Academia Sueca, o ano em que foram laureadas e alguns de seus principais trabalhos traduzidos no Brasil.

A maior honraria da Academia Sueca, distribuída há mais de um século, parece ter começado a dar a devida atenção para a produção de mulheres somente de uns tempos para cá. No século 21, foram sete escolhidas — de diferentes partes do mundo.

A primeira mulher a receber o Nobel de Literatura foi a sueca Selma Lagerlöf, em 1909, e a mais recente é a poeta norte-americana Louise Glück, que está listada abaixo. Destaque também para a chilena Gabriela Mistral, única representante da América Latina.

Todas as vencedoras citadas, na ordem em que aparecem abaixo.

Louise Glück (2020)

A produção da norte-americana vinha passando despercebida pelo Brasil até ela receber o Nobel de Literatura há dois anos, mesmo que anteriormente tenha vencido importantes prêmios literários, como o Pulitzer e National Book Award. Autora de 12 livros, e com trânsito pelo trabalho ensaístico, Louise teve três de seus livros mais recentes editados pela Companhia das Letras em volume único. Poemas (2006-2014) reúne os títulos Averno, Uma vida no interior e Noite fiel e virtuosa, em um trabalho de tradução realizado a seis mãos. O conjunto dá uma amostra de sua “voz poética inconfundível”, um dos motivos apontados pela Academia Sueca para a sua vitória.

Poemas (2006-2014)
Louise Glück
Trad.: Heloisa Jahn, Bruna Beber e Marília Garcia
Companhia das Letras
504 páginas.

Olga Tokarczuk (2018)

A polonesa não demorou para fazer barulho entre os leitores brasileiros após receber o Nobel de Literatura. Lá fora, na Europa, já era figurinha carimbada. Seu livro mais conhecido, Sobre os ossos dos mortos, foi lançado pela Todavia e circulou pelos principais veículos do país, arrancando elogios do público e da crítica. Ao criar uma espécie de thriller carregado de humor, a autora elabora uma personagem — professora de inglês aposentada, mais afeita aos animais do que aos homens — que levanta discussões existenciais pesadas e urgentes. Loucura, injustiça e direitos dos animais são alguns temas abordados. De acordo com o The New York Times, trata-se de “uma fábula filosófica sobre a vida e a morte”.

Sobre os ossos dos mortos
Olga Tokarczuk
Trad.: Olga Bagińska-Shinzato
Todavia
256 págs.

Alice Munro (2013)

Um dos grandes nomes da narrativa breve já deu as caras no Nobel de Literatura. Além de ter tido uma relação íntima com livrarias durante toda a vida, a canadense se dedicou a um gênero que costuma estar mais à margem — o que não a impediu de ser muito bem-sucedida, com uma obra traduzida em mais de dez países. No Brasil, destaque para a tradução do volume O amor de uma boa mulher, pelo qual a sensibilidade de Alice para criar personagens foi comparada à de Tchékhov e no qual há uma boa amostra das mulheres criadas pela autora — uns tipos que não cedem à idealização, mas enfrentam situações adversas. Bem como acontece na vida.

O amor de uma boa mulher
Alice Munro
Trad.: Jorio Dauster
Companhia das Letras
376 págs.

Toni Morrison (1993)

A primeira mulher negra a receber o Nobel de Literatura é, também, responsável por alguns dos livros mais impactantes sobre racismo e sociedade em geral, que costuma carregar essa mácula do preconceito. O trabalho de Toni Morrison está sendo traduzido pela Companhia das Letras há mais de duas décadas. Além de O olho mais azul, obra mais famosa da autora, estão disponíveis em português Paraíso, primeiro romance que ela publicou após ganhar o Nobel, Amor e Sula, entre outros. O último citado, lançado recentemente no Brasil, relata a amizade entre duas mulheres, Nel e Sula, e a pressão que a sociedade parece exercer para barrar o desejo feminino. De acordo com o The New York Review of Books, trata-se de um livro “extravagantemente belo e dolorosamente vivo”.

Sula
Toni Morrison
Trad.: Débora Landsberg
Companhia das Letras
176 págs.

Gabriela Mistral (1945)

A única representante da América Latina já partiu há algumas décadas, em 1957, e sua obra só começou a receber mais atenção das editoras brasileiras há poucos anos. O volume A mulher forte e outros poemas, lançado pela Pinard, dá uma boa amostra do trabalho de Gabriela ao reunir versos extraídos de cinco de seus livros lançados em espanhol — Desolacion (1922), Ternura (1924), Tala (1938), Lagar (1954) e Poema de Chile (1967). Luto, maternidade e natureza são alguns dos temas que perpassam o conjunto. Como curiosidade, vale saber que o financiamento coletivo para a publicação do livro recebeu o apoio de quase mil pessoas.

A mulher forte e outros poemas
Gabriela Mistral
Trad.: Davis Diniz
Pinard
336 págs.