As dúvidas e o humor de Laerte em “Manual do Minotauro”, seu novo livro

Laerte transita pelos quadrinhos, cartuns, charges e desenhos de humor. Em atividade profissional há meio século, a artista paulistana completou 70 anos no último mês de junho e segue produzindo a todo vapor — mantém um site, inclusive, no qual publica quase todos os dias. Seu lançamento em livro mais recente é o Manual do Minotauro, que reúne mais de 1.500 tiras feitas entre 2004 e 2015. 

O novo trabalho é resultado de uma guinada na carreira de Laerte. Em 2005, ela deixou de lado o foco principal nas personagens e comicidade de suas tiras para explorar outras possibilidades. “Sem abandonar o humor, passei a trabalhar num registro mais próximo do que fazia antes de me profissionalizar — procedimentos que levavam às artes plásticas, ao teatro, à poesia”, conta à Bienal 360º.

Esse ambiente cheio de perspectivas inusitadas, ainda segundo Laerte, deu-lhe muita satisfação. O resultado é um trabalho que parece guiado pelas dúvidas, apoiado na filosofia, mitologia e metafísica, com uma levada recorrentemente existencialista — sem deixar de lado o humor, é claro, mesmo que seja aquele que desperta o riso nervoso. Dado o teor de sua obra, na qual certezas não têm muito espaço, não é de se espantar que ela afirme ter muito mais conselhos a pedir do que a dar.

Laerte, autora do Manual de Minotauro.

Legado e influências

Em atividade desde os anos 1970, Laerte é um dos nomes incontornáveis quando se pensa em cartuns, charges e tiras no Brasil. De 1986 até hoje são mais de 30 prêmios no currículo, diversas exposições e 15 publicações em livro, contando com o recente Manual do Minotauro.

Além disso, produziu trabalhos — e ainda produz — para alguns dos veículos mais importantes do país, como os jornais Folha de S. Paulo, Estadão e o extinto O Pasquim, que tinha Jaguar e Ziraldo entre seus fundadores, e revistas icônicas como Chiclete com Banana. Como redatora, passou pelos programas da Globo TV Pirata, TV Colosso e Sai de Baixo. Já como apresentadora, conduziu o Transando com Laerte, no Canal Brasil.

Sempre influenciada pela literatura, cinema e fotografia, Laerte acredita que as expressões visuais “são as vias pelas quais as pessoas se fazem representar e representam o mundo”. “A tira de quadrinhos, assim como os quadrinhos em suas muitas formas, ou a charge, o cartum — todas essas expressões refletem, cada uma a seu modo, a consciências das pessoas que as fazem — e que as leem”, diz.

Informações

  • Laerte nasceu em São Paulo, em 1956
  • Fez cursos livres de pintura, desenho e teatro, mas não concluiu os cursos superiores nos quais entrou
  • Reuniu seu trabalho em 15 livros
  • Tem mais de 30 prêmios no currículo
  • De 1981 a 2014 fez oito exposições no Brasil
  • No documentário Laerte-se (2017), de Eliane Brum, divide com o público questões envolvendo sua identidade de mulher transexual

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Manual do Minotauro
Laerte
Quadrinhos na Cia.
416 págs.