As Desigualdades e as Elites no Brasil na mesa de debates da Bienal, discutindo racismo estrutural

Na programação deste primeiro sábado de evento, as discussões sobre “As desigualdades e as Elites no Brasil” provocaram uma reflexão sobre quais são os caminhos neste cenário de incertezas sanitárias, políticas e econômicas. O escritor, sociólogo e professor universitário Jessé Souza afirma que o racismo é o elemento central da sociedade brasileira moderna e também o grande responsável pelo atraso moral, social e político do Brasil. 

Com mediação do jornalista Ruan de Sousa Gabriel, a mesa contou ainda com as participações do jornalista Muniz Sodré (on-line) e da colunista e apresentadora Luana Génot. Os três debateram o rumo da desigualdade e das elites no Brasil, que são temas de seus novos livros. 

“A discussão sobre o racismo no Brasil é superficial, frágil e envenenada por uma aliança de brancos, que é a elite, e de uma outra pequena parte que se dizem representantes”, afirmou Jessé. Acrescentou ainda que o tema é desenvolvido desde o início da civilização ocidental até os dias de hoje. “É um processo de desumanização e animalização do outro. O racismo é multidimensional, que vai além de raça, é cultural, é de gênero e de classe”, disse ele.

O jornalista e sociólogo Muniz Sodré destacou a importância da experiência democrática a partir do momento que contamos a nossa história. “Há um mito entre as divisões do Brasil. O Brasil é múltiplo. São vários blocos de vida e cada um desses blocos constitui uma nação diferente”.

Ele destacou ainda que há uma diferença entre igualdade e sociedade. “Uma coisa é essa igualdade que nos foi prometida na Constituição, que não se aplica nos dias de hoje, e outra coisa é a sociedade que temos hoje, que é contra essa democracia real e efetiva”, disse ele.

A fundadora do Instituto Identidades do Brasil, Luana Génot, ressalta que ela precisa se conectar com essa história do racismo estrutural para trazer visibilidade e dar nome e voz a cada um. “O convite aqui é que a gente olhe para a nossa realidade de um modo muito mais contundente e deixe de negar que não existe mais racismo, em prol de um ideal muito maior que a gente ainda precisa construir. Só assim a gente vai conseguir mudar o nosso cenário”.